Estamos aqui de passagem…

por Sulamita Esteliam

Quinta não deu para chegar ao blogue, foi dia de faxina. Ainda não posso encarar a casa toda, mas minha cozinha ansiava pela minha mão – para além das panelas. Não é porque somos efêmeros que temos que conviver com a sujeira, não é verdade?

Passei a tarde e parte da noite nessa valsa. Fiz o que tinha que fazer sem pressa, intercalando com outros afazeres domésticos. Nada que requeira mais esforço que não disposição e alguma diligência.

Minto, haja braço para tanto armário!

Enfim, sobrevivi com o auxílio de algumas latinhas, porque ninguém é de ferro.

Ontem foi sexta-feira da paixão, e aí não vale.

No entanto, minha terceira irmã, a Lili, três anos e quase meio mais nova do que Euzinha, fez aniversário. Ninguém escapa de ficar “sex”.

Agora só falta a Zeíca, nossa caçula, dentre o quarteto que minha mãe trouxe ao mundo. Ela completa idade nova no próximo 21, mas tem a vantagem de um ano sobre a outra.

Melhor que chegar lá é quando conservamos a saúde e a alegria de viver. E a mana Lili é atleta, do tipo que segura meia maratona sem dobrar a espinha.

Queria muito ter podido estar com ela, que veio ao Recife celebrar comigo na minha vez – vieram tod@as, aliás. Mas não posso viajar tão cedo. Então, comemorei daqui, enquanto ela celebrava em Beagá, junto à galera.

Bacalhau lá e cá.

Segunda-feira é minha filha Gabi, a primeira dentre as mulheres que pari, que aniversaria, e inaugura o primeiro enta. Então, este ano o almoço de Páscoa é dupla comemoração.

E temos muito o que agradecer. Gracias a la vida.

Aproveito para compartilhar um belo texto que nos ajuda a refletir sobre o sentido da Páscoa e da nossa vida aqui neste plano. Independentemente de credo ou religião.

Recebi da amiga-irmã, Elma Heloísa Almeida, jornalista e hoje terapeuta holística, conterrânea migrada há duas décadas ou mais para Brasília; e minha fada-madrinha.

Feliz Páscoa!

Sede passantes!

Jean-Yves Leloup*

Este tema da passagem é o tema da Páscoa. Pessah em hebraico, quer dizer passagem. A passagem, no rio, de uma margem à outra margem, a passagem de um pensamento a outro pensamento, a passagem de um estado de consciência a outro estado de consciência, a passagem de um modo de vida a outro modo de vida.

Esta fala de Jesus lembra que somos peregrinos sobre a terra. Somos passageiros. A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói uma casa sobre a ponte. Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio, a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino e fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes, sabendo que estamos de passagem. É importante lembrar-se do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas coisas, pois o sofrimento geralmente é de que queremos fazer durar o que não foi feito para durar.

A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna, é a abertura do coração humano ao coração divino. É a passagem da escravidão para a liberdade, passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a terra prometida. Mas não é preciso temer o mar vermelho: o mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossos erros, de nossas reações. Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades, para tocar a terra da liberdade, o espaço da liberdade que existe dentro de nós.

Sede passantes: creio que esta palavra é verdadeiramente um convite para continuarmos nosso caminho a partir do lugar de onde algumas vezes paramos. Observemos o que paralisa a vida em nós, o que impede o amor e o perdão, onde se localiza o medo dentro de nós. É por lá que é preciso passar, é lá o nosso mar vermelho. Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz, não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida!

 

* Escritor, teólogo e filósofo francês

 


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