A falácia da democracia racial brasileira

por Sulamita Esteliam

Ontem foi celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, justa homenagem ao herói Zumbi dos Palmares e ao povo afrodescendente, parte essencial na formação do novo povo e na construção deste país – aqui as atividades no Recife, que prosseguem até dia 30. Oportunidade, também, de se refletir sobre o papel e a condição dos negros em nossa sociedade – aqui, neste blogue – que continua em dívida para com essa parcela importante da população.

Sabemos que a propalada democracia racial brasileira é uma falácia. Os resultados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE, recentemente, não deixam lugar à fantasia. Os negros são maioria na população (50,7%). Estão concentrados mais no Norte e Nordeste. Ostentam a maior taxa de analfabetismo na faixa etária acima dos 15 anos. Ganham menos do que brancos e amarelos. E morrem mais cedo – ao contrário da lenda -, em consequência das diferenças de condições de vida, da violência e do acesso a cuidados de saúde.

Entre os que se declaram pretos, o índice de analfabetos dentre os com mais de 15 anos chega a 27,1% nos municípios com até 5.000 habitantes; a 28,3% nas cidades com 5.001 a 20.000 e a 24,7% nos com 20.001 a 50.000 habitantes. Já entre os pardos, a taxa de analfabetismo varia de 20,0% a 22,1% nos grupos de municípios com até 50.000 habitantes.

Estão entre os pretos e pardos as menores faixas de rendimentos – só entre indígenas é menor: respectivamente, R$ 834, R$ 845 e R$ 735, em média por mês. Entre os brancos é praticamente o dobro, R$ 1.538, e um pouco maior entre os amarelos, R$ 1.574.

Curioso é que a discriminação em termos de rendimento entre brancos/pretos e pardos é mais forte nas capitais onde a população negra predomina ou é significativa e nas cidades grandes. As maiores diferenças se encontram nos municípios com mais de 500 mil habitantes, segundo o IBGE. Entre as capitais, os destaques vão, justamente, para Salvador, onde brancos ganham 3,2 vezes mais do que pretos; Recife, três vezes mais e Belo Horizonte, 2,9 vezes acima.

Mais uma vez, são nas capitais com forte presença negra onde a desproporção de renda é maior, também, entre brancos e pardos: São Paulo sai na frente, com 2,7, seguida por Porto Alegre, com 2,3. Em terceiro lugar dá empate entre Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde o rendimento dos brancos é 2,3 vezes acima do que ganham os pardos.

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O preconceito e a discriminação não captadas pelo censo revela o traço de crueldade presente nas famílias brasileiras:  as crianças negras (pretas e pardas) são a maioria entre as 4,5 mil habilitadas para adoção no Cadastro Nacional, mas ainda são preteridas. Das 26 mil famílias na fila de espera, mais de um terço aceita, apenas, crianças brancas.

No Distrito Federal, por exemplo, apenas 17 dentre as 410 famílias cadastradas admitem adotar uma criança negra. Lá elas somam 51, acima dos cinco anos. A reportagem completa é do Correio do Brasil. Clique para ler a íntegra.

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Revista e atualizada às 21h09, hora do Recife.


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