Que tal sair do armário? Pode ser a solução…

por Sulamita Esteliam
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A leitura do cartunista Latuff – charge capturada em latuffcartoons.wordpress.com

Não sou psicóloga, mas fico pensando cá com meus botões se a solução do problema para a “cura gay” não seria sair do armário … De preferência sem sofrer demasiado. Bons profissionais de Psicologia podem ser de grande valia nessas horas.

Claro, nenhuma intenção de fazer piada de assunto tão sério. Muito menos alusão ou conselho aos defensores do projeto que tramita na Câmara dos Deputados, soçobrando Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Longe de mim.

Sim, aquela mesma comissão, presidida pelo deputado-pastor, Marcos Feliciano (PSC-SP), racista e homofóbico, desde criancinha. Que o homem é conservador ao escracho é inegável.

Pero, se ele e outros tantos assemelhados lá estão, alguém os colocou lá pelo voto. Representa, representam, pois, uma parcela da sociedade, que também é conservadora, para dizer o mínimo.

A gente discordante tende a se esquecer desse pormenor, que não é detalhe na democracia representativa. Socorro-me, assim, ao que me assoprou o bom senso do amigo-deputado Nilmário Miranda (PT-MG), em entrevista recente – aqui.

Não, Feliciano, o infeliz – não resisti, desculpem-me – não é autor do projeto de decreto legislativo. Não obstante o defenda com ardor. Tanto que o recolocou em pauta há um mês, e nesta quarta, novamente e de novo e pela terceira vez, viu frustrado seu intento de sabê-lo votado.

Dois colegas pediram vistas ao projeto, o que adia a votação uma vez mais. Que ninguém se afobe. A eventual aprovação na CDHM não tem caráter terminativo. Ou seja, precisa ir a plenário para valer; antes, passa por mais duas comissões. E como tudo no Legislativo é célere…

O autor do PDL 234/2011 é o deputado João Campos (PSDB-GO). Relatado favoravelmente pelo deputado Roberto de Lucena (PV-SP), na Comissão de Seguridade Social e Família; e agora, pelo deputado Anderson Ferreira (PR-PE).

Ano passado , este blogue publicou algo a respeito – aqui.

Depois de tudo, querem fazer crer que as vítimas são eles, que o projeto foi demonizado, que não tem nada de “cura-gay”. Propõe, apenas, respeitar o direito de quem, homossexual, “queira deixar de sê-lo”. E o direito de quem, psicólogo, se disponha a “tratar” o/a gay arrependido/a, ou incomodado/a com a própria natureza, não perca o registro profissional.

Pura intolerância mal-disfarçada de democratismo. Nada mais, nada menos que um mergulho no escuro da ignorância do preconceito. E no olho dos outros, é refresco…

Resolução profissional, além disso, cabe aos profissionais da área, a menos que fira direito constitucional de outrem. E não é o caso da 01/1999, do Conselho Federal de Psicologia.

Dizem os artigos 3º – parágrafo único e 4º da norma vigente há 14 anos, e alvo da patrulha anti-gay:

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Clique para ler a íntegra da Resolução integrada ao parecer do CFP sobre o PDL 234/11.

Aqui o malfadado projeto e aqui o relatório atual, que segue a linha do primeiro.

 


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