Para barrar o golpe, mobilização em respeito à democracia

Manifestantes contra e pró-governo, protestam no salão verde - Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados/Fotos Públicas
Manifestantes contra e pró-impeachment, protestam no salão verde – Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

Os movimentos de resistência ao golpe em marcha na Câmara dos Deputados se espalha Brasil afora, e isso é confortador. É o dado de realidade com o qual os golpistas não contavam. O 18 de março deflagrou uma série de manifestações, nas ruas, nas instituições, no mundo digital. Dia 31, outros milhares marcham sobre Brasília, enquanto o povo volta as ruas nas capitais.

O mundo inteiro está de olho no Brasil. O Brasil está de olho no Brasil. O pais abre os olhos para a necessidade de fazer prevalecer a democracia ainda em fase de conquista. Faço minhas as palavras do colega Luis Nassif: é preciso “barrar a marcha da insensatez e mostrar que o país pode aspirar um lugar entre as modernas democracias consolidadas”.

Juristas aos borbotões, jornalistas, cineastas e escritores, artistas, intelectuais do país e do exterior, igrejas, movimentos sociais, sua majestade o povo.

Dentre dezenas de manifestos e atos em defesa da democracia e do Estado de direito, a semana começa com o lançamento do Comitê Pró-Democracia do Congresso Nacional.

O objetivo é acompanhar a Comissão do Impeachment, que inicia seus trabalhos nesta data, e pressionar pelo respeito às regras constitucionais. É sabido que o mandato da presidenta Dilma Roussef corre risco exatamente pela correção de sua titular. Não há qualquer ilícito contra ela, que não está sendo investigada nem cometeu crime de responsabilidade, hipótese que justificaria o impedimento. Trata-se de golpe, portanto.

 

 

A lembrar que o acatamento do processo foi ato de chantagem de Eduardo Cunha, que tem um prontuário de conhecimento público. Foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por receber propina da ordem de R$ 5 milhões, dinheiro evadido para a Suíça.

Na contramão das ruas, e do desejo expresso da maioria do povo brasileiro, constatam as pesquisas, a oposição, capitaneada pela mídia venal, por entidades empresariais como a Fiesp, e até mesmo a OAB  – que tenta dar um verniz jurídico ao golpe – não tem moral para votar o impeachment.

Aliás, a OAB contraria boa parte de seus associados, que reivindica consulta ampla à base. A despeito disso, nesta segunda, a entidade representativa dos advogados entregou o 11º requerimento de impeachment à Câmara dos Deputados, repetindo a atitude golpista que adotou em 1964. foi recebida aos gritos de “a verdade é dura, a OAB apoiou a ditadura” da ala contrária ao impeachment.

O Comitê Pró-Impeachment disponibiliza uma página com a lista e posição dos deputados que integram a Comissão do Impeachment. Através dela, você pode enviar mensagens para os parlamentares indecisos e favoráveis ao processo de impedimento para pressionar a mudarem de posição. Clique para acessar o Mapa da Democracia.

Euzinha já enviei minhas mensagens. Caso dê erro ao clicar o botão copie os nomes que aparecem no navegador e cole no endereçamento de sua caixa de correio. Aí é só redigir a mensagem do seu jeito. Bom lembrar os nobres parlamentares que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. E eles precisam das urnas para se reeleger.

Nesta terça, o PMDB decide se permanece ou desembarca do governo. Os ministros do partido se reuniram na manhã desta segunda com a presidenta Dilma Roussef. A maioria mostra ser voto contrário à saída, embora conste que o vice-presidente, Michel Temer, já esteja formando sua equipe.  À noite, o ministro do Turismo, Eduardo Braga, entregou o cargo.

Já o ex-presidente Lula acredita ser possível manter parte da legenda em “coalização sem a concordância da direção do partido, como ocorreu em 2003”, durante seu primeiro mandato. A exemplo da presidenta Dilma, Lula falou aos jornalistas  estrangeiros em coletiva, quando aproveitou para denunciar o golpe.

O que viria depois do golpe, um governo do ilibado PMDB? Ou será que o 1º Neto acredita que, se Dilma cair ele assume? Sem voto é possível segurar um governo, por quanto tempo?  Perguntas que não querem calar.

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Postagem revista e atualizada em 29.02.2016, 15:55h correção de tempo verbal no primeiro parágrafo: marcha e não marcharam como no original.

 

 

 

 

 

 

 


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