Um mês após a tragédia em Mariana, ‘sobram interrogações’

Para não esquecer e não deixar acontecer de novo - Foto>Guiulherme Weimann - BdF
Para não esquecer e não deixar acontecer de novo – Foto>Guiulherme Weimann – BdF
por Sulamita Esteliam

Sábado, 05, fez um mês da tragédia que riscou Bento Rodrigues, distrito de Mariana do Mapa, e deixou um rastro de lama e destruição em comunidades próximas, como Paracatu de Baixo e Barra Longa, e também os municípios ao longo da bacia do Rio Doce. 600 km até o mar no estado vizinho, Espírito Santo.

Há 12 mortos contados oficialmente, três corpos à espera de identificação e sete pessoas desaparecidas. Os desabrigados ainda estão mal-acomodados em hotéis e pousadas da região.  Em tais circunstâncias, a saúde emocional e física não é mero detalhe.

As providências para minorar o sofrimento das pessoas e os prejuízos sociais, ambientais e econômicos não têm a mesma velocidade e a dimensão do desastre. Nem do impacto dele na vida da vida de duas centenas de famílias que tiveram suas casas e suas memórias destruídas, e de outras milhares de pessoas atingidas pelas consequências do ocorrido.

“Sobram interrogações”, resume o deputado Rogério Correia (PT) , relator da Comissão de Barragens – assista ao vídeo ao fim da postagem.

No vídeo abaixo, relatos de moradores dos três municípios mais atingidos, colhidos pelos médicos populares que estão na região desde 14 de novembro, e publicado pelo Brasil de Fato. É dor que dói na alma, como num verso do poeta pernambucano Zé de Guedes: “Dor na alma”.

 

 

Não vou fazer coro com quem acusa o que seria negligência das autoridades em resolver os problemas. É fácil apontar o dedo. Além do que, o descuido ou descaso é anterior, e estão nas causas da calamidade, por dizer assim, anunciada.  Que sirva de lição para evitar tragédias futuras.

Tomadas as medidas emergenciais, o processo de retomada  recuperação é, inegavelmente lento, e não atende às urgências de quem teve sua vida virada pelo avesso. Agrego o balanço da situação produzido pela Agência Brasil.

Não restam dúvidas de que não foi acidente, mas o produto da irresponsabilidade proporcional à ganância que move as mineradoras, no caso a Samarco e suas controladoras Vale e BHP Billinton.  Elas têm que pagar, financeira e criminalmente.

Aliás, a União e os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo ajuizaram, na segunda-feira, 30 de novembro,  ação contra as empresas para assegurar a criação de um fundo com valor inicial de R$ 20 bilhões, que pode ser aumentado ao longo do tempo. O fundo será gerido nos próximos 10 anos, e é destinado a cobrir as despesas de recuperação de danos, revitalização ambiental e indenização das pessoas atingidas.

Em Minas, decisão liminar da Justiça determina que a Samarco garanta o ressarcimento do Estado nas despesas emergenciais devidas. E o Ministério Público do Trabalho firmou um TAC – Termo de Ajuste de Conduta que garante proteção para os trabalhadores da Samarco, terceirizados e ribeirinhos que tiveram sua fonte de sustento inviabilizada. O acordo vale para Minas e Espírito Santo.

A despeito do trauma, o Congresso se prepara para votar dia 09, o novo código de mineração, que tende a facilitar ainda mais a vida das mineradoras. Há denúncias de que o texto em discussão foi produzido em escritório de advocacia que assessora as empresas do ramo, em Minas. O relator do código é o deputado mineiro Leonardo Quintão, que teve a campanha financiada por mineradoras.

Fecho com o vídeo onde o deputado Rogério correia pontua quatro questões para a Samarco esclarecer:

 

 

 

 


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