Por ora, é soluço. Antes que a vaca tussa, mobilização neles!

por Sulamita Esteliam
As centrais sindicais botam o bloco nas ruas antes do Carnaval - Foto: Roberto Parizotti/CUT
As centrais sindicais botam o bloco nas ruas antes do Carnaval – Foto: Roberto Parizotti/CUT

Está aberta a temporada de mobilizações em defesa de direitos, também no plano federal. E isso é bom. Nenhum governo se sustenta sem contrapeso. Por enquanto é soluço, mas antes que a vaca tussa, é hora de cobrar a fatura.

O efeito das artimanhas da dobradinha Joaquim Levy-Nelson Barbosa na área econômica do governo tende a se agravar. O ministro da Fazenda pode ser a alma e é quem mostra a cara, mas a cozinha está no Planejamento. Naturalmente, que a presidenta tem que estar de acordo.

Ou isso, ou o motor da comunicação do segundo governo Dilma se mantém em pane, ou a tática política do Planalto passa por caminhos insondáveis…

Assim, a promessa de ajuste fiscal “sem pacote de maldades” é uma falácia, a contrariar a promessa do discurso de posse da presidenta Dilma Roussef: “Nenhum passo atrás, nenhum direito a menos”.

Como se fosse possível fazer omelete sem quebrar ovos.

Ocorre que, como sinalizou as Medidas Provisórias 664 e 665, anunciadas no apagar das luzes de 2014, a conta do omelete é cobrada dos de sempre: os habitantes da metade de baixo da pirâmide social. Para variar.

A lembrar que foi essa “massa ignara” que garantiu a reeleição da presidenta; suada, mas honrosa e honrada (e vale o plural).

Só que campanha é uma coisa, governo é outra. Há que conciliar interesses contrários e necessidades, mas há que estabelecer prioridades. E dialogar, e dar transparência às ações.

O cozido desandou.

As centrais sindicais entenderam os sinais de fumaça escapados da cozinha. Em rara unanimidade, estão se pintando para a guerra. A conferir no que dá.

Definiram um calendário de mobilizações em defesa do emprego e direitos: dias 28 de janeiro e 26 de fevereiro – sintomaticamente, nas semanas pré e pós-carnaval.

Antes de botar o bloco na rua, porém, um ensaio para retomada do diálogo: na segunda, 19, dirigentes das centrais se encontram com os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rosseto e do Trabalho e Emprego, Miguel Dias.

A revogação das MPs que mexem com os benefícios previdenciários – seguro-desemprego, auxílio-doença, pensão por morte, abono e seguro-defeso (auxílio-inatividade para pescadores artesanais na entressafra) é só o estopim.

Têm o aval da análise do Dieese. Para o departamento que assessora os sindicatos, o pretexto de coibir desvios e fraudes não justifica o prejuízo das medidas para os trabalhadores, sobretudo da base da pirâmide.

Isso num país onde a rotatividade de mão de obra é estimulada pela própria legislação trabalhista, desde antanho. O FGTS está aí para não deixar patrão nenhum mentir.

Outro fato é que o Brasil, até hoje, não é signatário da Convenção 158 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, que veda a demissão imotivada.

Mas há outros: a demissão em massa pelas montadoras do ABC paulista, logo no começo do ano. A lembrar que setor se locupletou com as desonerações fiscais do governo passado, por exemplo. Há que exigir contrapartidas, e a manutenção de postos de trabalho é essencial.

A propósito, o ministro da Fazenda – que ao que parece assumiu o papel de aconselhador geral da nação – bem que poderia se concentrar na estrutura tributária e de gasto do Brasil, que privilegia o patrimônio e o rentismo em detrimento do salário.

Por que não um imposto sobre grandes fortunas?

Por que não uma brecada nas taxas de juros, que sangram o bolso dos brasileiros, mas principalmente as contas do país, via juros da dívida pública?

Por que não a cobrança proporcional do imposto de renda, taxando mais as rendas mais altas?

Por que não o combate sem trégua à sonegação fiscal, que  ultrapassa 12% do PIB (cerca de R$ 500 bilhões só em 2014), corrói a arrecadação e aumenta a injustiça tributária?

Fato é que, mesmo nos 12 anos de governo popular, para o topo da pirâmide sobrou pouco ou nada em matéria de gravame. A não ser que se considere extorsão o estabelecimento tardio da isonomia de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras domésticos.

Apesar disso, situa-se nas elites o setor da população que quer ver Dilma e o PT fritos e torrados, como os espetinhos de beira de rua aqui do Nordeste. E a presidenta que me perdoe, mas não pode olvidar que ganhou a eleição, e com quem.

Clique para ler a Nota Unificada das Centrais em Defesa dos Direitos e do Emprego.

 

 

 

 

 

 


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