A volta dos que não foram…

A presidenta Dilma e os jornalistas que cobrem o Planalto - Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13/Fotos Públicas
A presidenta Dilma e os jornalistas que cobrem o Planalto – Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

Claro que o assunto do dia é a Petrobras, e o vazamento do suposto conteúdo da fala do delator. E a presidenta Dilma Roussef, hoje, em coletiva no Planalto, e em entrevista ao Estadão, tocou, direta ou indiretamente, em três pontos que estavam a cutucar minhas antenas – e não só as minhas, como podem ver nos acessos marcados ao longo do texto.

1) Como assim, uma delação premiada, de um processo em segredo de Justiça, vaza para a mídia venal, no caso a Oia, e o governo não é avisado do malfeito em seu quintal? Não para barrar a investigação, mas como disse a presidenta, para tomar providências”.

Dilma chamou o seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso à responsabilidade. Determinou que cobre da Polícia Federal, do Ministério Público, e se for preciso, recorra ao Supremo, para obter a informação oficial e as provas.

2) Como a palavra de um sujeito que foi pego com a boca na botija, e é dedo duro, publicada por uma anti-revista, que lidera o PIG – Partido da Imprensa Golpista, sem nenhum documento, em ação desde 2006, é tida como a verdade absoluta e cristalina?

Paulo Roberto Costa, que é funcionário de carreira da Petrobras (desde 1978), e foi diretor da Gaspetro, empresa subsidiária, de 1997 a 2000, portanto na gestão FHC. Há quem creia em coincidências…

Então, esse senhor, que já depôs na CPI e garantiu que não havia tramoia alguma, agora diz que há um esquema de pagamento de propina a fornecedores e os nomeia. Tudo que ele fala para salvar a própria pele, é “verdade”, mesmo, criptografada e trancada num cofre da PF? E ainda assim vaza, para mesma Oia de sempre!

“A revista acusa mas não diz quem foi. Não vou atribuir à imprensa um caráter que não é dela. Quero a informação oficial, no caso da Polícia Federal e do Ministério Público”.

Esse filme é velho, e o título poderia ser: “A volta dos que não foram… e nem serão”.

Tem razão a presidenta: acusação da imprensa, que se comporta como partido, não é atestado de veracidade. Se é que algum dia foi. Nossa história recente está aí para não nos deixar ilusões: suicídio de Getúlio Vargas, deposição de Jango, eleição de Jânio, de Collor…

3) Como uma empresa que é símbolo do país passa a ser alvo de uma campanha de quebra de imagem? Pasadena, CPI e agora isso. Tudo amplificado, e distorcido. Não é pela lisura, porque quem acusa tem telhado de vidro. Em que isso beneficia o país?

“É preciso ter cuidado com a Petrobrás, que é uma empresa séria, onde trabalham funcionários e trabalhadores extremamente qualificado se que orgulham o Brasil. Não é a empresa, não é a gestão. Quem tenta desqualificar a Petrobras está no caminho indevido.”

Dilma lembra que “a Petrobras já investigou”,  a Polícia Federal também. E se há mais alguém do Executivo envolvido, que se investigue “doa a quem doer”, como tem sido em seu governo, e o foi no governo Lula.

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Cais interno do Complexo Portuário de Suape – Foto capturada na rede

Aliás, desde o início de junho, três meses, portanto, está sobre o crivo da CGU – Controladoria Geral da União a antecipação de recursos feita pela Petrobras ao governo de Pernambuco, em 2008. Quem assinou: Paulo Roberto Costa.

O dinheiro seria usado na modernização do Porto de Suape e do entorno da Refinaria Abreu e Lima, parte do complexo. O controle de licitações e pagamentos passaria ao governo do estado. A Petrobras seria apenas a adutora.

Mas, no meio do caminho, as contas não fecharam e a SEP – Secretaria de Portos da Presidência brecou o duto. Dudu pressionou, mas Dilma fez jogo duro e passou a bola para a CGU, que seguiu com o inquérito.

Esse processo teria acelerado o rompimento de Eduardo com Dilma. Quem dá a dica é Fernando Brito, no Tijolaço, reproduzida pelo Conversa Afiada,

Brito lembra que tudo isso é público, basta juntar os fatos. Todavia, “como a imprensa brasileira faz política eleitoral e não jornalismo, ainda está avaliando se “deixa” que este quebra-cabeças seja montado aos olhos de seus leitores, aguardando para ver se “interessa” ou não aos seus planos políticos”.

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PS: Estou em viagem de trabalho. Fico em Aracaju/SE, até o próximo domingo, e pode ser que não encontre tempo, nem disposição, para atualizar o blogue com regularidade. Conto, desde já, com a compreensão de vocês.

 


2 comentários sobre “A volta dos que não foram…

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