Doutoras e doutores de Cuba, perdoem-nos!

por Sulamita Esteliam
A FSP de terça estampou na capa a fotos da recepção hostil aos cubanos do programa Mais Médicos que desembarcaram em Fortaleza na segunda-feira. A mesma foto, de Jarbas Oliveira,  comprada e postada por Carta Capital em sua página do FB foi vista por cerca de 1,5 milhão de pessoas até  as 13 horas do dia, segundo a revista. pense no tamanho do anti-marketing para a imagem dos médicos brasileiros...
A FSP de terça estampou na capa a fotos da recepção hostil aos cubanos do programa Mais Médicos que desembarcaram em Fortaleza na segunda-feira. A mesma foto, de Jarbas Oliveira, comprada e postada por Carta Capital em sua página do FB foi vista por cerca de 1,5 milhão de pessoas até as 13 horas do dia, segundo a revista. Pense no tamanho do anti-marketing para a imagem dos médicos brasileiros…

Que tristeza a demonstração insana de falta de civilidade a que foram submetidos os médicos e médicas de Cuba em Fortaleza. A hospitalidade da Terra do Sol jaz no leito da xenofobia, do preconceito e da intolerância sem limites de uma classe profissional.

Felizmente, não representa o povo cearense, muito menos os brasileiros. A despeito disso, envergonham todo o país.

Senhoras e senhores médicas/os de Cuba, perdõem-nos, se puderem. Eles não nos representam, mas bem sabem o que fazem. E obrigada por, mais uma vez, se disporem a nos ajudar, apesar de.

Temos mais é que agradecer a colaboração dos 400 médicos cubanos que aqui aportam, a convite do programa Mais Médicos do governo federal. Estão aqui há quatro dias, apenas, em solidariedade à nossa carência crônica, desatendida, aliás, por uma casta elitista e que, agora, mostra que não se dá ao respeito.

A propósito de consciência e missão, generosidade e delicadezas afins, vale muito à pensa ler o que escreve Walter Maierovitch em Carta Capital e também Saul Leblon em Carta Maior.

Não obstante, é desolador que a aberração protagonizada por esses médicos cearenses tenha sido liderada por José Maria Pontes, que preside o Sindicato dos Médicos, ex-vereador e ex-PT. Ele não tem a seu favor a juventude nem a desculpa da alienação das gerações pós-64 – exceções à parte.

A impressão é de que o tempo, os dissabores – ou seria a campanha de hostilidade promovida pelas entidades da classe médica e pela cantilena midiática de sempre? – afetou o juízo do doutor. Ele que conheci profissional honrado e comprometido com a missão de salvar a vida das pessoas – até onde pude acompanhar, pelo menos.

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, entrevistou José Maria Pontes, por telefone, diretamente de São Paulo. Ao que parece, pirou de vez o Zé. Seus argumentos estão mais para samba do crioulo doido, uma profusão de asneirices que beiram a confusão mental, para usar linguagem afeita à corporação em foco .

Clique para ler, e envergonhe-se. Depois, compare com o vídeo abaixo, envergonhe-se mais uma vez:

Não muito diferente é a estupidez explícita da jornalista Micheline sei lá o quê, de Natal/RN. A coleguinha, que felizmente desconheço, teve a coragem de tornar-se porta-voz da ignorância, do preconceito social e racismo à brasileira.

Poupo-me e a vocês de reproduzir as palavras, mas aqui tem uma pequena amostra. Fato é que a moça levou o que era dela e depois se disse arrependida, e “inteligente” por “mudar de opinião” – a ponto de retirar-se das redes sociais.

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PS: Ontem à noite não consegui chegar ao computador para atualizar o blogue. Baixou cansaço tamanho, que fui tirar um cochilo antes de encarar o terceiro turno do dia; só acordei na manhã de hoje. Creio que tenho um antídoto a má notícias plugado nas antenas, e ele me dá sono…

Boa-noite/Bom-dia!

 


3 comentários sobre “Doutoras e doutores de Cuba, perdoem-nos!

  1. Sr. José Maria Pontes, como profissional de saúde que sou, estou profundamente envergonhado. Pessoas como o sr. e seus pupilos, envergonham a classe. Gostaria de saber, o sr. conhece o Norte do Brasil?
    Já esteve nos confins de um seringal? Olhou nos olhos de uma criança acometida por malária? Olhou nos olhos de um idoso que vive no meio da mata? Já viu uma parturiente dentro de uma pequena canoa, viajando 12 horas, para dar a luz? Acredito que não. Nem o sr. e tampouco os demais “doutores”, sem doutorado; que se pavoneiam de branco. Medicina é sacerdócio, amor, respeito, alegria, frustração, abnegação, desprendimento. Trabalhei com muitos profissionais estrangeiros no Brasil e Europa, pessoas comuns, com seus anseios e aspirações, profissionais dedicados e dignos. A arma do tolo, do incompetente e do nécio…é o preconceito. Minhas profundas desculpas a todos os que estão chegando, o brasileiro não é assim,(preconceituoso, desumano, nécio). Aportem dedicação e amor. Ensinar e aprender, faz parte da vida.
    A todos aqueles que vem aportar o seu grão de areia, meu carinho e meu respeito.

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