Violência sexista: o círculo vicioso da intimidação e do medo

Sulamita Esteliam

16 dias de ativismoUma em cada três mulheres no mundo é vítima de violência conjugal. Tão grave quanto a violência doméstica, como a conhecemos, é a mutilação genital, que atinge de 100 a 140 milhões de mulheres, na estimativa da OMS – Organização Mundial de Saúde.

Não é menos degradante imaginar que meninas e moças de tenra idade sejam obrigadas a se casar. Chegam à casa dos 70 milhões aquelas que contraem matrimônio antes dos 18 anos, sem direito à escolha, diz a OMS. É o estupro patrocinado.

Já o estupro, digamos, do acaso, socialmente condenado, pode atingir 7% das mulheres em algum momento de suas vidas. E muitas vezes é parte do cotidiano da violência doméstica.

O estudo divulgado dia 21, a propósito deste 25 de novembro, marca o Dia Mundial pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Assinala, também, o primeiro dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

A Campanha vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No meio do caminho tem o 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Os dados da OMS escancaram a gravidade de um problema que diz respeito a cada um de nós, mulheres e homens, de todas as idade. A sociedade em sua essência precisa refletir sobre seus hábitos, costumes, cultura.

Governos em todos os níveis, e o Estado em todas as suas instâncias precisam levar em conta o imperativo de viabilizar as políticas públicas. No caso do Brasil, para fazer valer as leis. A Maria da Penha é completa, mas seu rigor se perde na infraestrutura, na sustentação prática, que ainda é precária – para além do preconceito arraigado; os agentes públicos também são humanos.

A chamada violência de gênero põe em risco mulheres de diferentes realidades, países, idades, condições sócioculturais e econômicas. “É um desafio permanente”, alertam especialistas entrevistados pela Agência Patrícia Galvão para trazer luzes ao que, muitas vezes e ainda hoje, fica na penumbra “dos lares”.

Ligue180E a invisibilidade é um dos fatores que contribuem para que a violência sexista se perpetue. Única brasileira a participar da série de estudos da OMS, a médica e professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, Ana Flávia D’Oliveira, aponta:

“Apesar de frequentes, poucos casos de violência sexual chegam a público porque as vítimas podem ter vergonha, podem ser ameaçadas se denunciarem, podem ser culpabilizadas pela própria vitimização (como no caso de serem acusadas por determinados comportamentos, como beber ou usar determinadas roupas). A falta de reconhecimento do problema, canais acolhedores para denúncia e responsabilização do agressor aumentam a invisibilidade”, exemplifica.

A gente não pode se calar. As mulheres não podem se calar. Os homens não podem se calar. Ninguém pode se calar. O silêncio é cúmplice – da violência e da impunidade, que alimenta o círculo vicioso da intimidação e do medo.


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