De filhos, amor, liberdade, independência e necessidades

por Sulamita Esteliam

Devo desculpas pela longa ausência. Garanto, porém, que o motivo é mais do que nobre.

Andei pela vizinha João Pessoa, a acolhedora capital da Paraíba, desde sexta-feira. Fui acompanhar minha caçula,  que estreou hoje a Faculdade de Direito da UFPB. E do primeiro dia de aula saiu cara e braços pintados, e assim atravessou a cidade, para se encontrar e almoçar comigo, radiante como o Sol que rege seus caminhos. Trote, civilizadamente, criativo, vivenciado com leveza e bom humor.

Sua entrada no curso estava prevista para o segundo semestre, foi remanejada para já, e aí foi uma correria daquelas…

Aflições de toda sorte. Familiarmente coletivas. No Recife e em Beagá, a insônia rondou pai, mãe, irmãs, irmão, tias, tios, primas, primos, amigas, amigos e que tais…

Como sempre acontece em nossas vidas, as mudanças ocorrem sem planejamento. É como se nossa fibra e capacidade de adaptação tivessem que ser, permanentemente, testadas. Mas a vida só presta assim, e nada é por acaso. Ou, como diriam os crentes, “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

Sem demérito para os homens, digo-lhes que Babih, em seus tenros 18 anos, não deixa nada a dever às mulheres da família. Desde as mais remotas ancestrais  – de um e de outro lado da formação de seu DNA. Tem coragem, firmeza, determinação, desassombro, alegria de viver. Sob a proteção dos Anjos, do Pai e da Mãe celestiais, há de continuar assim.

Quanto a mim, creio que estou preparada para enfrentar a distância, a ausência física – João Pessoa está a duas horas do Recife -, as preocupações com seu bem-estar. Não é a primeira vez. Babih é a caçula de seis: quatro que pari, e criei – com as parcerias que a vida me trouxe -,  e mais duas que não pari e não criei, mas ocupam lugar cativo no coração. Um e todas criado/as para cuidar das próprias vidas, desde cedo. Ela, apenas, encara o desafio um pouco antes – e sem qualquer suporte familiar num raio de 200 km …

Vão quando é preciso ou desejam, e voltam, quando querem e se necessário for. E essa liberdade de ir e tornar, e de novo alçar vôo ao sabor do vento, das oportunidades ou imperativos é que o/as fazem gente por inteiro, por que se sabem amado/as e, quero crer, felizes são.

De minha parte, digo que a síndrome do ninho vazio não encontra eco em minha substância. E, podem acreditar, não sou mãe desnaturada. Apenas acho que filhos e filhas a gente cria para o mundo. E reza para que a educação que logramos partilhar com nossas crias seja o bastante para orientá-las no vôo rumo aos seus horizontes.

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O vídeo abaixo me foi enviado por Babih, junto com a letra traduzida, durante as férias de janeiro, em Beagá. Busquei-o porque, então, ela me dissera que sempre se lembra de mim quando ouve esta música. A recíproca é verdadeira, e posso dizer que vale para toda a prole, e o que permeia a nossa relação.

E como segunda é dia de vídeo, compartilho o mimo com vocês:


2 comentários sobre “De filhos, amor, liberdade, independência e necessidades

  1. Amiga nova!!!! cá estou com esperança de lhe encontrar na praia… será?Voltei de viajem mas ainda não fui a praia…. Até breve e parabéns pela filha caçula tão precocemente afastada da mamãe… é isso aí… bjs
    Tania

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