Jornalista é agredida no Paraná

por Sulamita Esteliam
A jornalista levou sete pontos na boca - Fotos: Blog da Cristiane Fortes
Cristiane diz que "agressão não vai calar a minha boca"

A denúncia me chega via Rede Mulher e Mídia, em mensagem de Raquel Moreno, do Observatório da Mulher: a jornalista paranaense, Cristiane Fortes,  foi covardemente agredida por um assessor da prefeitura de Quatro Barras, interior do estado – um certo Frederico Bernardi, que foi afastado do cargo.

A colega ousou contrariar interesses do poder municipal e do referido senhor no jornal que edita. Atacada no jornal oficial, foi à prefeitura cobrar explicações: levou um soco no rosto, antes de abrir a boca.

Há informações controvertidas, e troca de acusações, que a própria jornalista relata em seu blogue – aqui. O Acorda Jornalista, Blog do Sindicato, publica a análise dos fatos.

Não importa a motivação. Como lembra a nota do Sindicato do Jornalistas do Paraná, que transcrevo mais abaixo: nada justifica a violência física.

Taí um coisa que tira do sério esta reles blogueira: exercício ou manifestações de poder pela violência, qualquer tipo.

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Curioso é que a coisa aconteceu há cerca de uma semana, e a informação não circulou. Mesmo o Sinjor PR tendo publicado uma nota de repúdio, no dia 25.

Muito estranho. Relatos da Rede Mulher e Mídia, entretanto, dão conta de que a informação corre entre os jornalistas latino-americanos. Menos entre os brasileiros.

Busquei e não encontrei a nota publicada no sítio da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas – entidade da qual já tive a honra de ser dirigente, em tempos idos, muito idos. Não teria o Sinjor PR enviado a denúncia?

Através do sítio da entidade, fiz a pergunta. Questionei, também, que tipo de apoio, além da nota, o sindicato está oferecendo à colega agredida. Fiz o mesmo em relação à Fenaj, em mensagem dirigida ao presidente Celso Schröder. Isso ontem início da tarde. Até as 10 da manhã de hoje não havia retorno.

A atitude é pura barbárie, e não só porque fere a liberdade de imprensa: é violência contra a mulher, e a Federação dos Jornalistas tem história na defesa das causas-cidadãs. Aliás, acaba de emprestar apoio à campanha Ponto Final na Violência Contra as Mulheres e Meninasaqui. Além do que, a Fenaj pode ser fundamental na cobrança de que o ato covarde não fique impune; tem costas e trânsito para tal.

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Transcrevo a nota:

25/08/2011 – Sindijor repudia agressão à jornalista Cristiane Fortes

O Sindijor repudia a agressão covarde de que foi vítima hoje (25) a jornalista Cristiane Fortes, proprietária do jornal Metropolitan’s Notícias, de Quatro Barras. Ela fora à Prefeitura Municipal cobrar explicações sobre uma matéria publicada no jornal Agora Paraná (diário oficial do município), na qual o promotor de Justiça do município criticava duramente o trabalho da jornalista e o trabalho investigativo que ela faz contra autoridades da cidade.

Cristiane vislumbrava na publicação – na qual é acusada de parcial e de exercer trabalho jornalístico com viés político – uma orquestração do grupo político que comanda o município e postou como resposta mensagens de protesto à reportagem no seu perfil no Facebook.

Ao chegar à Prefeitura, quis falar com o assessor de Planejamento, Frederico Bernardi. Antes que falasse, Cristiane foi vítima de um soco no rosto desferido pelo assessor. Indo ao chão, a jornalista ainda foi chutada por Bernardi, que precisou ser contido por outros servidores.

A jornalista teve de ser atendida em hospital para receber sete pontos de sutura na boca (cinco internos e dois externos) e avaliar uma possível fratura na região do nariz. Após representação na polícia, submeteu-se a exame de corpo de delito no IML de Curitiba.

Apesar de abalada, Cristiane disse que a agressão não a surpreende. Ela alega que sofre já há algum tempo ameaças e retaliações por conta de seu trabalho de investigação de irregularidades no município. A mais recente delas foi a exoneração de seu filho de um cargo em comissão na Câmara de Vereadores após ela própria se recusar a assumir cargos públicos que lhe foram oferecidos. Os cargos serviriam, segundo ela, como um “cala-boca”, a fim de afastá-la de seu trabalho no Metropolitan’s Notícias.

Ela acredita que esteja sendo perseguida agora por ter assumido que, mesmo sendo um jornal de fora de Curitiba, o Metropolitan’s publicava reportagens pagas da Câmara Municipal de Curitiba – um dos desdobramentos do escândalo de verbas para publicidade do caso Derosso e que envolveria outros veículos. Já quanto a Bernardi, o problema seriam denúncias feitas por Cristiane de que, detendo posto de secretário, ele pediu exoneração para participar de licitações no município, retornando posteriormente à Administração municipal.

Nada, em absoluto, justifica a covarde agressão de que a jornalista foi vítima. O trabalho da imprensa tem de ser livre e todas as divergências e erros têm de ser dirimidos e sanados nas instâncias apropriadas que a sociedade democrática construiu para tanto.

À colega Cristiane fica nossa solidariedade, e ao assessor, agora afastado, todo o repúdio da categoria por sua atitude absurda de desrespeito à jornalista e à imprensa.

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