O Baile dos Seres Imaginários na Fliporto, de graça!

por Sulamita Esteliam
Foto: Divulgação

Se você não tem grana para bancar o ingresso do recital da Maria Bethânia, A Diva – diante da qual me curvo em reverência – que abre a 8ª edição da Fliporto nesta quinta, 15, aniversário da nossa República – ou mesmo para pagar o passaporte para as palestras da grande Festa Literária de Pernambuco, não se avexe. Dia 16, tem espetáculo da banda O Baile dos Seres Imaginários, na Praça do Carmo, em Olinda. Melhor ainda, é “de grátis”, como diz o povo.

O Baile dos Seres Imaginários é uma festa do Universo lúdico, um coquetel de música e literatura para crianças, de todas as idades. Euzinha me deleito. E, cá pra nós, o nome do grupo é muito bom. Passaporte para a viagem que propõe o show. Vi, vivi, delirei e recomendo.

Aliás, me impressiona a energia criativa desses  – e de outros tantos – jovens. Força que transcende à batalha cotidiana do mundo real, que exige o ganho do pão-nosso-de-cada-dia, o enfrentamento dos pré-conceitos da sociedade estabelecida; ainda assim, conciliados com o necessário, pois que atávico, impulso da prática do contribuir – apesar de…

Devo dizer, não é por isso: conheço, pois convivo com, dois dos integrantes do grupo, Érica Verçosa e Rodrigo Fischer. Caso, diria, de amor à primeira vista, a partir da minha inserção no mundo das bibliotecas comunitárias do Recife e entorno – por obra e graça de outra jovem de talento doador, Fabiana Coelho – atriz, contadora e mediadora de histórias e jornalista -, que me apresentou a Maria Betânia Herrera, visionária, fundadora e batalhadora da Biblioteca Popular do Coque, que me levou à Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede. Teias da vida.

Érica, retomo, é contadora de histórias, filha de Tupã, aquele que abençoa o Pará. Aqui e Nordeste afora, além das artes, exerce a assessoria pedagógica do Programa Prazer em Ler, do Instituto C&A, que por sua vez, é parceiro da Releitura, a quem empresto assessoria – de comunicação, naturalmente. Rodrigo Fischer, também é contador de histórias e mediador de leitura – da equipe da Biblioteca Peró, que integra o instituto de mesmo nome, em Jaboatão dos Guararapes.

Acabamos de sair de um seminário de dois dias, que discutiu, e vai propor, políticas públicas para o livro, a literatura, a leitura e as bibliotecas. Cerca de 200 pessoas, trabalhadoras de biblioteca públicas – estatais, escolares e comunitárias – de Pernambuco, da Paraíba e Bahia, do Rio Grande do Norte e do Maranhão, e também de Minas Gerais, se juntaram para, em rede -sociedade civil e segmentos do poder público – ousar apontar caminhos para a transformação do Brasil em um país leitor. Tudo, permeado por literatura e poesia – aqui e aqui.

Então. A Fliporto, de certa forma, mescla os elos desta tríade – produção (livros-editores), criação (escritores), – mediação (bibliotecas, contadores de histórias, mediadores de leitura), embora com nítida predominância do primeiro – com apoio do poder público e privado. Como de resto, todas as feiras literárias de nosso Brasil, para nos restringir à nossa Macondo.

A edição deste ano homenageia o dramaturgo pernambucano-carioca, Nelson Rodrigues, “O Anjo Pornográfico”, na tradução do jornalista e escritor Ruy Castro. Afinal, como explicita o mote da Festa Literária de Pernambuco-Olinda, “A vida é um espetáculo”.

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Atualizada em 16.11.2012, às 15:57, hora do Recife.

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