O cenário é de degradação vergonhosa

Dilma_Aroeira -600x411por Sulamita Esteliam

O Brasil deveria estar chorando de vergonha. O espetáculo de degradação moral e política a que se presta o TCU é apenas mais um ingrediente a mais nesse palco de horrores em que se transformou o cenário político brasileiro.  Não obstante, surpresa seria se comportamento e resultado fossem diferentes.

No reino da hipocrisia, o jogo é de cartas marcadas e anunciadas,  faz tempo. Pura e simplesmente, golpe.

Bom não esquecer o que está em jogo. Não é o governo Dilma Roussef, pura e simplesmente. É a democracia, nossa jovem e engatinhante democracia, que se julgava robusta.

Espanta a imobilidade política – do governo, do PT, dos aliados que não se perfilam na ocasião.

Ainda que cause perplexidade, convenhamos, não cabe buscar culpados nas vítimas. Quem desrespeita as regras, a Lei Maior, a civilidade e a legalidade, há de pagar por isso. Que seja com o limbo da História.

Você deve estar se perguntando, e agora, o que acontece?

Claro, tecnicamente, nem tudo está perdido. O TCU apenas facilitou o trabalho para a oposição golpista, com o auxilio inestimável da mídia venal, e para as diatribes do presidente da Câmara e seus asseclas. Ainda resta o Senado. E contas governamentais são examinadas pelas duas casas legislativas.

Há um rito a cumprir. O parecer do TCU, que é órgão auxiliar do Legislativo, recomendando a rejeição das contas de Dilma vai ao exame da Comissão Mista Permanente de Senadores e Deputados. Por sua vez, o parecer desta segue para o plenário das duas casas, a começar pelo Senado.

Mas, como todo regimento cabe interpretação, muito especialmente no Brasil desses tempos, está em exame no STF uma arguição sobre as pedaladas regimentais de Eduardo Cunha para favorecer seus interesses absolutos.

O ministro Luís Roberto Barroso recomenda que o exame seja feito pelas duas casas em conjunto, mas o plenário do Supremo é quem tem a palavra final.

Se a eventual rejeição das contas pelo Congresso leva ao impeachment, há controvérsias. No entanto, no ritmo que as coisas andam, mais do que a questão técnica ou legal, importa a versão e política no seu pior sentido.

A Tal Mineira reproduz duas análises que, no entender desta velha escriba, melhor traduzem os acontecimentos últimos: o artigo do colega Leandro Fortes, no Vi o Mundo, nesta quinta; e o comentário do sempre impagável Bob Fernandes, na TV Gazeta, na noite que antecedeu o pronunciamento do TCU.

Concordo com eles, farsa e farsantes exigem reação política à altura.

 

 

A CADELA UDENISTA ESTÁ NO CIO

por Leandro Fortes – Vi o Mundo

Aquilo não foi um julgamento, porque o TCU não é um tribunal, mas um cartório de políticos aposentados e apadrinhados de ocasião – alguns lá colocados pelo PT, diga-se de passagem.

O TCU é um apêndice do Poder Legislativo com estafetas de luxo autoproclamados “ministros” por conta de uma herança colonial provinciana.

Ao recomendar a reprovação das contas de Dilma, o TCU apenas cumpriu uma tarefa encomendada pelos tutores da oposição, que precisam voltar ao comando dos cofres públicos, ainda que com suas marionetes de sempre alçadas ao poder.

Pelo voto, perceberam, essa missão tornou-se quase impossível, ainda mais depois da decisão do STF que decretou inconstitucional as doações empresariais para campanhas eleitorais.

Sem falar na indigência das lideranças de direita, que oscilam entre os surtos fascistas da turma de Bolsonaro e a inoperância legislativa dos tucanos.

A solução foi voltar às origens, aos sobreviventes da Arena, aos herdeiros do udenismo lacerdista.

À tigrada.

Apostam, ainda, no envenenamento diário da mídia e na sobrevida de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados, no que já pode ser classificado como a mais espúria aliança política da República desde o golpe de 1964.

Essa farsa do TCU, embalada numa fachada técnica cafajeste e hipócrita, exige uma reação política à altura, e não esse republicanismo barato que transformou os políticos do PT em clientes clandestinos de hospitais e restaurantes, Brasil afora.

Exige um grande e decisiva mobilização social e política, com todos os aliados dos movimentos sociais, com as forças democráticas, e não apenas de esquerda, que estão enojados com esse movimento golpista bancado, como de costume, pelos barões da mídia e pela escória fisiológica da política nacional.

Exige a voz das massas, de grandes lideranças populares e de políticos que não têm medo de enfrentar a manada e o senso comum.

Políticos como Lula, Ciro Gomes e Roberto Requião.

Exige uma nova Dilma Rousseff e um novo Partido dos Trabalhadores.

Exige um novo Brasil.

 

Agora, Bob Fernandes:

(…) Sobram farsantes

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s