Sábado é dia de protesto cultural: #ocuparque

Teatro do Parque

por Sulamita Esteliam

O Teatro do Parque está fechado para reformas desde 2010. Uma daquelas reformas que nunca terminam, porque nunca são iniciadas de fato. Há outros casos no Recife. A diferença é que a população, orfã do espaço cultural mais central da cidade que respira cultura, decidiu mobilizar-se. Neste sábado 24, aniversário de 98 anos da casa, via redes sociais, promove o #OcuParque.

Em tempos de protestos “contra-tudo-que-está-aí”, eis que temos um objetivamente focado. Esqueçam o quebra-quebra, o queima-queima e os cassetetes operantes. Em mobilização cultural, com cultura se protesta.

Batuque e exposições, desde a concentração no Parque 13 de Maio, às 10:00 horas. Caminhada pela Rua do Hospício até o Teatro do Parque, a partir do meio dia – com palhaços, maracatus e outros batuques, teatro de rua, bandas e orquestras. Lá chegando, arma-se o picnic, e tome arte de toda sorte, até a criança da noite se apresentar – aqui a programação completa.

O Parque é um das joias raras do Recife. O casarão art-noveau meio que se perde em meio à parafernália do comércio popular da Rua do Hospício, na Boa Vista. A despeito da sua fachada colorida, passa despercebido pelo trauseunte que desconhece que ali está um espaço vital à vida cultural da cidade.

Foi inaugurado em 24 de agosto de 1915. Mandado construir pelo português Bento de Aguiar, que investiu na obra 200 contos de réis, contratando para a decoração da casa os pintores Henrique Elliot e Mário Nunes. Todo o prédio foi projetado para oferecer mais conforto numa cidade tropical, conta a página da Fundação Cultural do Recife, no sítio da prefeitura.

A Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas se apresentou na inauguração. Grandes companhias brasileiras passaram pelo palco do teatro: Vicente Celestino e Alda Garrido, e as primeiras peças da parceria Samuel Campelo/Valdemar de Oliveira. Nomes de peso na cena musical pernambucana, como o maestro e compositor Nelson Ferreira, tocavam ao vivo para acompanhar os filmes da época do cinema mudo. Pode imaginar?

Patrimônio histórico, na década de 60, foi importante centro de discussões políticas, tradição retomada nos primeiros anos deste século. Nos 2000, antes do fechamento, proporcionava acesso à cultura a preços populares. Por exemplo, pagava-se R$ 1 real para assistir a filmes interessantes, não exibidos no circuito comercial.

Na rede, um abaixo-assinado pede a retomada das obras do Teatro do Parque à população do Recife – clique para assinar.


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