A primeira república brasileira deu-se em Pernambuco

por Sulamita Esteliam

Neste 06 de março Pernambuco comemora sua Data Magna. É “feriado facultativo”, entretanto. Há exatos 195 anos era instituído, aqui, um governo revolucionário, que instaurou a República, criou a bandeira da qual os pernambucanos até hoje se orgulham e uma nova constituição, decretou a liberdade de imprensa e, até, nomeou embaixador nos Estados Unidos e na França. Durou 74 dias.

Evidentemente, que Portugal não ia deixar barato a ousadia de comerciantes e proprietários rurais, brasileiros contra o absolutismo português. Os revoltosos, que tinham o apoio das províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, foram atacados por mar e por terra. Navios vieram do Rio de Janeiro, sede do Reinado, e tropas subiram da Bahia, sede do vice-reinado – vem daí, por conseguinte, a implicância dos pernambucanos com os baianos. Foi um verdadeiro massacre.

Os líderes da Revolução de 1817, boa parte maçons postados no comércio, nas repartições públicas e, até, no baixo clero, foram presos, torturados e executados. Claro, sobrou para a arraia miúda que engrossou as fileiras dos combates.

Movidos pelos anseios de igualdade e justiça social, as classes média e camadas livres pobres queriam mudanças sócio-econômicas radicais. Carregavam a esperança de que os ideais revolucionários encampassem suas reivindicações, dentre elas a abolição da escravatura – que ao fim e ao cabo foi incorporada pelo governo provisório.

Todavia, os cabeças da rebelião vinham e pertenciam às elites, assim como no exemplo da malfadada Conjuração Mineira, 36 anos antes – a exceção era Tiradentes, um simples alferes, oriundo da plebe. A fonte de inspiração e os motivos, também, eram os mesmos ou semelhantes: o ideário da Revolução Francesa e da Independência das colônias inglesas na América (Estados Unidos) de independência política e liberdades individuais e de comércio; de abolição dos impostos escorchantes pagos à coroa portuguesa, por exemplo. Os ideais dos rebeldes eram burgueses, portanto.

Clique para conhecer detalhe, no sítio O Nordeste, e no vídeo abaixo:

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Há um livro, excelente, escrito pelo amigo jornalista Paulo Santos,  Editora QuidNov, 2009, que romanceia essa história de maneira singular. Chama-se A Noiva da Revolução. Reconstitui os fatos a partir do romance entre o líder da revolução, o comerciante capixaba, radicado no Recife, Domingos José Martins, e a dama de família portuguesa, Maria Teodora. É a mulher quem escreve um “diário” sobre os acontecimentos.

Vale à pena ler, seja pela qualidade literária, seja para conhecer os meandros da História.

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Revisto e atualizado em 07.03.2012, às 9:24


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