Negro é discriminado no trabalho, confirma pesquisa

por Sulamita Esteliam

PED 2013O mito da democracia racial brasileira leva mais uma chacoalhada com a divulgação de pesquisa do Dieese, prevista para esta terça, que escancara a discriminação contra negros no mercado de trabalho. Constata que, independentemente do nível de escolaridade, o negro – pardos incluídos na classificação, independentemente de autodeclaração – recebe menos do que o branco. A relação é de 63,8% menos por hora trabalhada.

O estudo conclui que o crescimento da formação de nível superior entre os negros/pardos aumenta, sim, a renda, mas não diminui a distância da desigualdade com os brancos. Isso porque o negro continua ocupando, majoritariamente, postos de trabalho na base da estrutura produtiva.

Mas não só: também porque a maioria dos empregadores continua sendo de brancos e, esta, mantém a visão “naturalmente” preconceituosa de que “o trabalho do negro é inferior”, independentemente do nível de escolaridade.

É a avaliação que faz a pesquisadora Lúcia Garcia, ouvida por Luiz Carlos Azenha, do blogue Vi o Mundo – e também da Record. Ela está na PED/Dieese desde 1994 e, com base na experiência acumulada, toca o centro nevrálgico do preconceito: a educação dos brasileiros, desde a base, não trabalha suficientemente a contribuição, efetiva e fundamental, do negro para a construção do Brasil, na contramão dos estrangeiros brancos.

Quer dizer: para além das políticas afirmativas – de cotas, por exemplo -, afirma a pesquisadora, é preciso políticas de valorização do trabalho do negro. A exemplo do que se faz para superar a discriminação e o preconceito contra mulheres e homoafetivos  – Clique para ler a matéria completa e ouvir íntegra da entrevista.

A pesquisa ouviu cerca de 600 mil trabalhadores nas regiões metropolitanas de sete capitais brasileiras: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal ao longo de de 2013.  Envolveu 500 pesquisadores em todo o país.

É curioso observar que, se em Belo Horizonte e no Recife, por exemplo, a presença de negros em postos de direção é perto da metade na comparação com brancos – 11,3%/23,2%  e 8,3%/18,6%, respectivamente – em Salvador,  a proporção desce a quase um quarto – 6,9%/21,3% -, e em São Paulo a um terço: 5,7%/18,1%.  Veja o quadro:

trabalho negro_PED 2013

Não por acaso, são estados de forte base escravista. A herança cultural da casa-grande continua a se impor sobre a senzala.


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