Dona Helena deixa exemplo de bravura

por Sulamita Esteliam
Helena Greco não se intimidava, "enfrentava a repressão de peito aberto", lembra Nilmário Miranda - Fotos: Arquivo pessoal

Vi uma referência ao nome no Twitter do Fernando Ferro (@FerroPT), deputado federal pelo PT daqui de Pernambuco, e cheguei a comentar como meu companheiro,mas me perdi em meus afazeres. Hoje, a notícia confirmada no Blog do Nilmário: dona Helena Greco, a destemida guerreira contra a ditadura e as injustiças, fez-se estrela dia 27, aos 95 anos, completados no último 15 de junho. O enterro se deu na manhã de hoje, no Cemitério Parque da Colina, Zona Oeste da Capital.

Helena Greco é fundadora e primeira vereadora do PT de Belo Horizonte. Pioneira na luta pela anistia política e em defesa dos direitos humanos e da cidadania, foi uma das 52 mulheres brasileiras a integrar a lista do projeto Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz em 2004, da Fundação Suíça pela Paz/Associação Mil Mulheres.

Criou e presidiu a primeira Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de BH e inspirou a criação da primeira Coordenadoria em Direitos Humanos e Cidadania do país, na prefeitura da cidade, em 1992 – gestão Patrus Ananias. Também são de sua lavra o Conselho Municipal da Mulher, o Fórum Permanente de Luta pelos Direitos Humanos de Belo Horizonte, o Grupo de Trabalho Contra o Trabalho Infantil e o Movimento Tortura Nunca Mais.

Valter Pomar a entrevistou  para a revista Teoria & Debate, há pouco mais de 25 anos, e introduziu assim a conversa – aqui no sítio da Fundação Perseu Abramo:

Dona Helena exerceu dois mandatos de vereadora pelo PT em Beagá

“Discretos como é de praxe, mas sobretudo eficazes, os nossos amigos mineiros passaram meses fazendo lobby para que a seção Memória apresentasse, aos leitores de T&D, Dona Helena Greco. Justo pleito: nascida em 15 de junho de 1916, na cidade de Abaeté (MG), Dona Helena Greco foi jovem rebelde, estudante dedicada às línguas e à literatura, aluna do curso de farmácia da Faculdade de Odontologia e Farmácia da Universidade de Minas Gerais, esposa e mãe de três filhos. E assim, passaram-se 60 anos de sua vida, até que a repressão militar contra os movimentos estudantis despertou Dona Helena para uma nova fase de sua vida: o engajamento no movimento pela Anistia, pelos direitos humanos, na política partidária e no PT.”

“Mulher valente” é o adjetivo que mais se adequa a dona Helena Greco, na opinião de Nilmário Miranda. Ele escreve, no blogue: “Sua coragem era lendária. Sua casa foi alvo de atentado a bomba quando a direita reagiu à abertura política”  – isso aconteceu no final dos anos 70. Mas ela própria se definia como “feminista radical e militante socialista de extrema esquerda”.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s