Aos donos da imagem, aquele abraço

Repórteres fotográficos no Mineirão, em torno do presidente da Arfoc-MG, o saudoso Guinaldo Nicolaievsky, assinalado. Embaixo, à direita, a premiadíssima Vera Godoy – minha irmã de signo e mapa do céu: nascemos no mesmo dia, mês e hora. Foto: João Noronha, 1987 – capturada no Pictura Pixel, do também fotojornalista mineiro Cláudio Versiani
Por Sulamita Esteliam

Antes que se vá longe o 08 de janeiro, presto minhas homenagens aos fotógrafos e às fotógrafas de todo o mundo. Especialmente àqueles/as com os/as quais compartilhei minha vida profissional em diferentes épocas e veículos. Sobretudo à turma de repórteres fotográficos, homens e mulheres, com os quais dividi o instigante e nada fácil, mas quase sempre prazeroso, trabalho de jornalista. Sério, houve um tempo em que tive prazer e orgulho de exercê-lo.

São dezenas e seria impossível citar a todos e todas com os/as quais trabalhei e/ou convivi -incluindo a última década centrada nas lides de assessoria – alô, alô, Ivaldo Bezerra e Beto Oliveira! Sequer disponho de imagens e espaço para tanto. Sintam-se, pois, reverenciados/as na foto histórica acima. Ainda que esportes poucas vezes – futebol nunca – tenha sido a minha praia como repórter.

Esta reles blogueira e Luiz Carlos Bernardes-Peninha, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas e da Fenaj clicados por Nely Rosa no Encontro dos Jornalistas do Mercosul, em Fortaleza, 1996

Um compartilhamento no FaceBook, da minha amiga Nely Rosa, grande fotógrafa de Fortaleza, autora da foto ao lado, me ativou a memória e a saudade. Parti para meus alfarrábios em busca de imagens que simbolizem o prazer da convivência daqueles tempos. Encontrei algumas. Vamos lá, pela ordem:

1. Nelson Aranha, com quem trabalhei na extinta revista Manchete e todas as demais 11 publicações da Bloch Editores de então. Não disponho das melhores imagens, mas de gratas lembranças do mestre que ensinou à intrépida repórter respeitar o parceiro de jornadas. Busquei uma foto dele na rede, mas não encontrei. Então, escaneei fotos de algumas reportagens que fizemos juntos, dentre as que ainda guardo no papel:

Na década de 80, um passeio no trem imperial entre Barbacena e São João Del Rei, margeando o Rio das Mortes, em Minas: oportunismo turístico capturado pelo olho experiente de Nelson Aranha para a revista Fatos & Fotos
O mote era os 20 anos da pílula anticoncepcional, e o editor da revista Manchete pediu um contraponto. Fomos a Sete Lagoas e minha tia Maria , mãe de nove filhos, concordou em fazer parte da história. A legenda original só erra o nome da caçula: Graziela Yasmin

As mulheres invadem a polícia civil mineira, em pleno 1980, e nós fomos lá conferir para a Manchete

2. Pereirinha: O Diário do Comércio usava pouco imagens, mas Pereirinha, que já é estrela há 20 anos, se desdobrava para atender à dúzia de repórteres de economia que formavam o time do jornal especializado. E ainda tinha o semanário Jornal de Casa – de cultura, variedades e política.  Em 1982, por obra e graça das primeiras diretas para governadores – e a candidatura Tancredo ao governo de Minas -, o DC passou a cobrir política, também, e ele a suar a camisa ainda mais. Nem por isso perdia o sorriso.

Casamento de Dinorah do Carmo, em 1983 – ela foi a primeira presidenta do Sindicato dos Jornalistas de Minas, no início dos anos 2000. Pereirinha vem para a frente da lente e, gaiato, assume lugar de honra ao lado dos noivos. De pé, parte da galera da empresa, alguns dos quais já são estrela; esta blogueira é a penúltima                                                                                                                      

3. Marcelo Prates e eu formamos dupla das mais afinadas na sucursal mineira de O Globo, na segunda metade dos anos 80, onde sobrava talentos – Mana Coelho e Toninho Aranha formavam com Prates o trio do clic. Mana, que é pernambucana de nascimento, e ele continuam meus amigos. Mais do que isso, assentamos uma relação que o tempo, a distância ou mesmo o pouco contato não são capazes de dissolver.

A cobertura da “Ciranda da Morte” nas cadeias de Beagá, em 1985, nos rendeu várias primeiras páginas no Globo e uma Menção Honrosa de fotografia para Marcelo Prates no Vladimir Herzog, prêmio de jornalismo sobre direitos humanos do Sindicato dos Jornalistas de SP
Aqui, exauridos, retorno de campo em Turmalina, Vale do Jequitinhonha, em reportagem sobre os efeitos da fome, 1985. Na frente da câmera, Prates dirige a foto da equipe, que inclui o motorista, nosso anjo-da-guarda
Marco da nascente do Rio São Francisco na Serra da Canastra, sudoeste de Minas. Retorno da cobertura do incêndio que todo ano devasta aquele sítio ecológico. O rapaz ao meu lado é Beto Novaes, então motorista cooptado pelo talento no manejo da câmera, hoje editor de fotografia nas Gerais. Foto: Marcelo Prates
Aqui nasce o Rio da Unidade Nacional. Beto Novaes nos clicou, em 1986
Aqui foto de Mana Coelho, que cobriu comigo a visita ao que deveria ser o Centro de Triagem da Lagoinha, e garantiu capa, 1985
Esta blogueira e Coeli – repórter da sucursal Brasília – com Beto Novaes em uma das muitas coberturas políticas nacionais que incluíam Tiradentes no roteiro. Data provável: abril de 1987. Foto de Toninho Aranha


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