Jomard de Britto e os abismos da temeridade

Resistência democrática - Foto: Mídia Ninja PE
Resistência democrática na Funarte/PE – Foto: Mídia Ninja PE
por Sulamita Esteliam

Entrei em hibernação, na metade da semana que passou. Bem que tentei, mas não consegui produzir uma frase que fizesse qualquer sentido. Ocorre-me, vez por outra; o raciocínio não obedece à vontade, ou vice-versa.

Sim, isso é um pedido de desculpas pela ausência prolongada. Apesar de que, donde Euzinha habito, na capital de Pernambuco, um dos nove estados do Nordeste do Brasil, o feriado de São João começou na tarde da quinta-feira, 23.

Desde então, só faço cozinhar, embaralhar, ler e reler.

Ah, verdade! Hoje, depois de 19º dia do meu retorno ao Recife, pude, finalmente, contemplar o mar, a dez passos. Botei os pés no calçadão, caminhei dois quilômetros na direção sul, e retornei, sem pressa.

Não pude tomar benção a Iemanjá, ainda, porque o mar não está pra gente. Em compensação, Iansã deu-me as boas-vindas: tomei banho de chuva – na ida, na volta, e na chegada também. Eh, parrê!

Bom, estamos no domingo, deixo para a semana de trabalho os assuntos da conjuntura trevosa. Mais ou menos…

Desarquivo o “atentado poético” do querido, e necessário, Jomard de Britto – que finalmente conheci, no Carnaval do Antigo, em fevereiro. Um verdadeiro lorde, cuja generosidade não me canso de louvar, e que há muito não dá o ar da graça aqui no blogue.

 

De JUNHO para JULHO quantos ABISMOS?
Jomard Muniz de Britto, JMB
Nossa tragédia cotidiana não tem hora.
Meio dia de sol ao luar dos sertões.
Miragens citadinas com todas as
T E M E R I D A D E S. JUNHO-JULHO.
Cinco letras entre U e O.
U de ultrapassagens. Ultimatum.
O de ontem com filmes de terror.
AcrObacias no concreto armado
pelos espigões e outras torres gêmeas
de tão cúmplices e degeneradas.
Conjugando presença dos deuses e
demônios do Kapital sem Kafka.
Todos percebemos que o mundo continua
pleno e carente de metáforas.
Repetindo como outrora: metamorFOME.
De amor, aventuras, mutações.
Passeatas. Procissões. Ocupações.
Junho e Julho embelezando
barbudos híbridos e gatas afrodisíacas.
Miragens talvez mirabolantes.
PSOLUAR. Que partido é este?!
Boi Neon para todos.
Sejamos leitores entre abismos.
Peregrinos. Passionais. Polivalentes.
Nem prosa poética nem poesia didática.
Sejamos coautores de exercícios falados,
rabiscados, caligráficos, bricolados
que ainda continuamos a chamar
a t e n t a d o s poéticos.
Anti-heróis e trans-românticos.
Sem TEMER nem temor dos que
consideram BOBAGEM os projéteis
de contemporaneidade por CUQUINHA.
Sejamos indomáveis entre Junho
e Julho das poliafetividades.
Pela errância dos desejos.
Atentos atentados da amorosidade.
Recife, 2016
Digitação translúcida: Pedro Celso Lins

 

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Postagem revista e atualizada dia 27.06.2016, às 9:56: correção de erros de digitação no título, e de pontuação em diferentes parágrafos.

 

 

 

 

 


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