Lições de humanidade e engajamento, na dor…

por Sulamita Esteliam
O pai de Lucas, ao centro, de vermelho, e os amigos vestem saia em ato de desagravo ao jornalista vítima, tudo indica, da homofobia – Foto capturada na Internet

Este blogue faz questão de publicar a foto acima, já amplamente divulgada pela blogosfera e redes sociais. Protesto pacífico, e inteligente, contra a intolerância, violência perversa que conduz à barbárie. Corrói os alicerces da sociedade a partir do preconceito, como um câncer que consome as entranhas, silenciosamente. É triste, vergonhoso e inadmissível que ainda hoje se mate por ódio, se morra, por que se é diferente.

Foi no Twitter e no Facebook que esta reles blogueira registrou seus sentimentos em relação à morte de Lucas Fortuna, 28 anos, encontrado boiando na Praia de Calhetas, Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, no domingo 18. Todos os indícios apontam para o chamado “crime de ódio” – ainda que o laudo do IML defina “afogamento” como causa da morte. Mais um. E a pergunta é: até quando?

Lucas Fortuna, apontam familiares e amigos, era um rapaz de bem com a vida – Foto capturada no blogue Bafonique, de João Pessoa-PB

A se confirmar a motivação homofóbica, o jornalista Lucas Fortuna, de 28 anos, soma 30 vítimas em Pernambuco, só este ano. A conta é do Movimento LGBT do Estado, que na quarta, 21 entregou ao governo estadual a lista com os nomes das pessoas assassinadas, e pediu providências, políticas públicas de conscientização, para barrar esta loucura. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que acompanha de perto as investigações sobre a morte de Lucas, registra, só no ano passado, 278 assassinatos por homofobia no Brasil.

Em pronunciamento no Senado, na quinta, 22, Humberto Costa (PT-PE) pediu reflexão: “Esse caso reacende um debate muito importante em Pernambuco e no país, o da discriminação, especificamente o da violência contra a população formada por gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. É inconcebível que, nos dias de hoje, exista espaço para o ódio e para a intolerância por motivos de orientação sexual” disse – mais aqui.

A investigação sobre a morte de Lucas Fortuna, a cargo da delegada pernambucana Gleide Angico, vai ser acompanhada, também, pela Comissão de Direitos Humanos da OEA, de acordo com o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Ele próprio, que participava de reunião da Comissão Internacional de DH, em Bogotá, Colômbia, no dia em que o corpo do jornalista foi encontrado, em Cabo de Santo Agostinho, pediu a inclusão do caso como crime homofóbico, conforme disse que o faria, no Twitter – também aqui, no Conexão Brasília Maranhão.

Lucas Fortuna era jornalista, ativista pelos direitos humanos e presidente do PT de Santo Antônio de Goiás. Fundou o Movimento Colcha de Retalhos, contra o preconceito e em defesa dos direitos LGBT. A liberdade de gênero sempre foi sua bandeira, desde o movimento estudantil na faculdade, e a manteve em atividade nos congressos de jornalistas e eventos de comunicação, onde comparecia trajando saia. Daí o mote do desagravo, no velório e enterro.

O pai, Avelino Mendes Fortuna, veio ao Recife reconhecer o corpo. Evitou apontar o dedo, mas deixou claro: “Independentemente do meu filho ser homessexual ou não, ele era uma pessoa brilhante que teve sua vida brutalmente interrompida por um homicídio. Podia ter sido o filho de qualquer pessoa, vamos lutar para que a morte dele não tenha sido em vão”.

 

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