Graça Foster renuncia, e o delator posa de coitadinho

por Sulamita Esteliam
Graça Foster e parte da diretoria da Petrobras em coletiva de imprensa em meados de dezembro/2014
Graça Foster e parte da diretoria da Petrobras em coletiva de imprensa em meados de dezembro/2014

Tudo se confirmou, mais rápido do que se imaginava ou se especulava: no final da manhã desta quarta, Graça Foster renunciou à presidência da Petrobras. Com ela saem cinco membros da diretoria. O novo comando será definido, ou oficializado, em reunião do Conselho de Administração da empresa, na próxima sexta, 06.

Enquanto isso, o delator, ladrão e corrupto confesso, Paulo Roberto Costa, posa de coitadinho. E a mídia venal engole, e alardeia a chalaça do “herói”. Em defesa apresentada à Justiça do Paraná, disse que “sucumbiu às exigências partidárias” para garantir ser diretor da empresa. Aí, dedurou, e ficou de “alma lavada”. Então tá, somos todos idiotas.

Vale à pena ler o que escreve Fernando Brito, do Tijolaço, a respeito.

Graça Foster, quando menina, catou papel, latinhas e garrafas para ajudar a família a não passar fome, e para garantir material escolar. Não roubou. Ingressou na Petrobras, em 1978, como estagiária. E com seu esforço e sua competência galgou postos de chefia até o topo: a presidência, em  2012, mais de três décadas de trabalho depois.

Tornou-se a primeira mulher do mundo a comandar uma empresa de petróleo de grande porte. Por conta disso, foi eleita, pela revista norte-americana Fortune, a executiva mais poderosa fora dos EUA. E ficou em 4º lugar na lista de 100 executivas mais influentes do mundo.

Uma história de superação, garra e perseverança que a levou a galgar vários postos de chefia na Petrobras, para onde entrou aos 24 anos, até o topo.

Mineira de Caratinga, cresceu no Rio de Janeiro, na favela do Adeus, hoje acoplada ao Complexo do Alemão. Formou-se em Engenharia Química pela Universidade Federal Fluminense, pós-graduou-se em Engenharia Nuclear, fez mestrado  pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e também MBA pela Fundação Getúlio Vargas.

Foi tragada pelo furacão de denúncias que envolvem executivos da empresa, que terminaram por atingi-la, apesar de não envolvê-la, pessoalmente, e das providências para barrar os danos à empresa.

Manteve, porém, confiança da presidenta da República, Dilma Roussef, que nunca colocou em dúvida sua honestidade e competência. Tanto que a manteve no posto até o limite, apesar de a engenheira ter colocado seu cargo à disposição por duas vezes no último ano, desde o início das denúncias da Operação Lava Jato.

A questão tornou-se essencialmente política, conforme postagem anterior deste blogue.

Resta saber se o gesto ou providência será o suficiente para aplacar a sede de sangue dos vampiros do Brasil.

 


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