O dia e o tempo seguintes na Venezuela

por Sulamita Esteliam
Nicolás Maduro é o novo presidente, e não se opõe à "recontagem cidadã" - Foto: Página 12
Nicolás Maduro é o novo presidente, e não se opõe à “recontagem cidadã” – Foto: Página 12

A margem apertada de votos surpreendeu os chavistas, mas a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais da Venezuela, no último domingo, é incontestável, tanto do ponto de vista constitucional, como da lisura do processo. É Maduro o legítimo sucessor de Hugo Chávez, e sua proclamação está prevista para a tarde desta segunda. É o que atestam todos os observadores internacionais e o apoio da Unasul e outras potências mundiais alinhadas.

Henrique Capriles esperneia, o que também é direito dele. E convoca protestos pela recontagem – e nisso tem o apoio dos Estados Unidos, para variar, e da OEA – Organização dos Estados Americanos.  O que é estranho é que ele, Capriles, tenha preparado terreno para a chiadeira, desde o início da curta campanha, questionando a equidade da Comissão Nacional Eleitoral – aqui no blogue. Golpe não vale. Leia reportagem de Breno Altman no Ópera Mundi.

De qualquer forma, mais do que a diferença de votos pequena, o resultado mostra que a sociedade venezuelana está mais dividida do que há seis meses, quando Chávez foi reeleito. E isso, para alguns analistas, soa como um alerta, não só para os desafios que Maduro terá que enfrentar em seu governo , mas para a América Latina como um todo.

Recomendo a leitura da análise do historiador, Gilberto Maringoni, em Carta Maior.

O exemplo da Venezuela mostra que é bom  não subestimar os adversários. Ainda que mimetizando personagens e continuidade dos programas sociais, com correção de rumos do que não vai bem e mudanças de condutores, há espaço para a direita e congêneres crescerem.

A propósito, muitíssimo interessante o artigo de Marco Weissheimer para o Sul 21. Ele escreve: “Capriles prometeu manter os principais programas sociais implementados por Chávez e reivindicou a figura de Lula como modelo de equilíbrio e moderação que pretendia seguir. Aqui no Brasil já tem gente ensaiando discursos parecido para as eleições de 2014”. E recomenda que o PT bote “as barbas de molho”.

Marco se refere, sem citar, ao governador-candidato de Pernambuco, Eduardo Campos, que tem palmilhado suas aspirações presidenciais em cima de críticas ao governo encabeçado pelo PT de Dilma, e de Lula. Tem o apoio entusiasta, e patético, da mídia conservadora local e nacional. Pouco importa que o sucesso da gestão eduardiana se deva, em grande parte, ao carreamento maciço de investimentos do governo federal para o estado.

Não obstante, as observações do colega jornalista gaúcho procedem. Faço minhas as palavras dele: “Quem quiser, e tiver juízo, que ouça”.


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