O poder do abraço, do choro, do riso e do ombro amigo

Amig@s são pedras preciosas que tempo e distância não corroem - Foto capturada na rede
Amig@s são pedras preciosas que tempo e distância não corroem – Foto capturada na rede
por Sulamita Esteliam 

Minha amiga de infância – sim, eu a tenho, desde os 3 anos de idade, e eram duas irmãs, mas uma delas encantou-se bem cedo – me diz, entre a admiração e o fastio: “Você conhece gente demais…!”

É verdade, conheço muita gente, nos sete cantos deste Brasil que já foi de meu Deus, e agora, só Ele sabe a quem pertence…

Todavia, não apenas conheço gente pra dedel, como diz meu irmão, que foi meu primeiro amigo. Sou do tipo que tem pelo menos meia dúzia de amigos em cada porto. Em minhas Macondos, o número sobe bastante.

Se bestar, mato de inveja o Roberto Carlos, que sempre quis “ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar…”

Agora com as redes sociais, então, não caibo em mim de tanto amigo.

Eu canto, como Cecília Meireles, “porque o instante existe”, e a minha vida é repleta de amizade.

Sempre tive, tenho e hei de ter um cantinho onde ancorar minha carcaça, um copo gelado, um rango na medida e um colo, seja aonde for…

E a recíproca é verdadeira.

Orgulho-me de ser uma boa fazedora de amizades. E devo dizer que me empenho em cultivá-las.

Consigo ser amiga do meu marido, mesmo depois de 25 anos de vida em comum. E também do ex, duas vezes, por incompatibilidade de conduta; afinal é pai de três frutos da minha prole, e um dia foi importante para mim.

Também convivo muito bem com a ex-do meu atual e com a atual do meu ex, por que, afinal, civilidade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

E isso é parte da minha história e do meu jeito de ser feliz.

Não só o inferno são os outros.

O segredo da felicidade é a convivência, portanto são as pessoas, ou os bichos. Mas desconfio de quem prefira bichos a gente; não deve se dar muito bem com o espelho…

Gosto de bichos, porém. Acontece que sou viciada em gente.

Ninguém é feliz sozinho. Ainda que não trilhe caminhos fáceis de partilhar. É o meu caso.

Tenho amigas de infância, e algumas que conheci na infância e só se tornaram amigas bem mais tarde.

Tenho amigos dos tempos da adolescência – meu companheiro é um deles. Amigas e amigos dos tempos da faculdade.

E quando nos reunimos ainda somos jovens e fazemos uma baita festa.

De minha parte, digo que mal de mim se não fossem os amigos, as amigas. Já me livraram de cada fria… e já me colocaram em outras tantas.

Lembro-me de quando tive todo o meu salário do mês furtado. Num tempo em que se pagava tudo com dinheiro ou cheque, e Euzinha não usava cheque.

Era noite e estava no ônibus de volta do trabalho para casa. Entrei em desespero quando me apercebi, na hora de passar na roleta. No outro dia tinha que pagar o aluguel, a secretária, a escola das três crianças, garantir o supermercado…

O larápio não deixara nem o trocado para a passagem. Desci pela porta trazeira, que era a de entrada, à época; o cobrador foi solidário. Cheguei em casa aos prantos.

Dia seguinte, logo cedo,liguei  para a redação do jornal em que trabalhava, relatei a desdita e avisei que teria que chegar mais tarde porque iria à delegacia registrar o BO, e tomar outras providências…

Era pauteira de política, mas só cheguei para o fechamento. E antes que eu botasse mãos à obra, o editor veio conversar comigo, absolutamente solidário.

Já havia chorado o suficiente, mas não pude conter as lágrimas quando ele me entregou um envelope, abri e vi o que continha: o fruto de uma “vaquinha”, iniciativa dos colegas da editoria, que resultou no equivalente ao meu salário surrupiado…

Guardo a lista dos contribuintes até hoje, e me emociono sempre que relembro. Somos amigos, boa parte, ainda hoje, quase 30 anos passados.

Claro, há amigas e amigas. Há amigos e amigos.

Há aquela e aquele com quem você só precisa trocar olhares, e tudo fica esclarecido.  Às vezes nem é preciso estar junto para se saber o que se pensa, se sente, como se age.

São paus pra toda obra, e é com elas e eles, juntos ou separados, que você conta na hora de um arranca-rabo pra valer. É com eles que você celebra, chora, briga, sofre, milita, extrapola, ri.

É o ombro, o ouvido, o abraço, a troca de energia, o combustível para seguir em frente.

É uma irmandade forjada no compasso da vida.

Não importa o tempo, a distância, as vicissitudes. Quando a gente se encontra, é como se tivéssemos tomado juntos o café da manhã, cotidianamente.

Agora, tem amigos que só funcionam num bate-papo cabeça, devidamente etílico e bem-humorado – até o ponto em que ninguém presta mais atenção no que se fala…

Há o reaça de carteirinha, o esquerdista sem beira, que dirá eira, o bebum metido a valente – que você tem que parar na conversa ou no esporro – o poeta desgovernado…  e aí é melhor pegar o mote e recitar um verso.

E há aquele e/ou aquela, tipo chato de galocha, quase insuportável, que liga para você na madrugada para chorar as mágoas ou simplesmente conversar abobrinha…

Mas o amor é recíproco, e vem de priscas ou recentes eras, e amigo é pra essas coisas, afinal…

Há quem se mantém alerta no sufoco, na reza, na mesa e no bar.

Com muitos você fala putaria, e se acaba de rir. Outros lhe fazem chorar.

Mas fazer ou contar aprontação, isso é coisa bem restrita – pra poucos, muito poucas…

E tudo pode ser lido e processado em comum de gêneros, diversidade etária e multiplicidade étnica, porque amizade não tem sexo, nem idade, nem raça, nem cor, é amor líquido em estado de puro entendimento ou descompreensão.

 

 

 


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