A polêmica do Enem e a visão de uma estudante

O barulho em torno dos problemas do Exame Nacional do Ensino Médio é desproporcional ao eventual estrago, na modesta opinião desta reles blogueira. Mas quem sou eu para opinar? Com a palavra, quem passou pela experiência:

Eu fiz o ENEM, e posso falar

Por Bárbara Esteliam*

Sou aluna do 3º ano do ensino médio e fiz o Enem pela segunda vez.

Na minha percepção, as provas deste ano foram melhores que a do ano passado em relação a quantidade de textos, à distribuição dos assuntos e ao nível das questões; em ciências humanas, por exemplo, estava mais alto.

O Enem não é uma prova difícil, em si, mas ela pode lhe vencer pelo cansaço. Assim, acaba por dar oportunidades maiores àqueles que não tiveram a mesma qualidade de ensino que eu, por exemplo, tive no colégio em que estudo.

Desse ponto de vista, de oportunidade, a prosposta é muito boa, além de gerar mudança no ensino decoreba das salas de aula. Porém, falta concretizar a proposta. A prova ainda vem com alguns enunciados confusos, questões com dados antigos frente a existência de dados novos, outras com experimentos científicos que nem foram concretizados, ainda.

Em relação aos erros deste ano, é completamente compreensível. São quase 5 milhões de provas, não dá para conferir uma por uma. E mesmo se desse, a prova teria muito mais chance de vazar, como no ano passado.

A Justiça Federal do Ceará acabou por decidir suspender o Enem, o que demonstra, aí sim, o verdadeiro desrespeito para com milhões de estudantes. Afinal, passamos um ano inteiro nos preparando para a prova, fazemos e nos desgastamos para, agora , vê-la anulada?! É jogar fora todo um ano de esforços!

O problema principal foi o da falta de questões no caderno amarelo, que representa 0,3% de todas provas e 1% das amarelas. Cabia ao estudante conferir a quantidade de questões antes de começar a prova – assim como a gente faz nos exames do colégio, e como foi orientado pelos fiscais. Constatados erros, que se exigisse uma nova prova, correta. Quer dizer, prevaleceu a acomodação. Exercício de cidadania implica cada um fazer a sua parte.

Não é justo que 99,7% dos estudantes sejam prejudicados pela “lezeira” de uns poucos. O nível nacional da prova a torna passível de erros. Espero, sinceramente que o recurso do MEC derrube a liminar. Aí, sim, a justiça será feita.

Mas é o Brasil, né? A minoria se acha, sempre, com direito a privilégios.

*Bárbara Esteliam, 17 anos, estudante do 3º ano do ensino médio.

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Continuo a perguntar aos meus botões: a quem interessa a desmoralização do Enem, uma vez que ele democratiza o acesso às universidades? Minha geração, e tantas outras que vieram depois, teve que encarar o funil sócioeconômico do vestibular -, que se tornou cada vez mais estreito com o passar dos anos e a “modernização” do ensino. Será que essa gente vai sempre apostar no quanto pior melhor?

Clique para ler o que escreve Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada.

Aqui, em Vi o Mundo, a história de um furo mal-intencionado.

No Luiz Nassif On Line, também sobre o assunto: lá, aqui e aqui.

3 comentários

  1. O Jornal do Comércio durante a campanha eleitoral se posicionou em defesa do Serra. Alguns jornalistas desse jornalzinho de m…. expressaram publicamente apoio ao Serra. Então é um jornal a serviço da oposição ao governo Lula.

    No caso do Enem, houve má fé por parte desse jornaleco. O jornalista já se dirigiu ao local do exame com “ANIMUS NOCENDI” (intenção de prejudicar), previamente orientado pela sua editora. Então ele foi ali já com a intenção de prejudicar e bagunçar a realização da prova. Esse papo de dizer que o “contato com o jornal não estava previsto”, isso é conversa pra boi dormir.

    Esses meios de comunicação que tentam desvirtuar o Enem estão a serviço de várias universidades particulares as quais estão perdendo muito dinheiro com o acesso gratuito de milhões de alunos nas faculdades do Brasil por meio do Enem. Então, esses empresários estão fazendo de tudo para acabar com o Enem. Há também um esforço muito grande por parte das elites sociais para extinguir o Enem porque a classe “A” não vê com bons olhos o acesso dos menos favorecidos a cursos universitários.

    Esse Jornalista (…), além de praticar um ato ilícito, faltou com a ética que deve nortear qualquer matéria de natureza jornalística.

    Acesse o link e veja por que esse babaca cometeu uma infração:
    http://blogdadilma.blog.br/2010/11/reporter-do-jc

    Por outro lado, se Benira Maia, editora dessa porcaria de jornal, que durante os últimos 6 meses fez campanha contra Dilma, continua querrendo, de alguma forma, prejudicar os programas sociais do governo Lula, para atingir a presidenta eleita, é bom (…) lembrar que, em Pernambuco, a Dilma teve 76% dos votos válidos contra 24% do Zé Calúnia; em Recife, a lavada foi: Dilma 66% e o Zé Capeta do diabo 33%.

    PS: esse jornaleco poderia até publicar matéria tratando da falta de organização, mas jamais publicar o título da Redação. Em 2009, quando o Jornal Estado de São Paulo (que é outra porcaria também) recebeu proposta para publicar com antecedência uma questão da prova, obtida por meio de fraude, a postura do editor-chefe do Estadão foi a de comunicar o fato ao MEC, o que é “eticamente correto”.

  2. Também fiz o ENEM, também posso falar. E posso falar pela minoria que recebeu a prova amarela que continha erros (folhas brancas no caderno amarelo). Ao contrário do exposto no texto, não me acomodei, e pedi a fiscal que trocasse a minha prova por outra amarela e a mesma disse que não poderia fazer o que pedi antes de contatar com o coordenador de prédio. O contato foi feito e o coordenador veio a minha sala dizer que precisava esperar um comando de Brasília, orientando o que deveria ser feito.
    Horas depois, o chefe de prédio volta à sala e nos orienta a fazer o que achava melhor pois não conseguiu o contato com Brasília. Ou seja, não consegui trocar a minha prova cheia de erros, mesmo pedindo a substituição, mesmo querendo uma providência. Eu me preparei para o ENEM o ano inteiro; me desgastei para fazer a prova, principalmente por estar sob a tensão do gabarito sem remédio; também fiz dois dias de prova, como todos. Não seria justo comigo nem com os outros estudantes da prova amarela que não pudéssemos refazer a prova.
    Não pedi pra suspenderem o ENEM, não quero que os 99,7% se prejudiquem por nossa causa, mas merecemos respeito e consideração, tanto por parte do MEC quanto dos estudante que vem a publico pela internet, manifestar-se contra nós, que não tivemos culpa pelo acontecimento.
    Sim, nós que fizemos a prova amarela errada, somos uma minoria, mas não 0,3% de “lesados” acomodados, e sim uns poucos que sofreram pelo erro da gráfica e ficaram de mãos atadas sem ter como resolver.
    Que fique registrado que apesar do ENEM ser uma boa proposta, ele não é o sucesso absoluto que o presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou, e sou, como os quase 2 mil estudantes, a prova viva disso. É importante um pouco de humildade na hora de assumir erros. Todos são passíveis de errar, inclusive um concurso com a dimensão do Exame Nacional do Ensino Médio.
    Grata pela atenção.

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