Petrobrás: 64 anos e a soberania em risco

por Sulamita Esteliam

O 3 de outubro marca o dia da soberania brasileira, aquela que já tivemos, e que tem na Petrobras seu símbolo maior.  Foi nesta data, em 1953, que a empresa foi criada como detentora do monopólio sobre a exploração, extração e refino do petróleo no Brasil. Euzinha ainda habitava a barriga da minha mãe quando isso aconteceu.

Vargas criou, coroando a campanha O Petróleo É Nosso, de repercussão nacional.

Penso que o velho caudilho, mais do que nos tempos de FHC, que queria a maior empresa brasileira com o epíteto de Petrobrax, deve estar se remexendo no túmulo diante do entreguismo lesa-pátria que caracteriza o desgoverno usurpador.

A Petrobras, alvo da operação Lava Jato, é o principal alvo do desmonte do patrimônio público nacional. Não se pode ter ilusões sobre o que move a canalha que ocupa o poder e aqueles que estão a seu serviço, com Judiciário, com tudo: não é pela corrupção, é pela riqueza que administra, em particular o Pré-Sal, que é alvo da cobiça e do desplante.

Fatiada, dilapidada e servida de fausto aos estrangeiros, a preço de bananas. Eis mais um componente do butin dos golpistas.

Nesta terça, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, petroleiros e trabalhadores reunidos na Frente Brasil Popular foram às ruas celebrar o aniversário da Petrobras. Ato de resistência à sanha entreguista,  como aponta a FUP, a Federação dos Petroleiros.

“A Petrobras, principal empresa do país, completará 64 anos de existência e resistência à sanha dos entreguistas.”

celebração de 64 anos de soberania.

Soberania que é a própria dignidade e honra do povo brasileiro, nas palavras de Lula:

“Não é possível abdicar da Petrobrás, abdicar da indústria naval, não é possível abdicar do BNDES, da Eletrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Casa da Moeda. A moeda é um dos valores de uma nação. E essa gente está vendendo tudo porque não tem competência(…)  O país estará abrindo mão de instrumentos de fazer política econômica.”

Pensamento idêntico foi manifestado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da Minoria na Câmara dos Deputados, nas redes sociais, como reporta Vermelho.

“É bonito ver uma massa trabalhadora ocupando as ruas no Rio em defesa do país, mesmo numa conjuntura tão difícil. Defender as empresas públicas é defender o comando estratégico de desenvolvimento nas mãos do povo brasileiro.” 

Transcrevo a reportagem publicada na página da FUP:

“Não é possível abdicar da Petrobrás”

Petrobrás 64 anos de soberania -Foto: Ricardo Stuckert/FUP

Apesar da chuva fina que caiu sobre o Rio de Janeiro, milhares de manifestantes ocuparam o centro da cidade nesta terça-feira, 03, para protestar contra as privatizações e o desmonte do Estado brasileiro. O ato em defesa da soberania nacional foi convocado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pela FUP, CUT, entre outras entidades que integram a Frente Brasil Popular.

A mobilização começou às 11h, na Avenida Rio Branco, em frente prédio da Eletrobrás, uma das estatais que integram o pacote de privatizações anunciado pelo governo Temer. De lá, os manifestantes seguiram em caminhada até a sede da Petrobrás, que completou 64 anos neste 03 de outubro. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o ato por volta das 16h30, com um discurso contundente, em defesa da soberania e de um novo projeto popular para reconstrução do Estado.

“Defender a soberania nacional é defender a dignidade e a honra de um povo”, declarou. “Falar em soberania nacional é ter a coragem de fazer da Petrobrás uma das maiores empresas de petróleo do mundo. É ter feito do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás) o maior centro de pesquisas de uma empresa petroleira durante muito tempo”, completou Lula.

“Não é possível abdicar da Petrobrás, abdicar da indústria naval, não é possível abdicar do BNDES, da Eletrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Casa da Moeda. A moeda é um dos valores de uma nação. E essa gente está vendendo tudo porque não tem competência”, afirmou o ex-presidente. “A hora que eles venderem tudo, o país estará abrindo mão de instrumentos de fazer política econômica”, avisou.   

“A Petrobrás não é apenas um fura-poço”

“A Petrobrás não é apenas uma empresa de petróleo, é um instrumento de desenvolvimento, pois tem milhares de empresas que dependem da Petrobrás, tanto na área de óleo, quanto na de gás. A Petrobrás não é apenas um fura-poço. A Petrobrás é uma empresa de incentivo tecnológico e científico. Por isso que nós investimos em pesquisa, por isso que nós atingimos a autossuficiência, por isso que nós fomos buscar petróleo a sete mil metros de profundidade e fizemos a maior descoberta de petróleo do século 20”, declarou o ex-presidente.

“Esses mesmos que agora estão vendendo a Petrobras, quando a gente descobriu o pré-sal, eles diziam que era impossível a gente explorar o pré-sal”, lembrou Lula, ressaltando que hoje o custo de extração de petróleo no pré-sal é quase o mesmo da Arábia Saudita.

“A Petrobrás não só provou que era possível extrair o petróleo, como provou que do ponto de vista tecnológico não tem nenhuma empresa no mundo mais competente do que ela para prospecção em grandes profundidades. É por isso que eles estão privatizando”, afirmou.

Petrobrás e Lula, uma história de resistência e competência

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, ressaltou em sua fala a importância do Estado para o desenvolvimento de uma nação. “Em 2008, quando o mundo inteiro estava em crise, ninguém tinha dinheiro, ninguém tinha emprego, o governo Lula, por uma decisão de política de Estado, fez com que os bancos estatais investissem na Petrobrás e os efeitos da crise foram muito pequenos para o povo brasileiro”, lembrou.

José Maria Rangel, coordenador da FUP – Foto: Mariana Bonfim/FUP

Ao fazer referência aos 64 anos da Petrobras, Zé Maria comparou a trajetória da empresa com a do ex-presidente Lula. “É uma história de luta, de resistência, é uma história de sonho, de realização e é uma história de competência”, afirmou. “A Petrobrás, com a competência de seus trabalhadores próprios e terceiros, conseguiu sobreviver a todas as tentativas de se acabar com essa empresa. E Lula também conseguiu com competência fazer o nosso povo ser feliz”, destacou o coordenador da FUP.

“Um povo não sobrevive sem soberania”

O coordenador nacional do MAB, Joceli Andrioli, saudou a participação de mais de três mil camponeses e militantes que vieram de Norte a Sul do país para o Encontro Nacional que está sendo realizado no Terreirão do Samba, na capital fluminense. “Viemos de tão longe para esse ato em defesa do que é mais sagrado para o povo, que é a soberania nacional. Um povo não sobrevive sem soberania”, afirmou.

Unidade é o caminho

Antes da chegada de Lula, lideranças sindicais e de movimentos sociais fizeram discursos em prol da construção de uma luta unitária para barrar o desmonte do Estado. “A luta, o enfrentamento é o que nos unifica”, afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas. “Precisamos revogar as medidas do governo golpista e para isso, precisamos unir a esquerda nacional, unir os movimentos. Esse governo não é só golpista, esse governo é entreguista e nós não vamos permitir que entregue as nossas riquezas”, avisou.

 

O presidente da CTB-RJ, Paulo Sergio Farias, foi na mesma linha. “Nós vamos construir na rua a unidade popular não só para barrar os golpistas, mas para defender um projeto de nação que tenha por foco o desenvolvimento nacional baseado na soberania”, declarou.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, falou pela Frente Brasil Popular e convocou o povo a resistir em uma grande “frente de batalha contra esse governo golpista que quer vender a preço de banana as estatais, como nos ano 90”. Ele aproveitou para mandar um recado aos oficiais que vêm defendendo nas últimas semanas a intervenção militar. “Se vocês dizem que o que querem é a defesa do nosso país, por que não vão fazer uma campanha em defesa da Petrobrás, da Eletrobrás, da soberania nacional?”, questionou João Paulo, avisando que o povo não aceita intervenção militar “porque o momento agora é de intervenção popular”.

Vitor Guimarães, do MTST, representou a Frente Povo Sem Medo e se somou às demais lideranças na construção da unidade em defesa das empresas públicas. “A Petrobrás não se vende, a Eletrobras não se vende, a riqueza do povo brasileiro tem que servir para dar desenvolvimento e não para dar lucro para meia dúzia de empresários e investidores estrangeiros”, afirmou.

Foto: Ricardo Stuckert/IL

 


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