Interconexão poética

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada na rede
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Encontro em minha caixa de correio um poema de Jomar de Britto, inaugurando o novo ano. Curioso é que a temática se conecta com as primeiras postagens do ano no blogue, em particular aqui. Mentes interagindo, antenas plugadas e interconectadas. Viva!

Bom poder começar o ano, e a semana de trabalho, com poesia.

 
ORAÇÃO de JANEIRO ao ANO INTEIRO
Jomard Muniz de Britto, jmb
Ó poetas sempre desejantes: rezem
pelas meninas e meninos das ruas, morros
e alagados, porque eles não podem ser
mangue boys nem tatuados no coração.
Nem sabem se a bolsa-escola-família é
promessa  ou pesadelo de outro sonho
de verão, experiência sem experimentação.
Ó poetas panorâmicos do azul-vertigem
neon-barroco-melancólico-brasilírico:
o que é sublime reinvenção das filhas de Lilith?
Errantes navegantes do VIVENCIAL.
Como interpretar e interpenetrar o silêncio
das epifanias e os segredos da práxis
nas mutações da libido cenográfica?
Dancem uma polka em louvor das culturas
ANALíticas em folia pelos aterros doloridos.
Tudo ainda pode recomeçar no MAR?
Entrelugar de paixões e mitologias.
Ó poetas anônimos, intrusos, famigerados,
extemporâneos e pervertidos pelo NADA
e que um dia se chamaram e clamaram por
Gregório, Castro Alves, Carlos Pena Filho
de Vinícius, Cabral, Barbosa, Glauberes.
E muito mais experimentadores sem medo
dos abissais drummundanos reciferidos.
Como revisitar a dialética sem síntese
da solidão sem Y nem D da INTERPOÉTICA?
Labirintos da solidariedade entre pontes
safenas do Capibaribe e ladeiras valencianas
de Olinda ao Rio de Janeiro.
Configurações do APOCALIPSE NOW com
A CHINESA dentro de A IDADE DA TERRA.
Se os BRUTOS, além de amar, ainda
clamam, MARTE talvez vencerá os desafios
da ignorância Kapital desenvolvimentista.
Ó poetas excluídos: não rezem, mas
implorem invocando a musicalidade PSI
de Numa Ciro na Universidade das Quebradas.
Gozem pelas infâmias.
Não digam amém.
Esqueçam santos, demônios, orixás e as
charadas da máquina do mundo em transe.
Encarem e desmascarem
a finitude do verbo orar.
Recife, janeiro de 2014

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