Com CPI será que a velha mídia noticia ‘A Privataria Tucana’?

por Sulamita Esteliam
Charge Elisa Riemer, capturada no Blog do Esmael: http://www.esmaelmorais.com.br

A velha mídia mantém silêncio retumbante sobre o livro-denúncia A Privataria Tucana, do premiado jornalista mineiro, Amaury Ribeiro Jr – aqui, neste blogue. O mesmo silêncio que ecoou, em 1999, quando foi lançado o livro O Brasil Privatizado, do saudoso jornalista Aloysio Biondi, editado pela Perseu Abramo. Memória é fundamental.

Todavia, pode vir aí uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito, proposta pelo deputado Protógenes Queiróz (PCdoB/SP).  Quem sabe, então, vira escândalo ao gosto do PIG?

No jargão do meio, omissão de pauta se chama “sentar-se sobre a notícia”. O que torna a atitude assunto obrigatório de quem acredita ser a informação um direito humano, como qualquer outro.  Até nos Estados Unidos o desvio do cumprimento do papel de noticiar foi manchete em sítio especializado em Brasil.

Aqui, além de Carta Capital, que saiu na frente, com alentada reportagem de Leandro Fortes e entrevista com Amaury, já na sexta-feira, a revista eletrônica Terra Magazine, do Portal Terra, também entrevistou o autor.

Há exceções, que só confirmam a regra: TV Record e Record News, grupo que também é conglomerado midiático, inegável, mas que emprega Ribeiro Jr como produtor-executivo – e dispõe de outras cabeças coroadas do jornalismo de compromisso em sua equipe; a TV Gazeta, de São Paulo e o Correio do Brasil, do Rio de Janeiro, são outros exemplos.

As razões que a razão desconhece são dissecadas no artigo de Mário Marona, no Correio do Brasil – que foi meu editor em O Globo, na segunda metade dos anos 80 -, e no comentário de Bob Fernandes, editor do Terra Magazine, na TV Gazeta:

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O deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP), ex-delegado da Polícia Federal, já colhe assinaturas para a abertura de CPI sobre o esquema milionário de lavagem de dinheiro aninhado no puleiro tucano – eram 100 ao final da tarde de ontem. Agora, que governo e oposição trocaram os postos no balcão congressual, vamos ver se desta vez sai. Clique para ler em Carta Maior – também aqui.

Butim da dilapidação do patrimônio público nacional no governo FHC a locupletar as burras do tucanato e seus familiares. E a desnudar o jogo rasteiro da política eleitoral. E a escancarar o que move os monopólios da comunicação no país ou, como define o professor Venício Lima, da UNB, “a moralidade seletiva da grande mídia”. Na minha terra isso tem nome, aliás, na do Ricardo Kotcho, também.

Nesse sentido, o Zé Bolinha de Papel, tem razão: “É lixo, lixo, lixo…” o que traz o livro de Amaury. Assim, é recomendável seguir o raciocínio de Aécio, o Primeiro Neto. Perguntado, ele disse que o livro “não é literatura que o interesse”, mas, “quem se interessa deve ler”.

Pelo visto, apesar de praticamente restrita às redes sociais e à blogosfera “suja”, a notícia do livro despertou o interesse de muita gente, tornando-o galinha dos ovos de ouro. A Geração Editorial, que bancou a empreitada, já prepara a terceira edição: a primeira, de 15 mil exemplares, evaporou-se em um ou dois dias, e a segunda, que chega às livrarias ainda esta semana, já tem os 30 mil exemplares reservados.

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O Brasil Privatizado – Um balanço do Desmonte do Estado, de Biondi  – que já não está entre nós desde 2000 – disseca o mito das privatizações e das “forças de mercado”, revela como o Brasil investiu para entregar o patrimônio público a preço de banana, e como as negociatas deixaram o país mais pobre. É documento fundamental para se entender uma era.

Apesar do boicote da mídia, e de não contar com a força da internet, à época engatinhante por aqui, o livro já vendeu mais de 130 mil exemplares, desde 1999. Tenho a segunda edição, de junho daquele ano – a primeira foi em abril. Clique para ler a versão disponibilizada em PDF pela editora, e aqui para comprar.

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Revista e atualizada às 19:28 e 19:57, hora do Recife

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