As lições da garotada paulista em defesa de seus direitos

Protestos da quinta, 03, contra a reorganização do ensino paulista- Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil/Fotos Públicas
Protestos da quinta, 03, contra a reorganização do ensino paulista, sob uma “chuva” de bombas – Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

Devo a mim mesma e a quem me honra com o acesso diário uma postagem sobre a lição de cidadania e pertencimento, de ousadia e destemor que adolescentes paulistas têm protagonizado, com alegria, suor e sangue também, para todo o Brasil, nesses tempos de horrores. Eles ocupam duas centenas de escolas públicas, em protesto contra o plano do governo Alckimin de fechar 93 escolas e privatizar a educação.

Como bem diz meu companheiro Júlio, “deram um banho de civilidade, de cidadania, no governador”, contra a  intransigência e a desfaçatez governamental.

Nesta sexta, depois dias e dias quando imperaram as cenas de truculência policial, que inclui espancamento e prisão de adolescentes, meninos e meninas que reivindicam o direito de estudar, e negativas da realidade por parte do comandante Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo recuou do projeto que chama de “reorganização escolar”. Contrariado, seu secretário de Educação se demitiu. Já vai tarde.

É uma primeira vitória. Mas estudantes e professores, que também estão na luta, sabem que é preciso manter-se alerta, com um olho no peixe, outro no gato – ou melhor, outro no pássaro. A experiência mostra que tucano se comporta como ave de rapina, quase sempre.

Custa-me a crer que o Ministério Público e as entidades ligadas aos direitos humanos tenham demorado tanto para agir contra a barbárie estabelecida nas ruas de São Paulo e região. O governo do Estado rasgou de uma só vez a Constituição, o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei. Maria da Penha. Como sempre, com a conivência da mídia venal.

A Folha de São Paulo, chegou ao cumulo de tirar do ar um vídeo que mostra como o processo de ocupação vem se dando, com responsabilidade e consciência por parte dos alunos. Enquanto o Estado declara guerra para impor sua vontade, a lembrar os tempos da ditadura. Só que fizeram uma cópia do vídeo: Livros Abertos… Escolas Ocupados ou Minha Escola, Minha Escolha (vai o link, por que não consegui incorporar).

Tinha reservado a sexta para o assunto, que tenho acompanhado, e sobre tal me manifestado, cotidianamente, nas redes sociais – Twitter, principalmente. Todavia, paro por aqui.

Fui pega no contrapé com notícia do encantamento de uma amiga querida, a gaúcha Claúdia Cardoso, pedagoga, blogueira, feminista e ativista pelo direito à comunicação. Encantou-se aos 51 anos, no último dia de novembro. Fiz ligeira homenagem a ela no Facebook, postando fotos nossas no 1º Encontro de Blogueiros Progressistas em São Paulo, em 2010, quando nos conhecemos.

Desculpem-me, mas não tenho condições de escrever mais nada.

Recorro ao texto do colega Fernando Brito, do Tijolaço, pena afiada na análise, mas que sabe cutucar a emoção.

Ouso fazer pequeno reparo: Não foi (só) uma turma de garotos que derrotou Alckmin. Foi a estupidez do governador, que se faz de bom moço – daí o epíteto “picolé de chuchu” – e age como um fantasma da Inquisição.

Não foi uma turma de garotos que derrotou Alckmin. Foi sua própria estupidez

por Fernando Brito

garotospaulistas

Com todo o respeito pela garotada das escolas públicas de São Paulo, que foi valente e bem mais madura que muito marmanjo que se deixa levar pela histeria, não foram eles que derrotaram o plano de Geraldo Alckmin de fechar escolas públicas.

Quem derrotou foi a reprovação do povo de São Paulo à brutalidade com que seu movimento legítimo foi tratado pelo Governado Geraldo Alckmin, brutalidade repetida hoje na “chuva de bombas” que se derramou nas ruas paulistanas.

Quem derrotou foi o medo – medo, e não escrúpulo – do governador ao ver que estava se tornando inevitável que ocorresse uma tragédia que o marcasse, sem volta, com o estigma de assassino de jovens.

Quem derrotou Geraldo Alckmin foi, sobretudo, Geraldo Alckmin, que se comportou como um arrogante, um tirano, um autoritário que acha que questões educacionais são um caso de polícia.

Quem derrotou o “invencível” governador tucano foi, reconheça-se também, a serenidade com que a gurizada agiu, sem deixar que meia-dúzia de babacas pusesse a perder a simpatia da população.

Por isso, neste instante em que os garotos e garotas das escolas públicas paulistas venceram pacificamente a guerra que se lhes quir mover, nós, os mais velhos, só temos uma coisa a dizer.

Obrigado por  vocês nos fazerem manter – e recuperar, se a andávamos perdendo – a fé em que o mundo pode ser e será melhor.

Nós os vimos sofrer o que não queríamos ver  sofrerem nossos filhos.

E, agora, quando serenamente vencem, sentimos vontade de abraçar cada um de vocês como desejamos abraçar os nossos filhos.

 


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