A traça do fascismo corrói nossos alicerceres

charge FEBxnazismo
por Sulamita Esteliam

Devo desculpas pela falta de aviso prévio. Havia me imposto um jejum de sete dias no blogue, que a rigor se encerraria nesta quarta, 05 de agosto. É quando se completa uma semana que deixei Beagá, após 122 dias em missão familiar, longe do Recife e do meu núcleo-família restrito.

Fi-lo, o jejum, a bem da minha saúde física, mental e emocional. Baixou a exaustão, e precisava curtir minha casa e os meus. Sei que me entende.

Além do que, escrever, já definiu Clarice Lispector, dói – na maioria das vezes. Quanto mais quando se narra aquilo que pontua, e alimenta, a própria vida.

Obrigo-me a retomar de onde parei. O mar, não está para peixe, volto a dizer. Todos os limites, não apenas o do bom senso, estão sendo ultrapassados. E isso não nos serve.

Tenho acompanhado, cada vez mais indignada, e estarrecida, os acontecimentos da nossa (des) república. Não me acostumo à desfaçatez, à hipocrisia, ao moralismo de fachada, à violência, à injustiça, ao preconceito e à manipulação descarada.

Nossa Constituição, nossa lei maior, é rasgada todos os dias, exatamente, por quem dela deveria cuidar. O império da lei está corroído pela traça fascista que é parte da nossa sociedade, desde antanho, e que ora carcome vorazmente os alicerceres da nossa frágil democracia.

Há, sim, uma crise moral e ética neste país. Desconfio que não vem de agora, e não se restringe aos políticos, muito antes pelo contrário. Esta aí o conluio Justiça x mídia venal, que não me deixa mentir.

A corrupção está em nosso DNA, e a gente bem sabe a origem; é parte do nosso processo civilizatório, digamos. O que explica, mas não justifica.

É salutar, entretanto, que em algum tempo, que seja agora, em tempos recentes, se queira apurar os desvios, responsabilizar e punir os malfeitos. Antes tarde.

Só que não, não vale tudo.

A lei é a lei. Tem que valer para todos. E a lei diz que primeiro é preciso apurar, é indispensável provar, depois, sim, julgar e então condenar, ou absolver.

É primordial respeitar o direito de defesa, os direitos e garantias individuais, humanos.

Vale para o indivíduo, vale para a personalidade, vale para o político, para a autoridade. Deveria valer para o Zé Povinho, também.

Sempre que alguém me questiona a respeito, devolvo a pergunta: e se fosse com seu pai, sua mãe, seu irmão, sua filha?

A isso se chama Estado Democrático de Direito.

No Estado Democrático de Direito, igualmente, quem ganha eleição governa, a menos que cometa crime e reste provado. Quem perde, recolhe as armas e treina o seu exército para o próximo embate. Respeita-se o outro, as instituições e a Constituição da República.

Não pode ser considerado normal que, numa República como constitucionalmente se configura o Brasil, um poder se sobreponha ao outro.

E não pode ser considerado normal que, numa democracia, vigore o arbítrio da toga, ou da caneta, ou do cargo em detrimento do direito.

Vivemos uma crise, é fato. Mas é uma crise política, mais do que econômica. E é uma crise essencialmente fabricada, em nome de um grupo que não se conforma em abster-se das regalias do poder.

A pergunta que não quer calar é: a quem serve uma convulsão político-social no Brasil neste momento?

O objetivo é indisfarçável: impedir que se cumpra o veredito das urnas. Impedir a presidenta Dilma de governar é, em si, o golpe. Preventivo digamos.

Sangrar Dilma, execrar o PT e os petistas é o único caminho para brecar um possível retorno de Lula daqui a três anos e meio.

Barrar Lula, a qualquer preço é o lema e a obcessão.

E o país que se dane.

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Rodrigo Vianna, em seu Escrevinhador, faz um alerta que precisa ser levado em conta. Mesmo que, no linguajar do controvertido ex-ministro Ciro Gomes – candidatíssimo à procura de um partido – em entrevista recente ao Conversa Fiada, estejamos lidando com “frouxos”.

Clique para ler o depoimento exclusivo que Vianna compartilha: Até o final do ano tentarão prender o Lula 

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Postagem revista e atualizada dia 05.08.2015, às 18:19hs e às 23:11js: correção gramatical na última linha do quinto parágrafo: “ao preconceito” e “à manipulação (…) ao invés de “o” e “a”, respectivamente: e também no sexto parágrafo “ora” e não  com o “h” escapado no texto original; inclusão de link no 19º parágrafo: “(…) é uma crise política, mais do que econômica”.


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