por Sulamita Esteliam

Desde o início da noite acompanho pelo Twitter as manifestações que, calcula-se, levaram perto de 250 mil pessoas às ruas do Brasil neste 17 de junho. Provocadas pela violência da repressão nos protestos em São Paulo e Rio, semana passada, contra o reajuste das tarifas e por transporte público de qualidade. Começaram pacíficas, mas em algumas capitais, como Rio, Beagá, Porto Alegre e São Paulo, terminaram em confronto e violência.
Em pelo menos 11 capitais houve manifestações. A maior delas aconteceu no Rio, o protesto que começou pacífico, levou mais de 100 mil às ruas. Lamentavelmente, acabou em tumulto, quando um grupo de manifestantes se deslocou da Cinelândia para a Alerj, e tentou depredar o prédio. Houve feridos e há denúncias de que a PM usou, inclusive, armas letais, deixando dois feridos a bala de chumbo – clique para ver as fotos na Rede Brasil Atual.
Houve violência da PM também em Beagá, que encurralou os manifestantes na Pampulha, com uso do Batalhão de Choque e da Cavalaria. Duas pessoas, um jovem de 18 anos, e um mulher, caíram ou foram empurrados de um viaduto. Foram socorridos e, felizmente, não correm risco de morrer.
Em Brasília o povo subiu a rampa e ocupou as conchas e salas do Congresso. Em São Paulo, a marcha ocupou toda a área central da cidade, pacificamente, e chegou à Rede Globo e ao Palácio Bandeirantes – aí o bicho começou a pegar, e à hora desta postagem, continua pegando pra valer.
Também em Curitiba e Porto Alegre a polícia militar usou de violência. Em Salvador, Belém, Fortaleza, Maceió e Vitória, ao que me chega, tudo correu na paz. Houve protestos, também, em cidades de porte médio, como Bauru (SP), Juiz de Fora e Betim (MG).
No Recife, uma reunião no início da noite confirmou a manifestação do dia 20, prevista para ocorrer em diferentes capitais do país, e também no exterior. Mas, as notícias em tempo real pelas redes sociais, levou os estudantes para as ruas do Derby, área central convergente dos quatro cantos da cidade , ainda esta noite.
E que não contemos com a mídia de sempre para ter visão real dos fatos. O que a mídia faz é atiçar fogo nas barricadas que lhe convém, e jogar fumaça onde lhe interessa esconder.
Das redes para as ruas, os protestos não são por vinte centavos, como querem alguns. Também não é só pela má qualidade do transportes. Há um caldeirão de insatisfações legítimas, assim como há oportunismos.
Sejam estes ou aqueles motivos, a geração abúlica, que antes queria uma ideologia para viver, busca uma causa e uma voz. Melhor prestar atenção.
De qualquer forma, é um bom teste para nossa engatinhante democracia.
Quem tem medo?
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As revistas Carta Capital e Forum acompanharam passo a passo os protestos em São Paulo, Rio, Brasília, Beagá e demais cidades.
Totalmente em cima do muro hein prima. Quem diria hein??? Seu comentário foi de deixar a rede Globo com inveja… E olha que estou falando da Globo de tempos atrás.