De manobra em manobra, aproximamo-nos do final presumido…

por Sulamita Esteliam

A repórter Cíntia Alves, do Jornal GGN, fez o dever de casa e depois levou às últimas consequências o exercício de jornalismo comparado. Ouvir a íntegra e publicar os vídeos com o depoimento de Marcelo Odebrecht, executivo da construtora, e confronta-lo com o que foi  – “picotado”, na sua expressão – pinçado pela mídia venal “para prejudicar Lula”.

Vale muito à pena conferir – para quem faz questão de informação clara e transparente.

Uma amostra cabal do que se pode fazer com frases tiradas do contexto, como lembra a jornalista. O nome disso é manipulação.

Ao fim e ao cabo, é nítido e claro que a delação de Marcelo contra Lula, assim como contra Dilma Rousseff, não se sustenta. É uma farsa, que não dispõe de qualquer prova documental. É o que o jornalista Bajonas Teixeira, do blogue O Cafezinho, chama de “mentira deslavada”, que ele trata de dissecar em aula de anatomia da denúncia.

Observe-se que a própria fala de Marcelo corrobora o que aqui se quer demonstrar.

“Veja bem, o Lula nunca me pediu diretamente. Essa informação eu combinei com [Antonio] Palocci. Obvio que, ao longo de alguns usos [do saldo controlado por Palocci], ficou claro que realmente era para o Lula, porque teve uns usos que ficou evidente isso para mim. Teve uns que o pedido era feito e saia via espécie, e o Palocci pediu para mim que isso fosse descontado do saldo ‘Amigo’. Então, quando ele pedia para descontar do saldo ‘Amigo’, eu sabia que ele estava se referindo a Lula, mas não tinha como comprovar.”

Compartilho a sequência de vídeos com os depoimentos prestados na ação contra o ex-ministro Antônio Palocci. Assim, que se dispuser ver e ouvir, pode tirar por si as conclusões. Vídeos postados, originalmente, pelo Paraná Portal, a partir da divulgação da Justiça Federal no estado:

1.Para começar

2. A Planilha

3. O interlocutor

4. Pedidos negados

5. A defesa interpelada

A lembrar que o executivo está preso desde junho de 2015, tem uma condenação de 19 anos e meio por corrupção e lavagem de dinheiro. Um homem nessa situação diz qualquer coisa.

O acordo de delação reduz a pena, e pode livrá-lo do regime fechado a partir de dezembro deste ano lhe dá direito à progressão de pena, segundo matéria da “insuspeita” Folha.

Além do que, como desmaterializar R$ 13 milhões, ou R$ 35 milhões, ou R$ 40 milhões, assim… do nada? Marcelo fala em “fundo Amigo”, “saldo Amigo”, tudo gerido sob a interveniência do Palocci (ex-ministro de Lula e Dilma, Antônio Palocci.

O dinheiro era guardado debaixo do colchão? Cadê a conta bancária relacionando dinheiro a beneficiado? Cadê a materialização de enriquecimento ilícito do personagem Lula carregou esse dinheiro no boné?

Ou quem sabe Lula é um mago, um prestidigitador capaz de fazer desaparecer milhões? Se assim for, por que não dissolve seus perseguidores e a camarilha que toma de assalto o País?

Abracadabra! Taí a solução para todos os nossos problemas.

É feito a lista de Janot ou a lista de Fachin, que se convenciona chamar de “lista do fim do mundo”.

Levantado o sigilo daquele que é o segredo de Polichinelo mais bem guardado da res-pública, eis o que se descortina: 108 delatados só no Congresso Nacional, nove ministros do Temer e o próprio mordomo usurpador golpista.

E mais duas centenas de pessoas sem fórum privilegiado, pedidos de inquéritos encaminhados para ene tribunais, inclusive o de Curitiba, onde habita o justiceiro Moro.

Tudo junto e misturado: doações legais de campanha com discrepância nas prestações de contas, uso de caixa 2, fraudes em licitação, propinas de favorecimento, enriquecimento ilícito. Todo mundo é suspeito até prova em contrário. Pior, já são culpados, condenados previamente.

É a inversão do direito em benefício de quem?

Muito conveniente, não acha?

Disseminar inquéritos para fugir da pecha incômoda da seletividade. Primeiro era só PT, agora, quando ninguém aguenta mais ouvir falar em Lava Jato, e as evidências escancaram a hipocrisia, aparecem os outros.

Mas os outros, todos, a camarilha golpista, têm bico duro de bicho emplumado, tudo escorre pelas penas. Além do que, têm fórum privilegiado, com aquela agilidade e imparcialidade própria da Suprema Corte. Coisa que Lula e Dilma não têm mais.

Como escreve Luis Nassif, com a objetividade e argúcia necessárias, “não significa que, enfim, a Lava Jato resolveu tratar as investigações com isonomia, que o pau que dá em Chico dá em Francisco”.

Significa, prossegue o colega, que  “o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot continua dono absoluto do calendário. Através do controle do ritmo das investigações, ele decide monocraticamente quem vai e quem não vai ser condenado”.

O foco, desde sempre, é único. E a genialidade de Renato Aroeira, na charge acima, vai ao ponto.

A lembrar que Lula é alvo de cinco processos, vai ser ouvido e – há quem aposte, ser preso – em Curitiba dia 03 de maio.

No caso de Lula, viraram sua vida pelo avesso em busca de provas em três anos de perseguição sem trégua. Nenhuma prova. Mas no tribunal de Sérgio Moro, provado esta, é detalhe sem importância.

Importa inviabilizá-lo eleitoralmente, garantir que o Brasil despenque na ponte para o abismo. Estamos quase lá.

Clique para ler a análise do Nassif: Xadrez da lista de Janot, o senhor do tempo.


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