Poema de mulher, ‘sem regras e sem métrica’

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada na rede
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Não há tempo para poesia. A sensibilidade cabe em qualquer hora e lugar. E como março é mês da poesia, e também oportunidade de se celebrar a mulher, e suas lutas, aí vai mais um poema de lavra feminina.

Desta vez, de uma educadorae contadora de histórias de Olinda, Pernambuco, Ana Elizabete Barbosa, que o publicou no Facebook, dia 14, Dia Mundial de Poesia.

Veio sem título, mas com autorização da autora. Apreciem sem moderação:

O meu pouco português,
sem regras, sem métrica, sem fundo,
sem estética
rima sina com o mundo,
inventa palavras para compor em versos
não se incomoda se o parnasiano é inverso.

Essa brincadeira, palavras de emergência,
não pede contexto, nem tampouco coerência,
afinal se poeta fosse coerente,
o que seria da insanidade da gente,

Quem descreveria como é bela
a pedra que no caminhotinha,
como é bela a pedratinha,
quem conversaria com resposta inventada,
com a fria lua hora meio desorientada,

Que poeta seria eu que veria tudo azul
quem diria perdoe me, amo eu e amo tu,

Do pouco português que declaro eu saber,
vírgulas, etc, exclamação ou verbo ter,
ser, haver, amar, correr, sonhar, vibrar,
em um infinito infinitivo,
que conjugo eu no imperativo que faço, que digo,
a essa altura subjulgo a gramática,

Essa ortografia quebra romance é ridículo,
quer impor regra a qualquer que faça,
limitar meus passos rumo ao que não digo,

Por tudo isso, não me turbo,
que se dane a nossa língua,
eu falo é brasieleiro, com erros semicientes,
desabusado, guarinizado, que o povo assiste

Agora pois, que importa se ponho artigo, verbo antigo,
pronome ou adjetivo
Se rimo paixão com desventura,
vida com amargura,
dor com doçura,
ou ritmo com aventura

Quem se dá o direito de criticar a minha loucura,
Por achar que de pouco português que entendo,
Não entendo eu de literatura,

Com licença menino escrevo agora no branco outro verso,
Não entenda tu pois o reverso,
Pois a ele dou muito apreço,

Poetas não tem coerência,
porque incorente é o amor,
Não obedece regra alguma que a vírgula vier impor,

Poeta rima com rima o que lhe der na telha,
Com redundância de Drummond,
Com a alegria de Miró,
No caminhotinha uma pedra,
Onde Estará Norma para achar,
Essa regra que nome não dou,
Quando acendo a centelha da palavra
Da palavra amor,

Pois é luz, é sonho, é esperança,
Ser poeta é ser adulto é ser criança,
É entender com loucura o eu e o você,`
É pedir licença a ortográfia,
Pra mudar a língua pela geográfia,
Bagunçar o português e toda regra que nele havia.

Ana Elizabete Barbosa- 2013-
Para alguém que lhe cobrou regras nos textos que escrevia.

 


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