Por que comunicar é preciso: Brasil Popular, o jornal

Brasil Popular_sitio
por Sulamita Esteliam

Claro que a notícia não saiu nos jornais ou nas emissoras de rádio ou TVs. Na verdade, mesmo na blogosfera alternativa, não vi grande alvoroço. Mas é para se comemorar.

Esbarrei com o fato no Twitter, postado pelo Barão de Itararé, a partir de matéria publicada na Agência Carta Maior. O título: Jornal Brasil Popular é fundado em Brasília.

Acrescenta, no velho e bom bigode (se mudou o nome, a modernidade não chegou a essa velha escriba) ou subtítulo, com mais aspas do que deveria uma notícia tratada com a marca Carta Maior: O jornal pretende ‘defender as conquistas populares, a democracia e fortalecer a consciência nacional em torno de um projeto de nação independente.’

Pronto: disputa de hegemonia. É o suficiente para Euzinha dizer: Viva! Seja muito bem-vindo!

Chega em excelente hora, e vem para somar.

Nunca como dantes o país necessita tanto de voz e conteúdo alternativo à mídia venal, que, cada vez mais, faz política rasteira, a título de informar, ao invés de jornalismo. Fingem uma isenção que não praticam, e nem existe – que dirá transparência.

Há que se lembrar que, no mundo inteiro, a imprensa tem que ser lida, ouvida e vista com olhar crítico.  No Brasil, melhor traduzir cuidado como desconfiança, mesmo.

O sítio do Brasil Popular – www.brpopular.com.br está no ar desde o sábado, 29 de agosto. Abre caminho para a edição impressa, prometida para “em breve”. O jornal em papel terá distribuição gratuita, nos moldes em uso que se expande mundo afora, assinala Carta Maior.

Transparência e responsabilidade são fundamentais.

Descrédito leva à bancarrota: queda de assinantes, de anunciantes e de postos de trabalho. Esta semana, por exemplo, começou com dezenas de demissões na Infoglobo – jornais O Globo e Extra, e seus respectivos sítios. Dezenas que podem chegar a centenas – fala-se em 400 dispensas.

Tudo, “em nome da crise”. E a culpa é da Dilma.

É triste e revoltante. O jornalista Mário Marona, ex-editor de O Globo (foi meu editor de nacional, em 1985), escreve texto contundente sobre “o passaralho” global – que é como se trata demissões em massa no jargão das redações, mais frequentes do que parece: Eu acuso está publicado no Conexão Jornalismo.

Mais ainda quando se sabe que os donos do grupo, os irmãos Marinho – que não têm nome – figuram entre os mais ricos do mundo e os segundos mais endinheirados do Brasil. A fortuna dos filhos de Roberto Marinho é estimada pela revista Forbes em R$ 71,4 bilhões.

Ocorre-me o comentário do amigo Gilson Caroni Filho, professor no curso de Jornalismo da Facha Rio, no Facebook. Aborda a tristeza, a tensão e o pânico que alcançam trabalhadores do grupo Globo, como também estudantes, alunos seus.

Para estes, usa a palavra amiga que consola e deixa aberta a porta da esperança:  “Acabam-se os veículos, mas o jornalismo não acaba, se reinventa”.

Clique para ler Porque Brasil Popular.

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Adendo, em nome da memória: o Jornal de Casa, semanário mineiro ligado ao Diário do Comércio, tinha distribuição gratuita. Nasceu em 1976, fruto do espírito pioneiro do fundador, José Costa, falecido em 1995. Cultura, lazer, entretenimento, mas também política.

Passei por lá no início dos 80, sob a batuta da amiga-irmã e fada-madrinha, Elma Heloísa, há anos em Brasília, e do queridíssimo Eustáquio Trindade, hoje professor de Jornalismo na PUC-Minas, creio.

Antes de fazer parte da equipe do DC, especializado em economia e negócios. Mas que passou a cobrir política em 1982 – e Euzinha fui pescada para a nova editoria.

Em dobradinha com a colega Ângela Carrato, hoje mestra de Jornalismo, responsável pelo setor no semanário. O JC foi extinto em 2002, mas fez escola – de jornalistas e jornais “grátis”.

Outros tempos, outros propósitos, outras ferramentas.

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Postagem revista e editada às 17:17 horas: correção de erros de digitação/ortografia e gramática em diferentes parágrafos; acréscimo da frase entre parêntesis no 12º parágrafo e de referências a jornalistas contemporâneos desta escriba no JC no 18º parágrafo.

 

 

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