Sob fogo cruzado, PT e governo celebram duplo aniversário

por Sulamita Esteliam

???????????????????O PT escolheu Belo Horizonte, minha Macondo de origem, para celebrar 35 anos de existência e 13 anos de governo popular no Brasil. Uma sexta-feira planejada com a devida antecedência, e que vai reunir a presidenta Dilma, o ex-presidente Lula, o governador anfitrião, Fernando Pimentel, o presidente Ruy Falcão e outras estrelas do partido, além de convidados até do exterior.

Um partido e uma sequência de governos que têm muitos pontos críticos, sim, não há como negá-los. Mas, recuso-me ao baixo-astral. É inegável também que, como poucos em nossa República tupiniquim, há muito a comemorar.

Inclusive e particularmente, a mudança de cara de um país-continente. Em especial no que toca à redução das desigualdades sociais; a franquia de acesso a direitos essenciais como educação, saúde, cultura, desenvolvimento humano; o salto de soberania – e também no que toca ao combate à corrupção.

Entretanto, o esforço de desmonte de imagem se mantém.  Com a luxuosa contribuição de instituições que deveriam ser republicanas no cumprimento do seu fazer cotidiano.

Por exemplo: muito ciosos de seus deveres, a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro trataram, nesta sexta, de antecipar o presente de aniversário do PT. Vazar, seletivamente, um nova safra de depoimentos frutos de delação premiada no caso Petrobras. Desta vez, de um certo Barusco, mais um diretor corrupto e ladrão confesso da empresa-símbolo do país. Ventilador na farofa, altamente turbinado pela mídia venal.

Há 69 citados na dedoduragem incentivada nessa etapa do processo; batizada com o sugestivo nome de My Way (Minha Vida) – em louvor à canção-símbolo de Frank Sinatra, o astro charmoso, de voz potente e melodiosa, apontado como conector mafioso nos Estados Unidos. Naturalmente, não há qualquer tipo de indução na escolha de nome e data de “vazamento”.

Também é mera coincidência que, somente, o nome do tesoureiro do PT, João Vaccari, tenha sido amplificado, convenientemente, por uma “condução coercitiva” para ouvida de depoimento. Pouco importa que se trate de um cidadão com endereço certo e conhecido, que sequer recebeu citação oficial para depor.

Estado de direito é apenas detalhe para nosso Judiciário, nos últimos tempos.

A tripla parceria PF/Judiciário/mídia venal, entretanto e mais uma vez, dá lições de comunicação de massa – espetaculosa e distorcida é fato, mas eficaz. O PT e o governo neste particular, primam pela discrição.

A reação à trolagem do dia foi uma “Nota Oficial”, pura e simplesmente. Nas redes sociais, praticamente, só o esforço da militância.

É preciso muito boa vontade, também, para achar referências básicas sobre as celebrações dos 35 anos. Nem um histórico do partido e dos governos por ele liderados estão reunidos na página do PT Nacional.

Não se encontra lá, sequer, a divulgação dos locais da reunião do diretório e da festa na capital mineira; para sabê-lo é preciso ir ao sítio do PT local, assim mesmo, dirigida “aos companheiros e companheiras”. Não há campanha visível, também, nas redes sociais.

É de dar urticária tamanha letargia. E olha que estão, PT e governo, sob permanente sob fogo cruzado, especialmente, desde 2005.

Vamos re-desenhar: comunicação é política.

O acompanhamento do noticiário, análises e comentários pela blogosfera, ao longo do dia me remete a 2005. No auge da crise política do primeiro governo Lula, escrevi artigo sobre o combustível que inflamava o cenário.

Foi publicado no sítio espanhol La Insígnia – por recomendação do amigo pernambucano, jornalista e escritor, Urariano Mota – e reproduzido no jornal alternativo mineiro O Cometa Itabirano.

Busquei-o em meus alfarrábios. Deixo a vocês as constatações das semelhanças com o furacão que tenta varrer o o segundo governo Dilma, presidenta legitimamente eleita pelo voto popular.

O título: Quero meu partido de volta.

Ora, vereis o quanto ao meu desejo expresso continua vigente!

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Postagem revista e atualizada dia 06.02.2015, às 18:10 horas, hora do Recife: correção do nome do delator – Barusco (Pedro) ao invés de Baruque, como escrito originalmente.

 


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