Banda brasiliense lança rock puxado no “gosto amargo da crise’

por Sulamita Esteliam

Compartilho texto e vídeo que recebi do colega Olímpio Cruz Neto, ex-secretário de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff. Uma gentileza sem medida, que o A Tal Mineira agradece, penhoradamente; mesmo em se tratando de divulgação.

É sobre o lançamento do clip A Grande Depressão, da banda Phonopop, que lançou seu primeiro disco em 2005 e estava em jejum de quatro anos sem gravação nova na praça. A música é rock na veia, com pitadas eletrônicas, embalada na perplexidade e assomíro da vida política nacional.

Curioso é que o clip é lançado justo no dia em que o TSE inicia o julgamento que pode apear o mordomo usurpador do cargo que não lhe pertence.

Publico na íntegra, pois o texto do Olímpio é impecável.

Phonopop: Bruno Daher, Tharsis F.Campos, Ju Oscar, Fernando Cruz – Foto: FB

‘A Grande Depressão’, rock com gosto amargo da crise

 A banda brasiliense Phonopop, há quatro anos sem disco inédito, lança a canção “A grande depressão”. Para ilustrar a música, um rock com guitarras rasgadas, batidas eletrônicas e loops hipnóticos, o clipe tem imagens históricas: da construção de Brasília à ditadura militar, passando pela queda de Dilma e os protestos contra Temer
O rock brasiliense mostra a veia política, com o lançamento do clipe de “A grande depressão”, canção da banda brasiliense Phonopop, num claro sinal de que a crise institucional brasileira incomoda artistas para além do engajamento ideológico. A música, que pode ser baixada no serviço de streaming Soundcloud – e o clipe visto no YouTube – remete a uma sensação de descontinuidade e genuíno e mal-disfarçado incômodo. O grupo formado por Fernando Brasil (voz e guitarras), Oscar Jr. (guitarras), Tharsis Campos (baixo) e Bruno Daher (bateria) não lançava canções novas há quatro anos. A banda gravou seu primeiro disco, “Já não há tempo”, em 2005.  
 
Autor da canção, Fernando conta que a música traz sinais dos tempos atuais, a partir de uma sequência de questionamentos que começou a se fazer, ainda no ano passado. Como funcionar em uma sociedade completamente disfuncional? Como exercer cidadania plena em uma Nação que tornou hábito atirar no lixo os fundamentos do Estado Democrático de Direito? É possível manter intactas a sanidade e a capacidade de diálogo em um país dividido, com instituições em frangalhos e cujo preconceito de classe mergulha centenas de milhares de cidadãos em uma perigosa irascibilidade de origem fascista?
 
Essas são reflexões que permeiam a letra e o vídeo de A Grande Depressão. Dirigido pela documentarista Érica de Sousa, o clipe mescla trechos de filmes antigos, imagens históricas da construção de Brasília, do golpe militar, a queda de Dilma Rousseff e dos atuais protestos contra o governo de Michel Temer. Tudo isso ao som da colagem sonora feita pelo grupo, que assume contornos de música eletrônica e psicodelia. Coincidência ou não, nesta terça-feira, o país assiste ao julgamento da ação pelo Tribunal Superior Eleitoral que pode levar à cassação do mandato de Temer.
 
Segundo Érica de Sousa, sua intenção foi usar imagens também de diferentes tempos e lugares do mundo, além do Brasil, para tentar mostrar a confusão temporal na qual estamos vivendo. “É um jogo de imagens de de tempo e lugar, nos colocando em um loop historico de ver como tudo esta se repetindo e volta a se repetir”, explica a documentarista. Ela comenta que o trabalho maior foi da pesquisa de imagens e de colaboradores, incluindo fotógrafos e cinegrafistas. “A pesquisa tem um caráter importante, mas mostra muito mais o esforço de colaboração permanente de muita gente”, conta Érica.
 
Ao contrário do que possa parecer, no entanto, a música não carrega no tom panfletário. “A letra nasceu mais de um estado de estupefação, de uma terrível sensação de deslocamento, como se estivéssemos todos dopados, flutuando em um limbo, do lado errado da história e do progresso”, explica Fernando, vocalista do grupo. “Contemplamos o limiar do precipício, é um sonho ruim que não termina nunca”. 
 
“Infelizmente, esse torpor reflete um pouco o estado das coisas, temos um presidente flagrado em um ato criminoso que diz que não vai sair. E as coisas parecem sem rumo”, afirma. Para o músico, anos de manipulação da informação por setores da imprensa cumpriram papel fundamental para o quadro de hoje. A política passou a ser caso de polícia e a descrença hoje é regra. “O país está mergulhado numa onda pessimista”, lamenta. 
 
Nem tudo é desesperança, contudo. Em meio a explosões de violência por parte de soldados da Polícia Militar durante protestos e imagens de pobreza e miséria, fundidas na edição quase asfixiante de Érica, pode-se ver uma luz no fim do túnel. Em contraponto ao clima de desalento, Érica equilibrou o jogo com imagens, entre outras, de índios ocupando o Congresso e líderes de movimentos sociais discursando em atos populares. “É, de certo modo, a nossa esperança da volta de dias melhores, com mais diálogo, mais participação da sociedade. Com a população usando sua voz de verdade, como deve ser em toda democracia”, pondera. 

Para ouvir e baixar: https://soundcloud.com/phonopopbsb/a-grande-depressao

 

O clip já está no Youtube:

 


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