Combate à violência doméstica começa em casa e na escola

por Sulamita Esteliam

capa violência domésticaA capa do Diário de Pernambuco de hoje me fez comprar o jornal. Lista o nome de 19 mulheres assassinadas no estado este ano, todas vítimas da violência doméstica. A última delas, a professora Sandra, em Olinda, no domingo 16, levou consigo o filho Icauã, de 10 anos. O menino tentou defender a mãe da fúria do padastro. Ambos foram esfaqueados.

“Fiz por ciúme”, resumiu o algoz, Marcos, à polícia. Matou, e foi dormir em casa dos pais, na vizinha Paulista, onde foi preso horas depois. Simples assim.

Ciúmes ou sentimento de posse são usados como desculpas para as agressões domésticas, muitas das quais acabam em morte. Ano passado, 231 mulheres foram assassinadas, dentro desse espectro, no Brasil. Os crimes de homofobia ceifaram a vida de 312 gays – clique para saber mais no portal da campanha Compromisso e Atitude.

O diário pernambucano acertou a manchete: “Essa lista precisa de um ponto final”.

Está claro que não basta o rigor da Lei Maria da Penha, uma das mais avançadas do mundo no combate à violência contra a mulher. Também não é suficiente a denúncia, e é salutar que as mulheres não se calem, como têm crescido as denúncias. Nem mesmo os mecanismos e estruturas de sustentação, ainda frágeis, mas em evolução, para amparar, proteger e permitir que as vítimas sigam suas vidas.

Tudo isso é importante seja para prevenir, seja para acabar com a impunidade.

Entretanto, nada disso é ou será suficiente, porque o buraco é mais embaixo: a questão é cultural. Quem ama, educa e grita.

Volta e meia escrevo a respeito neste blogue – aquiaqui, aqui e aqui, as mais recentes.

É preciso educar, em casa e na escola, meninas e meninos, para que não se reproduza e se perpetue o sentimento de propriedade em relação às pessoas, de qualquer sexo. Des-semear a cultura estúpida da desigualdade, cortar os grilhões do machismo e do ódio que alimenta o sadismo, a misoginia, a homo e a lesbofobia, quebrar o ciclo da violência que nos envergonha.

Atitude nesse sentido vem da CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência Contra a Mulher no Congresso Nacional,via Projeto de Lei 6010/13: incluir no currículo básico escolar, a ênfase à igualdade de gênero e às minorias e a prevenção à violência doméstica.

A propósito, dia desses, o colega Leonardo Sakamoto escreveu em seu blogue 10 passos para combater “nosso machismo ridículo”. É um excelente começo. Clique pra ler na Agência Patrícia Galvão.


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