Kaiowá-Guarani: ‘Morremos pela terra, não vamos nos matar’

por Sulamita Esteliam
Resistência pelo direito à terra ancestral – Foto capturada no sítio do Cimi

O grito do povo Kaiowá-Guarani ou Guarani-Kaiowá ecoa mundo afora. Particularmente, desde a repercussão da carta-testamento na blogosfera, aí incluídas as redes sociais, o que parece ter despertado a Funai. Em nota, o órgão encarregado de cuidar dos nossos indígenas, reconhece como legítima a luta pela “terra ancestral”. Reconhece, também,  que a situação do povo Kaiowá-Guarani “é de confinamento”: 45 mil índios num espaço minguado de terra, cercados – repito – de fazendeiros e pistoleiros por todos os lados – aqui, no sítio da Carta Capital.

E tal se deu pela interpretação dada ao texto da carta-testamento, que denuncia o iminente despejo da aldeia, por ordem judicial, e a “morte coletiva” de 170 pessoas – 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças – da comunidade Pielyto Kue, em Iguatemi, Mato Grosso do Sul. “Morte coletiva” foi equiparada a “suicídio coletivo” – inclusive aqui neste blogue.

Interpretação equivocada. Palavra de Apykaa Rendy (Trono Iluminado, em Guarani) ou Lopes, líder da comunidade: “Os brancos querem nos atacar. Por isso nós dizemos: morreremos pela terra! Mas a ideia da gente se matar, ou se suicidar, nós não iremos fazer. Nós morreremos se os fazendeiros nos atacar. Aí poderemos morrer!”, explica.

Mais da entrevista a integrantes da Aty Guasu – Grande Assembleia dos Povos Kaiowá e Guarani – aqui, no sítio do Cimi. A conversa será transformada em vídeo.

O Cimi – Conselho Missionário Indigenista, aliás, divulgou nota, ontem, em protesto contra o que classificou de “mentiras”. Ainda que admita que a prática do suicídio ocorre há tempos, sobretudo entre os jovens: 555 casos de 2000 a 2011, nas diversas aldeias “motivados por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência aguda e variada, afastamento das terras tradicionais e vida em acampamentos às margens de estradas”.  Tudo que a carta Kaiowá-Guarani denuncia.

Todavia, registra a nota: “Nenhum dos referidos suicídios ocorreu em massa, de maneira coletiva, organizada e anunciada”. Clique para ler a íntegra.

Ato em defesa dos povos indígenas – Foto capturada no sítio da Carta Capital – José Cruz/AgBr

O genocídio do povo Kaiowá-Guarani foi motivo de ato de protesto em frente ao Congresso Nacional, semana passada. Cinco mil cruzes foram fincadas no gramado da Esplanada – aqui, no Vermelho.

Há uma petição no Avaaz.Org em defesa dos Kaiowás-Guarani. Esta blogueira já assinou. Assine você também, se concordar é claro.

 

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Atualizada às 20:34, hora do Recife.

 

 

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