Ninguém está acima da lei, nem o doutor Moro

por Sulamita Esteliam

HelicopteroLatuffOs jacarés de papo amarelo não se contêm. Famintos de poder, mal podem esperar a hora para abocanhar no tapetão, o mandato que o povo lhe negou nas urnas. Legitimidade não é algo que importa na cartilha dos que fazem oposição, neste momento. Não passarão.

A cena é inspiradora: no gabinete do senador por Minas, aquele com endereço conhecido no Leblon, se discute o impeachment da presidenta Dilma Roussef.  Mais, querem apagar o PT do mapa. No comando, o adversário derrotado nas eleições presidenciais.

Presentes, alguns próceres da ética republicana tupiniquim: o dem(o) Agripino Maia, senador pelo Rio Grande do Norte, apontado como receber de propina de R$ 1 milhão em esquema de inspeção de veículos; o ex-senador pernambucano, ora deputado por São Paulo, Roberto Freire (PPS): o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD), sindicalista arrependido envolvido até o pescoço com escândalo da Óia!, e José Luis Penna (PV).

Acercam-se daquele rapaz, que governou Minas Gerais por oito anos, fez seu sucessor, e mesmo assim foi defenestrado pelo eleitorado mineiro.

Sim, aquele senhor, que posa de pai amoroso, mas é apontado como chegado a uma misoginia, para dizer o mínimo.

Sim, ele mesmo, o Rei de Furnas, o brigadeiro do ar nos aeroportos de Claúdio e de Montezuma.

O visionário, cuja maior obra em 12 anos foi erguer uma cidade administrativa no meio do nada, a preços estratosféricos e com propósitos inconfessáveis; manter a imprensa sob censura por razões imagináveis; a Justiça no cabresto com métodos impublicáveis e um choque de gestão que deixou como herança um Estado literalmente quebrado.

Como se depreende pelo andar da carruagem, está tudo dominado.

MorotwitterO que impressiona, é que as pessoas não se apercebam disso. Ou finjam que é assim mesmo, que o jogo é jogado, pouco importam os pesos e as medidas diferenciados. Afinal, desde tempos imemoriais, manda que tem poder e obedece quem tem juízo.

O que espanta é que o próprio PT se mantenha encolhido, e não saia em defesa aberta de seus  pares, ou no mínimo exija reciprocidade legal. O partido soltou nota tímida sobre a prisão arbitrária, e espetaculosa, do seu tesoureiro, João Vaccari.

Na bancada no Congresso,  duas vozes solitárias – dos deputados Sibá Machado (AC) e Zé Geraldo (PA).

Ninguém está acima da lei. Alguém tem que lembrar isso ao doutor Moro.

Não se trata de defender o indefensável, e muito menos a impunidade. Trata-se de apurar todos os malfeitos, indistintamente. O papel da polícia é investigar, reunir provas; do Ministério Público denunciar com indícios sólidos e da Justiça julgar e, se resta provado, condenar.

O papel da imprensa é fiscalizar os poderes e homens públicos, sim, não condenar por antecipação. À mídia cabe noticiar baseada em fatos, informar à sociedade com equilíbrio, não destruir reputações de adversários aos seus interesses e acobertar informações sobre seus aliados.

Não é o que se vê por aqui.

Trata-se de respeitar os princípios fundamentais do direito. Democracia é via de mão dupla.

O povo é envenenado, cotidianamente, sem trégua.

Quem vai parar com isso?

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Postagem revista e atualizada às 9:45: acréscimo da palavra “acercam-se” no quarto parágrafo; da última frase do ‘º, 13º e 16º parágrafos;  e dos parágrafos 14º, 15º e 17º; inclusão de link em “Sibá Machado” no 11º parágrafo.


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