É preciso deter Eduardo Cunha ou ele devasta este país

Manobras pró-Cunha acirram os ânimos e retardam o processo de cassação do presidente da Câmara na Comissão de Ética - Foto: Lula Marques/Agência PT/Fotos Públicas
Manobras pró-Cunha acirram os ânimos e retardam o processo de cassação do presidente da Câmara na Comissão de Ética – Foto: Lula Marques/Agência PT/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

A velocidade, o caráter e as consequências das sucessivas manobras na Câmara dos Deputados, desgovernada pelos achaques de Eduardo Cunha, são devastadores. E quem se preocupa com o presente e o futuro deste país, e das pessoas que nele vivem, deve se perguntar se não há força ou poder que possa deter este senhor, que age como um psicopata – e há quem ateste a condição de sociopatia – antes que suas ações produzam mal irreparável.

É bom que se repita: a vítima não é apenas Dilma Roussef e o PT, é a Constituição, a legalidade democrática e, portanto, é o coletivo da Nação, todos os brasileiros e brasileiras. Quem, como esta reles escriba e este blogue anão e ‘sujo’, consideram as pretensões de impeachment golpe institucional, porque desprovidas de fundamentados legais. Também não escapam aqueles que, por má fé, irresponsabilidade ou cegueira, defendem o impedimento a qualquer custo.

Não se iludam. Todos, sem exceção, pagaremos o preço.

A História de 21 anos de terror da mais recente ditadura que nos foi impingida está aí para nos servir de alerta. Quem viveu sabe o quanto nos custou conquistar essa nossa democracia engatinhante. Quem não viveu deveria procurar se informar.

Se o retrocesso deplorável não é argumento suficiente, uma vista d’olhos no rol da linha sucessória, a respeitar-se a mesmíssima Constituição que tentam ursurpar, Artigo 80, deveria ser suficiente para desencorajar qualquer aventura golpista. Pela ordem, o vice-presidente, o presidente da Câmara, o presidente do Senado, o presidente do Supremo Tribunal Federal. Só escapa o Levandowski.

No Parlamento, regras e ritos são quebrados ao bel prazer de Sua Excelência,  Eduardo Cunha, sobre quem tem fartas provas de desvio ilegal de dinheiro para contas na Suíça.  Seu poder de influência sobre 200 miquinhos adestrados, ou comprados, ou coagidos, Deus sabe com que métodos, não pode sobrepor-se a um país inteiro e à Lei Maior.

Sobra lama e dejetos de toda natureza. A amoralidade, a degradação e o desatino estão no comando, mas precisam ser interditados.

Até denúncia de ameaça de morte, sem citar a origem, está nos jornais e na rede nesta quarta. O agora ex-relator do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética, Fausto Pinato (PMDB-SP), destituído hoje, por ordens de você quem, disse que ele e família estão sob ameaça constante.

Comissão de Ética, por óbvio, não conseguiu votar o relatório favorável à cassação do presidente da Casa por quebra de decoro, dado o caos estabelecido. Seria a sexta tentativa. Mas ao fim e ao cabo logrou eleger novo relator no início da noite, o deputado Marcos Rogério (PDT-RJ), e deve voltar a reunir-se na manhã desta quinta. Consta que ele é aliado de Cunha, embora se diga favorável à admissibilidade do processo. A conferir.

Deputados do Psol e da Rede entraram na Procuradora Geral da República com pedido de afastamento de Eduardo Cunha da presidência da casa, para evitar que ele use o cargo para deter o próprio processo de cassação. Leio no Tijolaço, que reproduz informação da Folha, de que a própria Comissão de Ética estuda votar projeto de resolução preliminar determinando o afastamento cautelar.

Ontem, Dia da Senhora da Conceição, “a mãe da Justiça”, Iemanjá no sincretismo com as religiões afro – feriado aqui no Recife e também em Belo Horizonte, mas não em Brasília -, veio do STF o freio ainda que temporário nos desvarios do ainda presidente da Câmara. O ministro Edson Fachin concedeu liminar requerida pela bancada do PCdoB  que suspende o rito do impeachment na casa da mãe Joana, digo, do povo. Vale até a votação do mérito pelo plenário do tribunal, dia 16.

Cunha reagiu suspendendo as votações em plenário até que o STF se pronuncie em definitivo.

Isso porque, em mais um desvirtuamento das regras, ele atropelou o regimento interno para garantir maioria de parlamentares favoráveis ao golpe na comissão de 61 deputados que deve analisar o pedido de impedimento da presidenta Dilma. Detalhe: um terço, pelo menos, dos componentes da chapa respondem a inquéritos ou ações penais no STF, segundo levantamento do Congresso em Foco.

Como se não bastasse, também o líder da bancada peemedebista foi trocado por insatisfação da ala pró-Cunha. Sai Leonardo Picciani (RJ), do grupo alinhado com o governo, e entra Leonardo Quintão (MG), fiel a Cunha e às mineradoras que o financiam.

E o Temer, depois do mimimi da carta à Dilma vazada à imprensa, ainda diz que vivemos uma “normalidade democrática”. Talvez para ele, que sonha, em chegar à Presidência sem voto, e manobra para. Mas isso até o 1º Neto, o sem-noção número um, quer e faz.

Pois que se preparem para 2018.

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