Por Elma Almeida* – especialmente para A Tal Mineira

O sol explode sobre as pedras do calçamento, sobre as árvores e sobre a cabeça da gente. Afinal, estamos no alto sertão sergipano. A 150 km de Aracaju. Acabo de chegar à cidade de Poço Redondo, palco da matança de Lampião na década de 30, que agora recebe mais uma vez o cineasta Hermano Penna.

Uma casa da cidade foi tomada pelo departamento de arte do filme. Num dos quadros de aviso, por exemplo, é possível ver a lista dos bichos necessários a cada dia de filmagem. São cavalos, bodes, bois. Aliás, a produção venceu o desafio de procurar dois bois idênticos, para uma sequência. Como os bois encontrados são “quase” iguais, a solução será maquiá-los antes de entrarem em cena.

Uma verdadeira revolução envolve o povoado onde mora o personagem principal, vivido pelo ator Rui Ricardo Diaz, que fez Lula no cinema. Maior ponto de locação, o povoado é revirado para voltar ao tempo de Lampião. Todos os fios de eletricidade das ruas desaparecem aos poucos, embutidos em cabos e enterrados no chão. Afinal, na época não tinha luz no sertão. Ao mesmo tempo, as casas reformadas vão ganhar fachadas cenográficas pintadas de acordo com uma pesquisa histórica.
* Elma Almeida é jornalista. Mineira, viveu e trabalhou em São Paulo, em Brasília, e agora dirige a redação da TV Cidade em Sergipe.
****************************************
PS: É uma honra para esta reles blogueira publicar um texto de Elma Heloísa Almeida. Belo presente de aniversário de dois meses do blogue. Elma é jornalista das mais competentes, sensatas e bom caráter com quem já tive oportunidade de trabalhar – em Belo Horizonte, nossa terrinha do coração, e em Brasília, nosso sonho e concretude profissional. É minha fada-madrinha.
Desde nosso primeiro encontro, na redação do Jornal de Casa, em Beagá, floresceu a amizade – mais do que isso a irmandade – lá se vão muitos reveillons…
Tempo, distância, revezes, idas e vindas não são capazes de quebrar ou amortecer encontros desta natureza. É um privilégio, uma benção, ter pessoas assim em nossas vidas.
Um comentário