50 anos de manipulação é com a Globo

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Descomemoração em Beagá – Fotos capturadas na Revista Fórum
por Sulamita Esteliam

50 anos globo no Recife 2_UFPE c Dilmaprotesto-50-anos-globo-df-4Achei curioso um dos quadros do Jornal Nacional semana passada: uma mesa redonda com jornalistas-prata da casa, colegas sem dúvida competentes – e com estômago de aço -, a pretexto dos 50 anos da Globo, completados neste domingo, 26, e descomemorados Brasil afora pelos movimentos sociais – também aqui.

O tema: censura dos tempos da ditadura – que a plim-plim ajudou a gestar com todo empenho, e da qual se serviu sem o menor pudor.

Nenhuma surpresa: a tal vênus platinada sempre soube usar a distorção da História, e os podres poderes, em favor próprio. Da mesmas forma que aponta o dedo contra adversários, que transforma em inimigos públicos número um, e proteje seus acólitos.

Roberto Marinho, onde quer que esteja, sabe que a organização que fundou cuida muito além daqueles que ele tratava como “meus comunistas”. Procurados da repressão ditatorial, em favor de quem ele empenhou seu poder de influência junto aos gerdames de plantão.

Raramente assisto TV aberta, e a Globo muito menos. A não ser quando estou em casa alheia, como agora – ou quando recebo visita acostumada, e sem pejo, às doses maciças de manipulação diária.

Não obstante, as bodas de ouro alcançam a emissora que ainda se quer todo-poderosa em inegável declínio. Ainda que seja a líder nos monitores de hospitais, consultórios médicos e dentários, recepções de empresas, lojas e escritórios e, até mesmo – contradição homérica – de sindicatos e sedes de movimentos sociais.

A verdade é que, usos e costumes à parte, as antenas do Jardim Botânico andam corroídas pelo tempo e mau-uso. Seu Departamento Comercial, reflexo de prepotência e arrogância da organização que já foi o governo paralelo deste país, não pode mais arrotar que “vende audiência”. Até porque, esta caminha ladeira abaixo.

O argumento “audiência” foi jogado, por exemplo, na cara desta escriba, quando assessora de Comunicação dos Bancários de Pernambuco. Tentativa vã de impor condições para aceitar anúncio, na verdade um aviso de greve da campanha salarial da categoria. O VT apontava os desmandos dos bancos para com seus trabalhadores e a população em geral.

O ano era de 2008, e a emissora se recusou a divulgar o comercial, apesar de ter recebido adiantado. Só devolveu o dinheiro três dias depois.

Era uma época em que os movimentos sindical e sociais ainda alimentavam alguma ilusão com o dito poder global e da mídia venal de movo irrestrito – que sempre souberam escolher o lado. E, definitivamente, não é o lado de baixo da pirâmide social deste país. Muito antes pelo contrário.

O título do VT alvo da censura comercial e política: Banco mata.

Infelizmente, a matéria-denúncia sobre o ato de censura, distribuída largamente pela mídia alternativa, e também para a comercial, foi apagada da memória da entidade patrocinadora. Naturalmente, depois que, por motivos alheios à minha vontade, deixei a assessoria, em 2010.

Busquei o texto no sítio dos Bancários PE, e só encontrei o VT, postado no Youtube pelo amigo Caja Freire, à espoca colega de trabalho no Sindicato. Mas a crítica à escolha, com a respectiva resposta da assessoria à época, ainda pode ser lida no Blog do Rovai.

Vejaí e tire suas próprias conclusões:

A propósito de manipulação, Ângela Carrato,  professora do Departamento de Comunicação Social da Fafich/UFMG, desmascara o cinismo Global em primoroso artigo publicado no Observatório da Imprensa. Vale muito à pena ler: Dez razões para descomemorar.

Bom estímulo para quem ainda não assinou a Lei da Mídia Democrática – ou tem dúvidas sobre a importância de fazê-lo -, contribuir para regular nosso direito constitucional à informação cidadã, transparente, sem distorção, enfim, com conteúdo de qualidade.

Devo dizer que tive o privilégio de conviver e partilhar com a amiga jornalista, Ângela Carrato, a cobertura política nos anos 80 e até o início dos 90, quando migrei para Brasília. No começo deste mês, foi uma felicidade reencontrá-la em Beagá, no II Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação. Fiquei muito feliz em constatar que o tempo, as migrações de atividades e a academia não tiraram dela a coerência, a fibra e o gosto pelo ativismo nas lutas que valem à pena.

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Postagem revista e atualizada às 23:54: correção de erros de grafia e pontuação em diferentes parágrafos; inclusão do acesso à Lei da Mídia Democrática.


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