Entre a impotência e o desassossego, xô desencanto!

Trabalhadores e movimentos sociais voltam às ruas contra o desmonte das políticas sociais e das conquistas – Foto: Roberto Parizotti/CUT Nacional
por Sulamita Esteliam

Acompanho os acontecimentos da semana pelas redes sociais, nos últimos dias mais do que sempre. Tomada de uma certa desídia que tolhe o raciocínio coordenado.

Estou na minha Macondo de origem, e levei dois dias para conseguir abrir o computador.

Não ando em fase do melhor de mim, como se pode depreender. Por enquanto, ainda luto contra o desencanto, a falta de perspectiva, o desassossego. Xô!

Contudo, estico o olhar para além do meu entorno, e o horizonte me parece cada vez mais distante e nebuloso, para não dizer sombrio.

A sensação de impotência é o pior dos mundos.

E não me refiro, apenas, à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos a assanhar o apetite dos mercados, com impacto mais perverso na já combalida crise, que não é prerrogativa nossa.

O pretenso terror difundido com a vitória do empresário destrambelhado virou piada nas redes sociais. Escamoteia o fato de que, para nosso quadrante é indiferente, qualquer quer fosse o resultado,. Prevalece o espírito predador do Tio Sam.

Há, porém, quem enxergue nesse, digamos, surto das urnas –  aqui, nas municipais (vide São Paulo, Rio e, sobretudo, Beagá, com o ex-cartola, Alexandre Kalil) e lá, nas presidenciais, uma espécie de “sinal”.

Por exemplo, a singular interpretação ponderada de Júlio Teixeira, meu amado companheiro:

“No país símbolo da juventude (os EUA) candidatam-se dois velhos loucos. Ganha o mais velho e mais louco. A outra seria só um pouco menos idosa. Ambos foram bem votados. Ambos representam os eleitores. Decidiram as eleições os que não se sentiram representados ou motivados; torceram o nariz e não foram votar.”

Nestes trópicos, os trabalhadores, via sindicatos e movimentos sociais, voltam às ruas nesta sexta-feira, 11. É Dia Nacional de Greve, com manifestações nos sete quadrantes da nossa terra em transe.

Motivos não faltam para protestos. O desgoverno, embora pose de gestor da crise, só faz aprofunda-la num desmantelo sem pudor nem tamanho.

No Senado, a PEC 55, que era 241 na Câmara dos Deputados, já está na mesa do plenário, apesar de reconhecidamente inconstitucional. Palavra da PGR e da assessoria jurídica do próprio Senado Federal.

A despeito disso, a Comissão de Constituição e Justiça, diz que tudo está tudo certo, e a tramitação segue para votação em dois turnos.

Enquanto isso, o STF dorme em berço esplêndido. Que se dane a arraia miúda que depende dos investimentos públicos. Que se lixe o trabalhador garfado em suas conquistas. Que se expludam os aposentados.

O deles, doutos magistrados, e juízes e funcionários da casta judiciária, e que tais, está garantido. Assim como se refestela quem se assenhorou do poder.

Importa a versão. E esta o PIG se encarrega de dourar e replicar, irresponsavelmente.

A PEC Terremoto  e o desastre da reforma do ensino médio, já se disse aqui, são apenas o começo.

A tesoura, com o pomposo nome de “reformas”, segue afoita rumo à Previdência Social.

Não é de hoje que se fabrica um rombo para a seguridade social, aliás.

O que é ganho é transformado em perdas, por conta de desvio nos recursos da saúde, assistência social e previdência para outras áreas, como pagamento dos juros da dívida interna; ou seja, para aplacar a sede dos rentistas, do sistema financeiro.

A Academia tem estudos impecáveis sobre o assunto. O mais recente é da pesquisadora Denise Gentil, do Instituto de Economia da UFRJ, divulgado pelo GGN em janeiro deste ano.

 

Estava num Uber no inicio da noite passada, quando entrou A Voz do Brasil, quebrando o encanto da música que embalava a viagem. Pior, a voz pedante e arrastada do mordomo usurpador anunciava “medidas” de “retomada da economia”.

Além dos cortes, nada mais do que maquiagem de programas já em curso, oriundos dos governos Lula e Dilma, como a reforma de moradias da população de baixa renda – a valer a partir de 2017.

No rolar desembestado da carroça, com que mágica se há de saber.

Tem razão o Fernando Brito, que escreve a respeito no Tijolaço: “A rima de economia com demagogia é pobre, paupérrima”.

 

 

 


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