Estudantes ocupam Câmara do Recife

por Sulamita Esteliam
A ocupação - Foto capturada no NE10
A ocupação – Foto capturada no NE10
A negociação - printado da transmissão Mídia Ninja
A negociação – printado da transmissão Mídia Ninja

Confesso que não sabia da existência do Dia do Pedestre, comemorado em 08 de agosto. Ou minha memória não se deu ao trabalho de registrar tal efeméride.  São tantos dias de ou para tanta coisa que nem a massa cinzenta dos elefantes segura a façanha de guardá-los todos.

Tal acontece com as calçadas e ruas dos nossos centros urbanos. Há muito cederam lugar ao brinquedinho preferido do animal humano, sobrepondo-se a qualquer senso de humanidade. Gente diferenciada sobre quatro rodas, via preferencial da gestão de nossas cidades. Ao pedestre resta o se virar… cada um trata de si – aqui

No Recife, um grupo de manifestantes escolheu o dia para protestar nas ruas e ocupar a Câmara de Vereadores, após audiência pública sobre transporte coletivo e mobilidade urbana. Enquanto isso, do lado de fora da Câmara, outro grupo de estudantes, manteve interditada a Rua Princesa Isabel. Todos sob a mira do Batalhão de Choque, ainda à hora em que escrevo.

A ação, claro, repercutiu no trânsito na área central. No meio da tarde, filas e filas de ônibus se formavam ao longo de um dos sentidos da Avenida Conde da Boa Vista, um dos principais corredores de coletivos do Recife. No sentido cidade-Agamenon Magalhães, o deserto, já que poucas linhas não precisam passar pelo local onde se encontra o bloqueio.

Revindicam a instalação de uma CPI para investigar a máfia do transportes públicos, o passe livre para estudante e a libertação dos estudantes presos durante a manifestação.

Os jovens – estudantes, sindicatos e integrantes do movimento em favor do passe livre – ficaram ilhados no auditório da “casa do povo”, sem acesso a banheiros, sem água e comida. Tipo, ninguém entra, ninguém sai, até a meia noite.

A Mídia Ninja – coletivo de jornalismo independente que tem coberto todas as manifestações – está lá, acompanhando e transmitindo tudo, ao vivo na medida do possível, devido às limitações do sinal de internet. Há pouco informaram que a direção da Câmara já teria obtido o mandato de reintegração de posse, o que significa permissão para a polícia agir.

Os jornais locais também noticiam a movimentação – aqui, embora só à meia noite tenha sido liberada a entrada da imprensa “manipulada”, nas palavras do “repórter” Mídia Ninja

Noite avançada, decidiram formar uma comissão para negociar com os vereadores as condições de desocupação do prédio. Raul Jugman subiu ao auditório e informou que não seria possível conseguir, “agora à noite”, as três assinaturas que faltam para o requerimento da CPI do Transporte Público; há 10 garantidas.

O presidente da Câmara Municipal, Vicente André Gomes (PSB), primeiro, se comprometeu a negociar com os vereadores a instalação da CPI,”mesmo sem o número regimental de assinaturas”. O projeto de lei do passe livre será apresentado pelos vereadores Jugman e Oscar, para agilizar, e poderia ser votado em 60 dias.

Argumentou com “as limitações dos trãmites legislativos e legais”. Lembrou o destino da Lei do passe livre para pessoas com 60 anos, que carece de regulamentação municipal, segundo o Estatuto do Idoso (o Estatuto o garante a partir dos 65 anos): de autoria do então vereador Múcio Magalhães (PT), aprovada pela casa e sancionada pelo então prefeito João da Costa, caiu na Justiça sob a justificativa de que “a Câmara não pode legislar sobre matéria econômica”.

Insistiu que era homem de boa vontade. Afinal, estava ali desde as 14:30… Depois, ante as objeções dos estudantes em considerarem sua palavra, apenas, como garantia, quase perde as estribeiras. Salvou-lhe a expertise do vereador Jugman, que lhe cochichou algo ao pé do ouvido – e que antes sugerira a presença da mídia convencional até então mantida do lado de fora.

Então, os estudantes exigiram a presença do prefeito ou de um representante da prefeitura para negociar a remessa de uma proposta de passe livre pelo Executivo, como uma das condições para desocupar a casa. Exigiram, também, que se autorizasse dar o de beber para “a galera da resistência”, sem água desde as duas e meia da tarde, que aguardava o resultado da negociação no auditório.

Neste ponto, a transmissão da Mídia Ninja voltou a cair. Vou para o berço aguardar o dia para conhecer o resultado do intercurso dos “homens do povo” com o povo duro de roer…

Buenas.


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