PE mostra como a comunicação afeta a vida das pessoas

por Sulamita Esteliam

Os pernambucanos têm se movimentado para discutir comunicação como direito humano. Neste sábado, jovens comunicadores da periferia se reúnem no Encontro de Mídia Alternativa, a partir das 9h, no Instituto Solidare – Rua Alcântara, 176, Coqueiral. É parte da programação da Semana de Arte Visual Cultural na Comunidade, que acontece no Bairro Totó, Zona Oeste da cidade – aqui, no Ombudspe.

É também no sítio do CCL – Centro de Cultura Luiz Freire – dedicado ao monitoramento da mídia e ao debate da comunicação como direito – que se encontra a matéria que transcrevo abaixo, sobre encontro realizado em Palmares, no último sábado. Promovido pelo próprio CCL, com apoio e/ou parceria de outras entidades, dentre elas, o Centro Sabiá de Desenvolvimento Agroecológico.

Excelente exemplo de como a comunicação, ou a falta, ou a informação manipulada, ou discriminatória afeta a vida das pessoas. E como a velha mídia não transmite a realidade da vida comunitária, muito menos dos pequenos municípios.

****************************************

12.09.2011 – Ombudspe

Militantes da Zona da Mata Sul participam de oficina sobre direito à comunicação

Representantes de diversas entidades da sociedade civil e alguns gestores públicos de municípios da Mata Sul pernambucana participaram da oficina sobre Comunicação e Direitos Humanos realizada no último sábado, no município de Palmares. A iniciativa é do Centro de Cultura Luiz Freire e conta com o apoio da Fundação Ford e a parceria do Centro Sabiá e da Articulação de Mulheres da Mata Sul. Na ocasião, integrantes do CCLF apresentaram vídeos para dinamizar a discussão sobre direitos. A reunião também trouxe à tona propostas aprovadas no processo da Conferência Nacional de Comunicação.

O assunto da comunicação ainda é tratado com muita timidez aqui na nossa região. Conhecer melhor esse direito é um passo importante pra a gente conquistá-lo”, avaliou a comunicadora Magal Silva, que integra a AMMS e também participa do programa Rádio Mulher, veiculado através da Rádio Farol, de Catende. Para a militante, o apoio a iniciativas populares de comunicação é uma das principais pautas a serem discutidas. “Temos uma dificuldade tremenda de colocar nosso programa no ar, até pela nossa dificuldade de conseguir apoio. Como podemos aceitar anúncios de clínicas privadas se lutamos pelo fortalecimento do SUS? Como podemos aceitar dinheiro de fábrica de cachaça se trabalhamos a redução de danos causados pelo álcool? Precisamos de fundos públicos que possam garantir nossa independência~.

De acordo com os participantes da oficina, o direito à comunicação está longe de ser garantido na região. Praticamente não há conteúdos produzidos localmente na televisão da região, que tem em algumas poucas rádios o principal veículo de comunicação em que notícias regionais são transmitidas. Não há iniciativas públicas que estimulem a produção e a transmissão local, o que acaba reverberando também na imagem pública que se tem da Mata Sul inclusive no âmbito nacional. Integrante da Comissão Pastoral da Terra, Giovane da Silva comparou: “O que se sabe sobre a gente é só tragédia. Quando não é enchente, é chacina. Quem aqui sabe que Palmares é a terra dos poetas?”

Durante o encontro, os participantes também criticaram a postura de alguns comunicadores locais. “O interesse político predomina em alguns veículos. Também há radialistas que não respeitam o público, esculhambam, xingam os ouvintes”, reclamou Carlos Calheiros, da Associação Municipal de Entidades (AME), de Palmares.

Ao final do debates, o grupo elencou algumas propostas e pretendem formalizar suas demandas na audiência da Frente Parlamentar da Comunicação que se realizará na região. Criação de núcleos de produção de comunicação, formação de professores para trabalhar a crítica de mídia, fomento à produção e à transmissão são algumas delas. O encontro com o grupo de deputados é aberto e acontecerá na próxima sexta-feira, dia 16, a partir das 8h, no local onde provisoriamente está funcionando a Câmara dos Vereadores.

******************************************

A propósito, Magal Silva, me envia, via Rede Mulheres em Comunicação, o manifesto abaixo, que será entregue aos parlamentares na audiência de sábado. Vai assinado por 18 entidades, até agora. Aberto a assinaturas do movimento. Transcrevo:

Palmares, 16 de setembro de 2011

Propostas para a 

Frente Parlamentar da Comunicação em Pernambuco

Zona da Mata Sul 

As entidades, articulações, fóruns e movimentos da sociedade civil, abaixo assinados, com atuação nos municípios da região da Mata Sul de Pernambuco vêm, antes de mais nada, ressaltar a importância da atuação desta Frente Parlamentar para a discussão e implementação das políticas públicas que necessitamos para que seja garantido a toda a população do estado o direito à comunicação. 

Reconhecemos os direitos humanos como universais, interdependentes e indivisíveis. Daí a importância de percebermos a dimensão da comunicação como fundamental para o exercício dos demais direitos. Tal exercício não se faz possível num contexto em que aos cidadãos e cidadãs, especialmente do interior, lhes é negada a participação e a representação nos – poucos – meios de comunicação existentes na região. 

Praticamente todos os conteúdos veiculados nas emissoras de tevê provém de ‘cabeças de rede’ localizadas na região Sudeste; há poucos meios de comunicação comunitários, todas submetidas a uma legislação que praticamente as impede de trabalhar com independência e sustentabilidade; existe carência de formação e de fomento à produção de comunicação, além de pouca transparência acerca dos recursos públicos que poderiam ser direcionados às políticas que almejamos. 

Saudando a interlocução com esta Frente Parlamentar, trazemos novamente à tona a necessidade de implementação das propostas elaboradas e aprovadas no processo da etapa estadual da I Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano de 2009. Tal documento, transparentemente e democraticamente construído, deverá ser balizador das políticas públicas de comunicação que necessitamos ver implementadas. Destacamos algumas delas e acrescentamos demandas que nos parecem ser prioritárias em nossa região: 

  1. Garantir o financiamento da produção e circulação de produtos de comunicação produzidos por pontos de cultura;
  2. Criar de Núcleos Comunitários de Comunicação;
  3. Introduzir de disciplinas sobre educação para a mídia nas escolas públicas e também através de oficinas para os movimentos sociais
  4. Garantir a interiorização da produção e programação;
  5. Valorizar as políticas de incentivo à produção e distribuição do audiovisual para as regiões interioranas
  6. Descentralizar para o interior a formação na área de comunicação através da criação de cursos técnicos e de nível superior;
  7. Discutir a publicidade oficial, fazendo com que chegue até ao interior;
  8. Garantia de programas educativos para os jovens do interior;
  9. Fortalecimento das oficinas de audiovisual no interior e implantação de novas oficinas;
  10. Viabilizar a criação e a manutenção de cineclubes, telecentros, pontos de cultura e bibliotecas;
  11. Aprovação do projeto que cria a Empresa Pernambuco de Comunicação e fortalecimento da TV Pernambuco, inclusive fazendo com que chegue com sinal de qualidade a todos os municípios;
  12. Transmissão das sessões das câmaras de vereadores e de eventus culturais da cidade em praça pública;
  13. Fazer com que informações e propostas das conferências sejam divulgadas nas pequenas cidades;
  14. Criação e fomento a programas específicos para movimentos de jovens, idosos e mulheres nas rádios;
  15. Reformar/Construir cinemas na região, como o de Palmares (Cine Apolo), que pertence  ao governo do estado, para que através deles também seja escoada a produção audiovisual local;
  16. Criação do Conselho Estadual de Comunicação e seus congêneres municipais;
  17. Implementar a formação de Direitos Humanos nas escolas públicas e Formar Professores para o tema Comunicação;
  18. Fortalecer políticas de incentivo à produção e distribuição do audiovisual para as regiões interioranas. 

Participando ativamente deste processo de construção, esperamos que o trabalho desta frente possa fazer com que finalmente comecemos a caminhar para a garantia do direito humano à comunicação a todas a a nossa população. 

Atenciosamente,

Articulação de Mulheres da Mata Sul –AMMS

Associação de Mulheres de Agua Preta – AMAP

Ceas Rural

Centro da Mulheres de Joaquim Nabuco

Centro das Mulheres de Catende

Centro das Mulheres de Escada – Mulher em Ação

Centro de Resgate e Integração a Arte e Cultura Regional – CRIAR

Centro das Mulheres de Jaqueira

Centro das Mulheres de Maraial

Associção de Moradores do Bairro da Cohab de Agua Preta

Associação de Mulheres de Catende

Pastoral da Criança de Palmares

Associação das Pessoas Portadoras de deficiencia da Água Preta – APDAP

Associação de Mulheres de Flor de Maria – ASMUFLOR

Grupo Rio das Artes – Agua Preta

Comissão Mata Sul de Economia Solidária

Articulação Municipal de Entidades

Coordeadoria de Juventude de Agua Preta

Comissão Pastoral da Terra

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s