Bolsa Família: o rabo do gato ficou de fora

por Sulamita Esteliam
Agência da Caixa na Zona Norte do Recife, no domingo 29 de maio - Estadão
Agência da Caixa na Zona Norte do Recife, no domingo 29 de maio – Clemilson Campos/JC Imagem, capturada no sítio do Estadão.
A confusão em João Pessoa/PB - Aguinaldo Mota/AE
A confusão em João Pessoa/PB – Aguinaldo Mota/AE

É no mundo real, e não no virtual, que a Polícia Federal deve procurar a autoria da onda criminosa de boatos sobre “o fim” do Bolsa Família. Aliás, a PF já descobriu que a boataria se espalhou via telemarketing. Só falta descobrir quem contratatou o serviço. É o que informa Renato Rovai em seu blogue – aqui.

O tumulto nas agências da Caixa, há pouco mais de duas semanas, mostrou o tamanho da irresponsabilidade. A confusão se verificou, sobretudo no Rio de Janeiro, mas também, no Nordeste.

A presidenta Dilma definiu os boatos como “desumanidade” e determinou à PF que encontre os culpados. Se para os do contra o programa é esmola, para quem recebe o benefício é a diferença entre a dignidade e a miséria. Pense na aflição dessas pessoas! As fotos ao lado, publicadas pelo Estadão, falam por si – mais aqui.

A notícia das pistas está na abertura da sessão A Semana, de Carta Capital com data de 05 de junho. Segundo a nota, a PF recebeu, dia 28 de maio, relatório de investigação feita pela Interagentes, empresa especializada em análise de redes sociais, e que aponta a possível origem do tumulto.

Diz a semanal: “Na quarta-feira, 15, um mensagem no Twitter postada na Paraíba dizia: “Bolsa Família começa sexta”. Partiu do mesmo estado, na manhã do sábado 18, a primeira mensagem sobre o suposto fim do programa, desta vez pelo Facebook. Mas o principal polo disseminador do boato foi o Rio de Janeiro”.

E mais: “As descobertas coincidem com uma linha de investigação seguida pela PF. As hipóteses levantadas em Brasília sobre a origem e os interesses por trás da crise podem atingir personagens de primeiro plano”.

Quer dizer, a Caixa pode até ter cometido deslize, como classifica Carta Capital, de se apropriar da confusão para explicar a liberação antecipada do pagamento do benefício. Teve que se explicar depois, e acabou fornecendo combustível às oposições, mídia incluída, para a cortina de fumaça sobre o ato de irresponsabilidade criminosa.

Suspeitas, diga-se,  que não queriam calar – e que foram verbalizadas pela ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Hoje, pelo Twitter, fico sabendo que a Interagentes trabalha em parceria com a Publischer, editora responsável pela Revista Fórum. Informa o Blog do Rovai, que dá mais detalhes sobre o relatório, e sobre as investigações da PF, em postagens, além da acima referida, dias 28 e 29 de maio – aquiaqui e aqui

Escreve Rovai (leia aspas no itálico) na postagem do dia 29:

Ao que tudo indica a articulação para a propagação para o boato pode ter sido feita pela internet, mas o boato foi difundido a partir das ruas. Os dados da Interagentes que foram publicados no post anterior não dão margem à duvida em relação a isso. A maior atividade relacionada ao termo Bolsa Família aconteceu quando já havia tumulto nas ruas. Antes disso, os números de tweets e post sobre o assunto mantinham-se dentro de um padrão que pode ser considerado normal.

Para o sociólogo Sergio Amadeu, professor da UFABC, a reação diferenciada ao caso em alguns estados e municípios mostra claramente que isso foi fruto de boato e não de erro da CEF. Em São Paulo, por exemplo, que tem muitos beneficiários do programa e acesso maior até à Internet a história não se propagou na mesma dimensão e não houve tumulto.

“Outra coisa que dá para afirmar é que também há um padrão de articulação offline. Porque se o boato também tivesse sido impulsionado pela rede sua repercussão seria mais homogênea”, afirma Amadeu.

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