Dilma refuta a chantagem de Cunha: não tem barganha

O jogo é jogado, e Dilma paga pra ver
O jogo é jogado, e Dilma paga pra ver
por Sulamita Esteliam

Hoje foi daqueles dias para se gritar “me tire o tubo”, como implorava aquele general, personagem do Jô Soares na segunda metade da década de 80, que desperta do coma e é informado que a ditadura acabou. Todavia quando seu interlocutor lhe diz que, ao fim e ao cabo, muita coisa se mantém como dantes no quartel de Abrantes, ele pede o tubo de volta. Posto o vídeo ao final.

Do nada, voltei a sentir dores na cervical, no meio da manhã. Fui para a acupuntura, meu grande relaxante, mas saí da sessão mais travada do que entrei. Pedi socorro ao maridão, que tem mãos de ouro para massagem. Júlio me acudiu, mas o alívio só veio com a notícia-bomba do dia.

Sim, já que é para assar, que frite. O Eduardo Cunha, que ainda preside a Câmara dos Deputados – a votação sobre a abertura do processo de sua cassação foi mais uma vez adiada, desta vez para terça-feira, 08 -, tirou a máscara. Acatou um dos requerimentos que pedem o impeachment da presidenta Dilma Roussef. Já que o PT e o governo não cederam às ameaças.

Chantagem apoteótica de moribundo.

Chantagem anunciada em coletiva de imprensa no meio da tarde.  Depois de encerrada a reunião onde a bancada do PT decidiu que seus três representantes do Conselho de Ética votaria sim ao relatório que recomenda a abertura de processo de cassação de Eduardo Cunha (PMDB) por quebra de decoro parlamentar. Sua Excelência mentiu à CPI da Petrobras sobre ter conta na Suíça.  Provado está. E a PGR já encaminhou a denúncia ao STF.

Sua Excelência é um mentiroso e um chantagista contumaz, desde os tempos em que os tucanos mandavam no Brasil. Joga o tudo ou nada, acobertado pela oposição miúda e pela mídia venal golpista tanto quanto seus sustentadores.

Como diz o colega Fernando Brito, no Tijolaço, é o “ladrão público, pego em flagrante” que se arvora de acusador de quem não tem nada contra a conduta moral e pública. Por mais que se possa criticar seu governo.

Mas não é Dilma e o PT que estão na berlinda nessa hora. É a democracia e a República em questão.

E tem gente que comemora, como se fosse fato consumado – que não é – e digno de celebração – muito menos. Esquecem os imbecis, que o pior para o governo é o pior para todos nós: o desmantelamento do país e das bases democráticas. É insólito, mas previsível, já que propagandearam:”somos milhões de Cunhas”- lamentáveis, inconsequentes, e desavergonhadamente.

Não, este não é mais o país do vale-tudo.

A despeito daqueles que ainda usam a truculência, a desfaçatez e a barbárie como armas de intimidação e até de extermínio – vide os acontecimentos recentes no Rio e em São Paulo. Hão de pagar por seus atos.

Não há sustentação jurídica para o impeachment. E o próprio STF já declarou a ilegalidade do rito imposto por Cunha.

Sequer a pretensa brecha da “pedalada para o ajuste fiscal” faz sentido. Até porque o Congresso acaba de aprovar a revisão da meta fiscal deste ano, nos moldes requeridos pelo governo. O placar foi de 314 votos favoráveis a 99 contrários dentre os deputados; e de 46 a 16 dentre os senadores.

Como diz a corruptela pernambucana do mote criado pelos sempre irreverentes e divertidos cearenses: #ImpitimaMeuzOvário!

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Compartilho o o vídeo e a transcrição da íntegra do pronunciamento da senhora presidenta da República, eleita pelo voto popular, Dilma Vana Roussef, ao povo brasileiro na noite desta quarta-feira, dia para ficar na História. Dilma disse, alto e bom som, que não aceita “quaisquer tipos de barganha”:

 

 

“No dia de hoje, vocês viram que foi aprovado pelo Congresso Nacional, o projeto de lei que atualiza a meta fiscal, permitindo a continuidade dos serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros.

Ainda hoje, eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro.

São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Nao existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira por mim  nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público, não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi, ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses.

Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública.

Nos últimos tempos e, em especial, nos últimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment.

Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha. Muito menos com aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, bloqueiam a justiça, ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública.

Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto à improcedência desse pedido, bem como, quanto ao seu justo arquivamento. Não podemos deixar as conveniências e os interesses indenfensáveis abalarem a democracia e a estabilidade do nosso país.

Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições e no estado democrático de direito.

Obrigada a todos vocês e muito boa noite!”

 

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Fecho com o vídeo com a personagem do Jô em ação. Para relaxar:

 


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