O 1º de Maio reforça nas ruas a luta contra o golpe e pelo Brasil

Trabalhadores e trabalhadoras contra o golpe, pela Democracia e pelos direitos sociais -Foto: M[idia Ninja/março 2015
Trabalhadores e trabalhadoras contra o golpe, pela Democracia e pelos direitos sociais -Foto: M[idia Ninja/março 2015
por Sulamita Esteliam

No 1º de Maio neste 2016 a classe trabalhadora vai às ruas em todo o Brasil, para mais do que reivindicar, como é tradição. Na verdade será mais um dia de protestos contra as ameaças que rondam não apenas seus direitos, como no ano que passou, mas a própria Democracia e seu direito de escolha.

É pela legalidade, contra o golpe e em defesa da Democracia que os trabalhadores da cidade e do campo, do setor privado e público se mobilizam. Um golpe caracterizado no impedimento da presidenta Dilma Roussef, em exame no Senado Federal, à revelia da vontade popular, de costas para a maioria do povo brasileiro, e em atropelo à Constituição Federal, ao Estado de direito.

Trabalhadores e trabalhadoras deste País, a despeito das críticas à agenda recessiva do segundo governo Dilma, sabem do retrocesso que os aguarda, caso se concretize o golpe jurídico-parlamentar. Para além da insegurança institucional, o programa de um eventual governo Temer, não é uma ponte para o futuro, como foi anunciado, mas um salto no abismo.

É uma agenda dirigida a melhorar o ambiente de negócios: “liberalizante, desestatizante e fiscalista”, resume o jornalista Antônio Augusto de Queiroz, coordenador do Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar em artigo publicado no sítio do órgão.

Liberalizante nas relações de trabalho, com retirada de direitos dos trabalhadores e prioridades das empresas nacionais no fornecimento ao setor público.

Estatizante, com a retomada da venda dos ativos das empresas estatais, como Caixa, estatais dos setores elétrico, petróleo e gás, entrega total do pré-sal ao setor privado internacional. Um verdadeira xepa com o patrimônio do povo brasileiro, a exemplo dos oito anos do governo FHC.

Fiscalista nas despesas do governo: cortar previdência e pessoal para garantir juros e “segurança para o mercado”.

Clique para ler a íntegra do artigo.

Em linguagem direta, a agenda que vem sendo divulgada, como se o impeachment fosse favas contadas, é extremamente prejudicial aos interesses do País e de seu povo, sobretudo para a maioria que tem como riqueza única a força de trabalho.

“O projeto do Temer e dos empresários que financiam o golpe é extinguir ou reduzir programas sociais e direitos conquistados com muita luta como carteira assinada. Eles já falaram em acabar com a política de valorização do salário mínimo e fazer reforma na previdência, como querem os patrões. E como diz o jornal O Globo de hoje ‘privatizar tudo que for possível”, traduz Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional.

O dirigente da maior central sindical do Brasil não tem dúvidas de que “o retrocesso será enorme”.

As manifestações pelo Dia dos Trabalhadores acontecem nas capitais e em várias cidades metropolitanas e do interior, em São Paulo e País afora. Todavia, a mais concorrida, certamente, será na capital paulista.

O ato acontece no Vale do Anhangabaú, e contará com as presenças do ex-presidente Lula da presidenta Dilma, no início da tarde. Ambos confirmaram presenças para as 13:00 h e 14:00 horas, respectivamente.

No Recife, os  movimentos sociais acampados na Praça do Derby, desde o dia 25 de abril, se juntam aos demais trabalhadores e saem em passeata cultural até o Marco Zero. Uma boneca gigante, simbolizando as lavadeiras, cuja festa tradicional no Paiva foi sequestrada pelos condomínios de luxo, caminhará para celebrar o 1º de maio, do modo que se deve: com luta.

Já em Belo Horizonte, a partir das 10 horas, os trabalhadores marcham da Praça Afonso Arinos para a Praça da Liberdade, onde haverá ato político-cultural. Ao término, instalam o Acampamento da Democracia.

Em algumas capitais, a mobilização se deu com antecedência. Em Curitiba, por exemplo, aonde cheguei no fim da noite da quarta, 17, milhares caminharam pelo centro da capital paranaense na sexta-feira, 29. A manifestação lembrou um ano do Massacre de Curitiba, quando o governo Beto Richa jogou sua polícia sobre os educadores em greve contra a retirada de direitos.

O protesto de aniversário integrou a agenda do 1º de Maio na defesa da Democracia, dos direitos sociais e contra o golpe. Contou com a presença do prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, que esta semana esteve no Senado, onde denunciou o ataque à democracia brasileira, representado pelo processo de impeachment da presidenta Dilma.

Neste domingo, Esquivel participa das atividades promovidas pela Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Confira a agenda dos atos no 1º de Maio em todo o País.

Salve os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil!

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PS: Na sexta, prometi, mas não consegui fazer nova postagem. Cedi à tentação e saí para jantar com minha filha. Afinal, precisamos aproveitar o pouco tempo que temos para matar a saudades. Sei que posso contar com sua compreensão.

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Postagem revista e atualizada em 1º de maio de 2016: FHC esteve oito anos no governo, e não 12 conforme no texto original. Lapso feio desculpe-me; correção de erros de digitação e supressão de palavras em diferentes parágrafos.


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