Basta de preconceito e intolerância: #homofobianão!

Por Sulamita Esteliam
Foto: Altavista

Domingo, 21, é dia de ato público contra a homofobia, no vão do MASP, na Av. Paulista, coração financeiro de São Paulo, a partir das 15 horas. Os manifestantes vão exigir das autoridades competentes a apuração dos casos de violência e a punição dos autores, de acordo com a lei penal – uma vez que o país ainda não dispõe de legislação específica.

O protesto é motivado pela agressão de três jovens, na mesma Paulista por outros cinco adolescentes. Uma das vítimas teve seu rosto e cabeça retalhados por lâmpada fosforecente. Tudo indica que a violência tenha acontecido por preconceito contra homossexuais. Leia artigo de Mabel Dias, em Senhora das Palavras, a respeito.

A propósito, circula documento, assinado por entidades da sociedade civil, em repúdio a mais um crime bárbaro, originado na intolerância e no preconceito.  Será encaminhado às autoridades competentes, exigindo providências.

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Transcrevo matéria a respeito, postada no Dialógico.

Organizações LGBT repudiam violência homofóbica e realizam ato na avenida Paulista no dia 21 de novembro

Entidades e organizações da sociedade civil organizaram abaixo-assinado para manifestar indignação, repúdio e exigir providências aos graves fatos ocorridos na madrugada do dia 14.11.2010, na Avenida Paulista, envolvendo 5 (cinco) jovens adolescentes que agrediram 4 (quatro) vítimas com violência física, e evidente motivação de intolerância homofóbica.

Segundo a imprensa divulgou, os cinco jovens são de classe média, colegas de um colégio particular de um bairro nobre de São Paulo, e foram reconhecidos como responsáveis por três ataques a pessoas que passavam pela região da Avenida Paulista. A polícia investiga se os crimes tiveram motivação homofóbica.

Esta não é a primeira ação violenta de jovens da classe média brasileira, em especial contra pessoas oriundas de grupos discriminados, e usualmente vítimas de intolerância, como os gays, negros, nordestinos, índios etc. Exemplos não nos faltam: morte do índio Galdino, assassinado por jovens ricos e filhos de autoridades públicas de Brasília em 1997; a violência cometida por jovens da Barra da Tijuca, que agrediram fisicamente uma trabalhadora, empregada doméstica, que voltava para casa, e foi confundida com uma “prostituta” (como se para as profissionais do sexo este tratamento violento fosse admitido).

Agora, uma vez mais, no décimo ano da morte por assassinato do adestrador de cães, Edson Neris da Silva, na Praça da República, em 6 de fevereiro de 2000, executado por um grupo delinquente de “skinheads do ABC”, deparamo-nos com este arrastão “chique” no coração econômico da terra cujo povo se autoproclama locomotiva e esteio do Brasil.

Certamente, se o Brasil já tivesse uma legislação que criminalizasse a homofobia, a exemplo de países mais desenvolvidos na defesa e promoção dos direitos humanos, fatos como o ocorrido seriam mais raros, pois a juventude brasileira, em especial a bem educada e privilegiada do ponto de vista econômico, já teria aprendido que homofobia é crime e não pode ser praticada.

Mas a inércia e a omissão do Poder Legislativo nos obrigam a continuar lutando para viver com dignidade e exigindo a ação das instituições que devem cumprir e manter a Constituição Federal. As autoridades públicas, Polícia, Poder Judiciário, Ministério Público têm a obrigação de garantir a ordem, a lei e o respeito à Constituição brasileira que, em última instância, proclama como sua razão máxima a garantia dos direitos individuais da pessoa humana.

Sendo assim, o documento ( http://edupiza.blogspot.com/2010/11… ) tem como objetivo chamar atenção das autoridades públicas e do povo de São Paulo e do Brasil, exigindo e cobrando para que este fato não caia no esquecimento, em vista dos agressores terem posição sócio econômica privilegiada. A justiça brasileira tem a obrigação de ser justa e a polícia e o Ministério Público de cumprirem suas funções.
Fonte: Ciranda Net

Um comentário

  1. Essa reações coletivas de preconceito, essas manifestações racistas foram plantadas durante a campanha do candidato derrotado, Serra. Durante sua campanha, Serra apelou para setores ortoxos da Igreja, misturando questões religiosas com questões políticas, trazendo para o debate conceitos religiosos ultrapassados, que remontam à Idade das Trevas, na qual a Igreja julgou e condenou milhares de pessoas na chamada Inquisição. Essa página suja da História da Igreja virou, mas remanescem ainda hoje nas homilias de alguns bispos conceitos e dogmas religiosos que dividem os homens em santos e pecadores, puros e impuros, escolhidos e condenados, como se padres fossem anjos, e bispos fossem deuses para julgar e condenar os filhos de DEUS.

    E esse apelo ao preconceito e à discriminação de raça, cor, sexo e condição social semeada por Serra e seus pares ao longo da campanha, logo foi alimentado pela grande mídia e irresponsavelmente legitamado pelo bispo da Diocese de Guarulhos e por alguns pastores evangélicos, os quais PASSARAM A PREGAR O ÓDIO E A
    INTOLERÃNCIA RELIGIOSA NO SEIO DE UMA SOCIEDADE TRADICIONALMENTE PACÍFICA E PRÓSPERA como a nossa.

    São esses os verdadeiros responsáveis por essa onda de preconceito odioso, infame e inadmissível fomentado na campanha do Serra, alimentado pela Diocese de Guarulhos pelas mãos do Bispo d. Luiz Bergonzini, e que hoje grassa na Web e pelas ruas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, principalmente.

    Veja, por exemplo, o que o bispo d. Luiz Gonzaga Bergonzini disse dias antes do pleito em entrevista à Folha:

    “Dilma segue o seu partido, ela é a candidata. Então eu vou matar essa cobra na cabeça… A CNBB não manda em mim…” (palavras do bispo Bergonzini).

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/771435-bispo-de-guarulhos-diz-que-nao-recuara-em-mobilizacao-contra-dilma.shtml

    Profundamente lamentável e triste a apologia ao ódio e a prática de preconceito em quaisquer circunstâncias e por qualquer pessoa, especialmente quando tais práticas ofensivas são pregadas por um bispo que se diz “cristão”. Tais bispos instigam fieis a atos de intolerância religiosa, mas se omitem, silenciam em relação aos crimes de pedofilia praticados por seus padres em diversas partes do mundo. A Igreja condena pessoas pelas suas opções de credo, de vida, de sexo, mas não “se importa de conviver com um rosário de pecados”, a pedofilia.

    Portanto, esse lamentável episódio da avenida paulista (agressão a três jovens), as declarações racistas de Mayara Petruso contra nordestinos e o comentário preconceituoso de Luiz Carlos Prates da RBS são, em parte, um desdobramento da campanha odiosa do Serra e da interferência da Igreja no processo eleitoral brasileiro.

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