por Sulamita Esteliam
Recife e Olinda se revezam na arte do encantamento, cultura resvalando pelos poros abertos nos quatro cantos das cidades irmãs. Hoje, a identidade brasileira está em evidência na abertura da V Edição do Filosofia Poesia e Vinho, com as Querelas do Brasil. A partir das 16 horas, no terraço do Ateliê da Barbearia, no Carmo.
Música, teatro, dança e poesia referenciadas na composição de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, de mesmo nome. E claro, circulação de ideias através do bom debate. Agradeço o convite do amigo poeta Everson Daniel, que certamente estará presente. A entrada é franca.

Ontem encerrou-se a Mostra Ascenso, Minha Língua, que durante quatro dias revisitou a obra do poeta – do Cais de Santa Rita ao Recife Antigo. É uma produção do Laboratório Ascenso Ferreira, do Sesc Santa Rita.
A programação incluiu poetas desembestados pelas ruas e becos do Recife Velho, em busca de Ascenso. A amiga poeta, atriz e declamadora, Márcia Maracajá postou no Facebook um vídeo de sua performance na noite da quinta-feira. Compartilho o link, pois não consegui incorporá-lo, e o texto – abaixo:
MISTICISMO
Na paisagem da rua calma,
tu vinhas vindo… vinhas vindo…,
e teu vestido era tão lindo
que parecia que tu vinhas envolvida na tu’alma…
Alma encantada;
ama lavada
e como que posta ao sol para corar…
E que mãos misteriosas terão feito o teu vestido,
que até parece o de Maria Borralheira,
quando foi se casas…!
─ Certamente foi tecido
pelas mãos de uma estrela fiandeira,
com fios de luz, no tear do luar…
no tear do luar…
O teu vestido era tão que parece o de Maria Borralheira
quando foi se casar…
─ “Cor do mar com todos os peixinhos…!
─ Cor do céu com todas as estrelas…!
E vinhas vindo… vinhas vindo…
na paisagem da rua calma,
e o teu vestido era tão lindo
que parece que tu vinhas envolvida na tu’alma…
Catimbó, em POEMAS, org. de Souza Barros, Edição e Impressão de I. Nery da Fonseca & Cia. Ltda. 1931, Recife
O amor por Ascenso, poeta de Palmares, na Mata Sul pernambucana, todavia, independe de eventos oficiais. Na Biblioteca Popular do Coque, que integra a Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, por exemplo, ele é objeto permanente de estudo e diversão. Na mesma quinta, no encerramento do Mês da Criança, foi o escolhido para as reinações poéticas, comandadas pela mediadora de leitura, contadora de histórias, escritora, jornalista e atriz, Fabiana Coelho.
No vídeo abaixo, a menina Talita Silva, de apenas 11 anos, declama Oropa, França e Bahia, poema de 19 estrofes e 105 versos, um “romance”, dedicado aos três Manueis pernambucanos: Bandeira, de Souza Barros e Gomes Maranhão – aqui. Sem ensaio, mas com direito a fundo musical, tocado em flauta pela menina Vitória, que junto com Talita estuda música na Orquestra dos Meninos do Coque.
Talita vai longe!!! Quero conhecer a Biblioteca Popular do Coque e a Fabiana, quando for por aí descansada.
Esses dias foram intensos em Recife e tive a oportunidade de passar por muitos lugares de uma só vez, então, tô cheia de imagens, sensações e sentimentos agindo dentro de mim…
Imagino seu estado d’alma depois de tão rica experiência. Usufrua. E qdo retornar por aqui, combinamos uma ida à BP Coque e um encontro com Fabi. Xêro.