O Dia da Independência que passou

A presidenta Dilma Roussef ao laod do vice, Michel Temer e do ministro da Defesa, Jacques Wagner, durante o desfile cívico-militar de 7 de Setembro em comemoração ao Dia da Independência. Foto: Ichiro Guerra/PR/Fotos \Públicas
A presidenta Dilma Roussef ao laod do vice, Michel Temer e do ministro da Defesa, Jaques Wagner, durante o desfile cívico-militar de 7 de Setembro em comemoração ao Dia da Independência. Foto: Ichiro Guerra/PR/Fotos \Públicas

 

por Sulamita Esteliam

Os jornais de hoje trazem na capa a tradução do que, para a mídia venal, é o espírito cívico. A palavra correta não consta do dicionário.  Os diários locais não fogem à regra da mediocridade.  Meu estômago anda, deveras, muito frágil para ir além.

Não acompanhei o desfile do 07 de setembro, comemorativos da Independência do Brasil. Mas vi e ouvi pela internet o pronunciamento da presidenta Dilma Roussef aos brasileiros e brasileiras.

Um convite à reflexão sobre as dificuldades e o futuro do país, sobre as conquistas da democracia e a necessidade de união para superar os desafios, que não são pequenos.

Compartilho.

 

 

E mais abaixo os acessos à análises do discurso presidencial e sobre o simbolismo da data que busquei na blogosfera alternativa.

Não acordei bem nesta terça, e o dia passou arrastado, totalmente improdutivo. Vou poupar-me do esforço de pensar e escrever.

Assim, transcrevo texto da lavra de Flávio Aguiar, jornalista e professor, postado dia 07 na Agência Carta Maior:

Carta à presidenta Dilma Rousseff

O Brasil e o povo brasileiro são maiores: resista, senhora presidenta. A História não os perdoará. E lhe acolherá de braços abertos.

Flavio Aguiar, de Berlim.
Dilma no desfile

Cara Presidenta

Fique. Um dia, um predecessor seu, é verdade que “no tempo do Rei”, antes de “no tempo do Império, teve a coragem de dizer “como é para o bem estar de todos e a felicidade geral da Nação, digam ao povo que fico”. Logo depois veio a Independência do Brasil.

Agora, quem se levanta contra a senhora não são mais as Cortes de Lisboa. Aliás, o primeiro-ministro português, conservador, sério, desmentiu as aleivosias que levantavam contra o ex-presidente Lula.

Quem se levanta agora contra a senhora são membros de um tipo de gente que protesta contra ter que pagar salário mínimo para uma empregada doméstica, sem falar nos encargos sociais. Gente que considera que os golpistas de 64 cometeram um erro: não mata-la (!). Gente que baba ódio e espuma grosseria, confundem críticas com insultos.

Ou então são jornalistas que querem ganhar o “Prêmio Carlos Lacerda do Século XXI”. Como não conseguiram derrubar o ex-presidente Lula durante os seus mandatos, querem agora que senhora “caia” e que ele “vá para a cadeia”.

Ah sim, há a brigalhada sobre quem vai ser o candidato conservador em 2018. Esta briga se dá entre os pré-candidatos. Parecem os republicanos nos Estados Unidos, cada um querendo parecer mais reacionário que o outro, cortejando gente que se pauta por mensagens anti-civilizatórias, gente que é contra limites de velocidade que protejam as vidas humanas, contra ciclovias, contra o avanço do transporte público no lugar do transporte individualista, contra corredores de ônibus, contra direitos sociais, contra transferência de renda, contra proteger os desprotegidos, gente que acha que na Europa viajar de ônibus e trem é legal mas no Brasil só quer mais espaço para o seu carrão.

Presidenta: muito se escreve sobre seu abandono do cargo – por sua “livre e espontânea vontade”, ou então sob a força de um impeachment que, na verdade, não tem qualquer base legal.

Resista, presidenta. Em nome do que a senhora resistiu quando estava diante de seus algozes, que ocultavam o rosto, com medo do julgamento da História, assim, com H maiúsculo, que tritura as ratazanas que agem sempre com minúsculas e nas sombras de seus projetos inconfessos.

A senhora tem uma divida para com o povo brasileiro, que a elegeu legitimamente em outubro do ano passado. Essa divida é o seu mandato. Tem gente que ficaria feliz se a senhora enfiasse uma bala no peito, como fez Vargas em 54. Ou que fosse derrubada por um golpe civil-militar, como em 64 no Brasil, ou só civil, como o que derrotou Al Gore nos Estados Unidos ou Lugo no Paraguai. Resista, presidenta.

A senhora tem o apoio do que é o melhor na sociedade brasileira, latino-americana e mundial. Pense nisto a cada dia, a cada noite de sua trajetória. E não se entregue, como a senhora não se entregou quando esteve no cárcere.

Há gente que pensa que a sociedade brasileira deveria ser como o cárcere para onde a senhora foi levada quando da ditadura.

O Brasil e o povo brasileiro são maiores do que isto.

Resista, senhora presidenta.

A História não os perdoará.

E lhe acolherá de braços abertos.

Créditos da foto: Gabriel Jabur/ Agência Brasília

 

Vale à pena ler também:

 

 


2 comentários sobre “O Dia da Independência que passou

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s